Estratégia de rentabilidade com uma carteira conservadora

Carteira conservadora

Conheça uma estratégia simples de rentabilidade baseada em uma compra de ações e em uma expectativa de retorno sobre proventos.

 

Aqui irei compartilhar uma estratégia simples de rentabilidade sobre o Ibovespa que supera substancialmente o principal referencial do mercado financeiro — o CDI — cuja rentabilidade em 2018 alcançou 6,42%.

Refiro-me a “estratégia simples” porque a sua montagem é baseada simplesmente numa compra de ações e numa expectativa de retorno sobre proventos (dividendos e juros sobre capital próprio).

A estratégia, assim, baseia-se na compra de 1.000 ações da Telefônica Brasil (vivt4).

Aqui para um entendimento maior é preciso sinalizar que dividend yield consiste na relação entre os dividendos distribuídos pela empresa e o preço da ação no mercado.

A Telefônica Brasil entregou, com bases nas posições acionárias de 12 de abril de 2018 (data de pagamento em 11 de dezembro do mesmo ano), 29 de junho de 2018 (data de pagamento em 20 de agosto de 2019), 17 de setembro de 2018 (data de pagamento em 20 de agosto de 2019) e 17 de dezembro de 2018 (data de pagamento em 17 de dezembro de 2019), um total de 3,7 reais por ação (preferenciais).

Se levarmos em consideração a cotação de fechamento da vivt4 em 4 de janeiro de 2018 (49,4 reais), obteremos um dividend yield de 7,48%.

Cálculo = 3,70 / 49,4 x 100.

Se um determinado investidor possuía 1.000 ações da vivt4 no primeiro pregão do ano de 2018, ele recebeu em conta 1.340 reais. Lembremos que a posição acionária de 12 de abril de 2018 foi a única cuja data de pagamento ocorreu no mesmo ano. Os outros 2.360 (3.700 – 1.340) serão pagos ao longo de 2019.

Assim, teremos um retorno sobre a carteira de investimentos de 2,73% em 2018.

Em 2019, já teremos um retorno de 4,78% sobre a carteira de investimentos.

Se não pensarmos no pagamento propriamente dito, mas no direito sobre os proventos é possível afirmar que quem manteve 1.000 ações da vivt4 em carteira ao longo do ano de 2018 alcançou uma rentabilidade sobre a carteira de investimentos de 7,51%.

Existem algumas ponderações a serem feitas.

1) Como as datas de pagamento — a maioria — não coincidem com as datas (ex-dividendos), é preciso que o investidor compreenda que haverá, digamos, um “ano de carência” até que ele comece a receber a totalidade dos dividendos assegurados em posições acionárias do ano anterior.

Assim, a partir do segundo ano, ele terá a totalidade do pagamento dos dividendos do ano anterior assegurados. Estou dando o exemplo da Telefônica cuja política vem sendo essa. O investidor terá, dessa forma, 7,51% de rentabilidade sobre a carteira apenas com o recebimento de proventos.

2) Dividendos são isentos de imposto de renda. Juros sobre capital próprio são taxados em 15%.

Diferentemente dos fundos de investimentos em renda fixa, não há taxa de administração, embora seja importante salientar que as corretoras cobram taxas de custódia mensais. Em fundos de renda fixa, é preciso manter os recursos por período superior a 720 dias para receber a menor alíquota de imposto de renda. Os juros sobre capital têm a incidência fixa de 15% de imposto de renda.

3) Embora a ênfase da estratégia não seja o ganho de capital sobre as ações, vale salientar que a valorização do preço do ativo poderá também proporcionar um retorno substancial da carteira de investimentos.

Além do retorno sobre o preço do ativo, o investidor também pode obter retornos periódicos mediante o lançamento coberto de opções — operação na qual o investidor recebe um determinado prêmio oferecido pelo mercado em troca da obrigação de vender as suas ações caso os compradores das opções assim desejem.

Apesar da baixa liquidez das opções da Telefônica Brasil, é possível sim fazer uma série de lançamentos cobertos de opções ao longo de 12 meses.

Entretanto, é importante salientar que ao fazer lançamento coberto de opções existe o risco do investidor “ser exercido,” ou seja, de ter que vender as suas ações ao comprador das opções pelo preço de exercício pré-estabelecido.

Sem ações na carteira, não há o aproveitamento das datas ex-dividendos. Outrolado_

 

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Artur Salles Lisboa de Oliveira é investidor da Bolsa de Valores há 12 anos. Autor das short stories “Palavras de Sobrevivência,” “Pequeno Mundo” e Batalhas pela Sobrevivência.” Leia mais em www.artursalles.wordpress.com.

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