Jazz Bass

Jazz Bass preto e branco

A única vez em que toquei um Jazz Bass Fender daqueles bem antigos foi por cinco minutos e o resultado ficou gravado para sempre.

 

Um dos modelos de contrabaixo que mais aprecio é o Jazz Bass da Fender.

E um dia sem querer aconteceu de gravar uma música do Sex Beatles com um Jazz Bass bem antigo e usado, muito macio e uma delícia de tocar.

Foi assim: os Sex Beatles estavam gravando o CD Mondo Passionale e era a minha vez de colocar o baixo de verdade na música, já depois da bateria estar gravada.

Estávamos só eu e o Savalla, o técnico de som.

Cheguei perto da mesa de gravação e atrás dela havia um sofá, com um Jazz Bass em cima. Ali, sozinho, desligado, no sofá, o baixo displicentemente deixado lá sei lá por quem.

Atração imediata. Peguei o baixo, ele cheio das marcas da vida, com um jeito de já ter sido muito tocado por anos a fio. Mas perfeito, macio que só. Com o bicho desligado comecei a acompanhar a bateria que estava tocando, só com a voz guia.

O Savalla chegou com um plug, pediu para espetar e disse para eu prosseguir tocando, enquanto ele ajustava a bateria. Ele foi combinando o som do baixo com o da bateria e ficou bem bom.

Fui tocando tranquilo, sem esforço, até que ele põe o dedo, pausa a mesa de gravação e diz:

— Tá pronto.

— Como assim tá pronto? Estava gravando? Eu nem me preocupei em tocar certinho…

— Por isso mesmo, ficou ótimo, bem relaxado, natural, de um jeito que combina com a música.

— Sério? Então tá.

. . .

A música era “Tudo o que você queria saber sobre si mesmo e tinha medo de perguntar”, do Alvin L.

Nunca mais vi aquele baixo na vida, mas com certeza ele já deve ter sido usado para gravar outras centenas de músicas e segue sua existência gloriosa, fazendo o bem sem olhar a quem.

Eu já tive dois baixos tipo Jazz Bass, os dois da Giannini. Um deles foi esse preto e branco da foto. Os dois eram ótimos instrumentos e dava para tirar muito bom som deles.

Já não estão mais comigo e espero que sigam o caminho do primo americano. Outrolado_

. . .

Atualização: não aguentei e peguei o baixo Botafogo de volta. Está uma delícia, bem ajustado e já tem mais de dez anos de vida – as madeiras não estão mais tão jovens e agora bem estabilizadas.

. . .

 

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Vicente Tardin é editor, jornalista, gestor de conteúdo e consultor para projetos online. Foi o criador dos sites WebWorld (1997) e Webinsider (2000).

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