Uma proposta de “Design Livre”
Uma proposta em que todos os processos e metodologias utilizadas no projeto de design sejam compartilhadas, e o processo fique aberto à participação e documentado para consulta ou reprodução em outros projetos.
Por estar envolvido com as comunidades que pretendem utilizar softwares livres na área de criação, vejo que a imersão dessas comunidades nos conceitos de construção do design seguem comumente num equívoco de interpretação. A proposta colaborativa trazida no desenvolvimento dos softwares livres não consegue inspirar essas comunidades na questão do design devido a falta de compreensão do processo. Normalmente essas comunidades chamam de design livre o ato de disponibilizar arquivos vetoriais para que outros possam alterar logos, layouts ou ilustrações como queiram.
O resultado disso é percebido quando vemos que um dos maiores problemas do software livre está justamente no projeto gráfico e de interface, onde é comum encontrarmos pouco refinamento, iconografia inadequada ou problemas de usabilidade. A falta de profissionais com conhecimentos conceituais trabalhando com softwares livres foi inclusive um dos argumentos usados pela Canonical para justificar a contratação de um studio de design para a construção do novo brand do Ubuntu, distribuição mais popular do Gnu/Linux.
Como já argumentei outras vezes, considero que o design é muito mais um projeto do que uma ilustração, e que compreender os processos de construção desse projeto é muito mais importante do que os conhecimentos acumulados na manipulação de uma software, como costumam assimilar diversos profissionais ou como o mercado costuma vender com seus cursos mágicos de design baseados no aprendizado do Photoshop. O fato é que, saber como uma ferramenta funciona não significa que você saiba o que fazer com ela.
Percebendo essas questões é que o pessoal do instituto Faber-Ludens vêm discutindo já a um certo tempo uma proposta de design livre. A ideia consiste em que todos os processos e metodologias utilizadas no projeto de design sejam compartilhadas, e com isso discussões sobre ferramentas utilizadas, etapas do projeto, organização das tarefas e outros elementos envolvidos no processo fiquem abertas à participação e documentadas para consulta ou reprodução em outros projetos.
Assim sendo, os processos e metodologias usadas na construção do projeto de design ganham uma proposta similar a que temos hoje no código dos softwares livres e seus processos de desenvolvimento. Existe inclusive uma proposta de liberdades fundamentais, seguindo o mesmo modelo das quatro liberdades fundamentais do software livre, escritas por Richard Stallman:
1. A liberdade de aprender a usar. Independente de um uso proposto ou esperado no projeto aberto que for consultado.
2. A liberdade de estudar e reproduzir o processo que gerou o produto. Consultar a documentação das decisões de design, os arquivos-fonte.
3. A liberdade de colaborar com o processo, inclusive modificando o mesmo. Alterar qualquer parte de um processo,
4. A liberdade de aprender a fazer. E produzir e reproduzir.
Proliferando essa discussão, o Rodrigo Gonzatto, Publicitário e Pós-Graduando em Design de Interação pelo Instituto Faber-Ludens, ministrou a palestra “Design Livre e Colaborativo orientado à Inovação”, durante o evento iMasters InterCon, que aconteceu no WTC Convention Center nos dias 19 e 20 de novembro de 2010. Você pode assistir aqui o vídeo da palestra.
A proposta de design livre que o instituto Faber-Ludens vem maturando casa perfeitamente com minhas expectativas sobre o compartilhamento dos processos envolvidos no design. Mas ainda é apenas uma proposta, que necessita de maior colaboração e discussão para a sua evolução, principalmente das comunidades que tem como proposta trabalhar com softwares livres na área de design, podendo assim contribuir também para a evolução desses softwares.
Fica aqui o convite, vamos discutir. Siga-me no Twitter.



