Social Interface Design

Diferente da interação humano-computador que acontece nos softwares que estamos habituados a utilizar em nossos computadores, a Internet traz consigo uma outra possibilidade: a interação entre humanos.


Muitos profissionais de usabilidade estão preocupados em criar interfaces fáceis de usar, para possibilitar a interação entre humanos e máquinas. Mas diferente dos softwares que estamos habituados a utilizar em nossos computadores, a Internet traz consigo uma outra possibilidade, que é a interação entre humanos.

Temos ai os “instant messengers”, listas de discussão, redes sociais, blogs, leilões e classificados online, todos softwares fazendo mediações entre pessoas, e não entre pessoas e máquinas. Esses softwares devem ter uma interface fácil de usar, mas acima de tudo é preciso que eles possibilitem aos usuários formas de interagir com outras pessoas, e isso será mais importante que a usabilidade para o sucesso do software.

Um grande exemplo disso foi o Napster, que foi o primeiro software de compartilhamento de arquivos em redes P2P que ganhou grande destaque mundial (principalmente pela briga jurídica com a indústria fonográfica). Na janela principal do Napster existiam botões para que o usuário alternasse entre cinco telas, botões onde deveriam haver abas.

Essa era uma grande falha de usabilidade, mas que não impediu que o Napster fosse o software mais usado do planeta no seu momento, e tudo isso por questões que iam além da usabilidade. O Napster possibilitava que você compartilhasse arquivos com outras pessoas, e esse tipo de interação atraia cada vez mais usuários.

Quem assistiu o filme A rede social pode ver que Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, era um programador que não entendia nada de interface, mas que tinha a preocupação constante de que o Facebook fosse um ambiente legal para as pessoas, oferecendo aquilo que elas queriam. As primeiras versões do Facebook possuíam uma péssima usabilidade em termos de sistema, porém o sucesso veio quando seu criador percebeu algo que as pessoas queriam, que era ter a possibilidade de saber informações sobre a vida de outras pessoas, e ter a possibilidade de iniciar um contato sem uma abordagem direta, que pudesse oferecer algum risco à integridade moral e social da pessoa.

A partir do momento que o Facebook começou a oferecer essa possibilidade de interação, ele começou a se tornar o sucesso que é hoje.

A usabilidade existe para facilitar a interação, mas entre uma pessoa e um sistema. Mas o que devemos nos perguntar é qual o tipo de interação é mais importante, ou melhor dizendo, com o que as pessoas gostariam de interagir. É preciso começar a pensar de uma forma menos técnica e matemática, e começar a pensar nas interações de forma mais antropológica e etnológica. É preciso manter o foco na interação entre as pessoas.

Na sexta-feira do dia 21 de janeiro, ministrei a palestra Social Interface Design na Campus Party, que aconteceu entre os dias 17 e 23 de janeiro no Centro de Exposições Imigrantes em São Paulo.

O vídeo da palestra, assim como os slides e links de referência podem ser vistos aqui.

Siga-me no twitter :)

Deixe um Comentário

O que é o Outrolado?

1. Envie seus artigos (não apenas links).
2. Fique dentro do tema (internet, tecnologia, marketing, negócios, design, programação...)
3. Posts para fazer propaganda ou fora dos assuntos principais não serão aprovados pelos editores.
4. Comente, vote. Os melhores artigos serão destacados.

Hospedado por:
Anuncio