AMD Threadripper CPU de terceira geração chega ao mercado

Lançamento de modelos top da linha Ryzen e Threadripper da AMD visam o mercado profissional, com grande aumento de desempenho frente aos diversos tipos de carga de trabalho.

 

No passado de todos nós que montamos computador em casa o que se procurava era sempre tentar montar o melhor sistema possível, mas nem sempre isso era factível, por causa do alto custo dos componentes.

E durante anos a Intel reinou suprema, e eu ainda tenho dois amigos com sistema Intel por conta disso.

Durante um longo período de tempo, a AMD não conseguia nem chegar perto do mercado criado pela Intel, que, diga-se de passagem, não ganhou esta fama à toa.

Esta situação começou a mudar lentamente: a AMD começou a oferecer processadores mais interessantes e com preços abordáveis para os topos de linha.

A partida da corrida começou com os processadores Phenom, os pioneiros em arquitetura de núcleos (“quad core”). Os Phenom mostraram também o caminho para os sistemas em 64 bits, cuja trajetória levou tempo, principalmente por falta de drivers para componentes.

Na etapa seguinte, a AMD lançou os processadores da linha FX, e iniciou com eles uma competição aberta com a Intel. Uma das principais características dessa linha foi desbloquear o batimento (“clock”), abrindo caminho do overclock para o usuário entusiasta. Mas, no final os últimos processadores desta linha, que poderiam empurrar o clock para cima, acabaram por se tornar um desperdício de desempenho, com TDP alto e sem superar a CPU FX-8350, que eu usei por vários anos. A própria AMD me recomendou não troca-la pelos últimos modelos FX.

E finalmente, a competição com a Intel tomou outros ares com as CPUs Ryzen, que atingem agora em novembro a última geração, no modelo 9 3950X, que promete balançar o mercado mais uma vez.

E também em novembro, a AMD lança também a terceira geração da sua linha Threadripper, com o modelo high end 3970X. Este último chegará ao nível de excelência, com o desempenho dedicado ao mercado profissional.

Velocidades e núcleos

A Ryzen 9 3950X chega com 16 núcleos de 32 linhas de processamento, uma brutalidade prometida de desempenho. Ela promete retro compatibilidade com as placas mãe existentes, porém indicada para as placas com barramento PCIe versão 4.0 x16. Embora o TDP seja de 105 W, a AMD recomenda o uso de dissipador líquido, o que eu pessoalmente acho justo!

 

 

A Ryzen 9 3950X é prevista para o mesmo soquete AM4, usado para todas as Ryzen anteriores.

A Threadripper 3970X obrigará a presença de um soquete novo, segundo a AMD mais adequado para a sua funcionalidade. São prometidos suporte para até 2 TB de RAM, de acordo com as limitações dos fabricantes das respectivas placas mãe.

 

 

O Threadripper 3970X comporta 32 núcleos, com inacreditáveis 64 linhas de processamento. Apesar disso, o batimento básico é de apenas 3.7 GHz, se necessário chegando a 4.5 GHz de reforço, facilitando assim o processo de resfriamento.

Desta vez a AMD parou de fazer apelo ao público de jogos de computador para se dirigir aos desenvolvedores de aplicativos e para os profissionais da área de renderização, ou seja, Hollywood.

Explica-se: a carga de trabalho neste segmento de mercado é muito alta. A indústria recorre aos servidores na nuvem para não ficar parada esperando o resultado do processamento. Com as novas Threadripper toda esta carga de trabalho é enfrentada localmente. Segundo a AMD, várias plataformas foram colocadas em ação em um estúdio ocupado com renderização de imagens, e o resultado teria suplantado todas as expectativas, trocando horas de carga por minutos!

A diminuição das horas das cargas de trabalho representa não só economia de tempo, mas a diminuição do custo operacional e financeiro.

É preciso tudo isso, ao nível de outros tipos de usuários?

Existia uma anedota, frequentemente mencionada nos desenhos animados americanos, que mostrava um personagem dirigindo em alta velocidade, em uma época em que, por causa da segunda guerra mundial, o combustível era racionado. Na anedota, aparecia um cartaz perguntando “Is this trip really necessary?”, parodiando o cartão de racionamento, que pedia as pessoas para não gastarem combustível à toa.

O meu irmão, que trabalhou na área de informática por décadas a fio, quando alguém lhe perguntava sobre que computador deveria comprar (ou montar) ele respondia sempre “Depende, você quer usar para quê?”, e nem sempre recebia de volta uma resposta adequada.

Ele tinha razão naquela época e teria razão até hoje. A maioria dos usuários que eu conheci, até mesmo no meio acadêmico, se limitava ao uso de um processador de textos, uma planilha ou outra, e de vez em quando uma montagem em PowerPoint para alguma apresentação em aulas ou seminários.

Para este tipo de aplicação, usar um super processador, com um vasto banco de memória, etc., não irá fazer a mínima diferença.

Para a turma dos jogos, eu me arrisco a dizer que também não. Eu vejo testes de desempenho no YouTube com relação aos jogos, levando em conta somente as CPUs, quando na prática, as arquiteturas modernas se referem ao trabalho gráfico das GPUs. Portanto, com base neste raciocínio, é com as placas gráficas que este povo deveria se preocupar.

Em princípio, a relação custo/benefício não favorece a montagem de um sistema com processadores Threadripper, se aplicada ao usuário cuja carga de trabalho não é tão demandante, e mesmo as Ryzen de terceira geração, que já estão tão próximas deste patamar, também poderiam se tornar um desperdício financeiro inútil.

Atualmente, um dos maiores benefícios da computação de alta performance (HPC) é a facilitação de desempenho nos barramentos, ajudando a performance gráfica e da memória RAM.

Eu “ainda” estou na segunda geração Ryzen, e não consigo ver os limites de velocidade em qualquer aplicativo em uso. Poderia, até pela tradição dos upgrades, passar para uma plataforma mais atual, gastando bem mais, só pela curiosidade natural de comparar desempenhos do sistema. Mas a pergunta da anedota dos cartoons, se esta viagem é necessária, continua valendo!

Proximamente, a Microsoft estará oferecendo uma segunda mega atualização do Windows 10, que promete fazer melhor uso das CPUs Ryzen de qualquer geração. É esperada, segundo o porta-voz da AMD, uma melhoria de aproveitamento deste tipo de CPU. Se isto acontecer, é provável que as máquinas atuais fiquem ainda mais distantes de uma modificação de hardware!  Outrolado_

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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