A edição em Blu-Ray UHD (4K) do filme Jumanji, de 1995, masterizado a partir do negativo original de câmera, exibe grãos em profusão mas excelente qualidade de imagem. Destaque para a remixagem da trilha sonora antiga para Dolby Atmos, com reprodução exemplar.

Jumanji, de 1995, em Blu-Ray 4K

A edição em Blu-Ray UHD (4K) do filme Jumanji, de 1995, masterizado a partir do negativo original de câmera, exibe grãos em profusão mas excelente qualidade de imagem. Destaque para a remixagem da trilha sonora antiga para Dolby Atmos, com reprodução exemplar.

 

Quando o Brasil se preparava para entrar na era DVD eu recebi de cortesia da Gradiente, cujo reprodutor estava em vias de ser lançado no mercado, uma cópia do DVD R1 com o filme “Jumanji”. O diretor era Joe Johnston, que tivera participação destacada nos três primeiros filmes da série Star Wars (episódios IV, V, VI) como técnico na área de efeitos especiais.

O DVD tinha boa imagem, guardadas as devidas proporções, e a resolução era suficiente para notar os efeitos ainda muito crus de animação por CGI. Tanto assim que quando eu comecei a montar o meu sistema com o uso de conexão de imagem por vídeo componente, este era o disco de referência.

A autoração, entretanto, foi feita com baixo nível de recursos técnicos, por exemplo, sem legenda alguma.

Com o advento Blu-Ray, a comparação foi inevitável, mas mesmo assim a qualidade de imagem ainda pecou com limitações evidentes. E o mesmo se poderia falar do áudio, que melhorou, mas não a nível surpreendente.

Pois bem: a versão UHD levantou expectativas do meu lado, mas até recentemente eu havia me recusado a atualizar. Quando o fiz, notei de cara algumas coisas que me surpreenderam.

A começar pela imagem. O negativo original de câmera foi re-transcrito com resolução a 4K, e com intermediário digital (DI) na mesma resolução. Isso foi, em última análise, a principal razão pela qual resolvi fazer um upgrade.

Só que bastou o filme começar e o logo da Tri-Star com aquele cavalo alado aparecer que uma quantidade absurda de grão fotográfico invadiu a tela. Inicialmente eu pensei que estava com um disco com defeito em mãos, mas não era o caso. Lendo depois o review no site Blu-Ray.com o analista afirma que a intrusão de grãos era resultado da retenção fotográfica do negativo, e admite que tal retenção possa desagradar a muitos usuários. Foi o meu caso.

Na versão em Blu-Ray convencional, feita a partir da nova remasterização, a granulação está lá, mas não é tão perceptível:

 

 

Na minha percepção, esta alegada “retenção” de grãos do negativo é um indicativo do estado de conservação do negativo original de câmera, que pode muito bem ter sido vítima de descoramento, ainda que parcial, de uma das cores.

Não obstante, o resto da imagem em 4K é vastissimamente superior ao que foi apresentado em versões de vídeo anteriores. E mais ainda, que a introdução de HDR 10 na imagem aumenta a acuidade visual que impressiona a quem assiste, e a reprodução das cores atinge um nível de clareza sem precedentes. Nada disso é artificial — o mapeamento de cores é mais avançado nos padrões da imagem 4K, o que a nova transcrição fez foi se aproveitar disso.

Como se trata de um filme feito originalmente com recursos visuais ainda muito limitados, a versão em 4K melhora um pouco a observação desses efeitos, mas nunca ao ponto de trair a sua origem primitiva.

Um aspecto altamente positivo da nova transcrição é nitidez da imagem, parece até que nos estamos assistindo o filme através das lentes das câmeras!

O diferencial ficou por conta da trilha em Dolby Atmos

A gente se esforça, gasta uma pequena fortuna para montar um sistema de som com Dolby Atmos, e depois fica na expectativa de ouvir algo que prove que o esforço não foi em vão.

A trilha original de Jumanji vem da era Dolby Spectral Recording/Dolby Digital, onde o som era tratado com mais carinho. E assim foi que, desde o DVD em diante, era o que se podia observar em casa.

Mas a trilha em Dolby Atmos exibe uma completa remixagem dos elementos de áudio, com a re-localização de efeitos sonoplásticos, que no filme existem em abundância, resultando em uma atmosfera de alta qualidade, envolvendo e imergindo o espectador.

Os diálogos, muito bem transcritos anteriormente, foram aperfeiçoados com a introdução de falas nos canais surround back, dando ideia de espaço a quem assiste!

Trata-se aqui de um dos melhores discos com trilha Dolby Atmos que eu ouvi até hoje, e isso, a meu juízo, por si só justifica a atualização em vídeo deste filme.

Sobre Jumanji

O filme tem uma participação com distinção dos atores Robin Williams e Bonnie Hunt, esta em um dos seus melhores papéis em cinema.

 

 

O tratamento da estória está nitidamente focado na preservação de valores de família e nos conflitos entre pais e filhos. O roteiro faz colocações inteligentes sobre principalmente o sentimento de perda.

A perda de um ente próximo é muito traumatizante e um dos principais desencadeadores das doenças derivadas do estresse. Nem todo mundo consegue superar a perda, e isto fica óbvio quando os personagens Judy e Peter relembram a morte dos pais, e no processo de adaptação escapista ela se torna uma mentirosa compulsiva, enquanto que o menino se torna inseguro e incerto sobre o seu futuro.

A estória é rica em aventura, ficção e imaginação. A meu ver, não deveria ser reprisada, mas parece que Hollywood não se emenda, porque a versão nova é vazia e sem conteúdo algum, ou seja, tiraram o contexto da situação anterior e não introduziram nenhum outro, tornando o filme uma banalidade de super heróis na selva.

 

<strong>Outrolado é conteúdo e comunicação_</strong>

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Consultoria em conteúdo

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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