Análise do Apple TV+, interface e programação

O Apple TV+ hoje tem uma interface com o usuário capenga e limitação notória de conteúdo. Por outro lado, oferece Dolby Atmos e Dolby Vision, para quem tem equipamento para aproveitá-los. O serviço inclui pagamento de parte do conteúdo, o que para mim foi uma surpresa não anunciada.

 

Talvez seja ainda muito cedo para se tirar conclusões a respeito do serviço de streaming do Apple TV+. Eu havia feito uma apresentação do serviço logo após ele ter sido lançado e por mim imediatamente assinado.

Eu confesso ao leitor que me acompanha que eu normalmente não tenho tempo em me deter em alguma coisa, a não ser em caso de necessidade. Mas, por mais que apressados possam parecer os comentários a seguir, eles dão uma pista do que eu estou percebendo à primeira vista. Isto porque com o aumento da oferta de streaming as comparações são virtualmente inevitáveis e o grau de exigência com os novos serviços aumenta em consequência daquilo que é observado há algum tempo nos anteriores!

Antes de mais nada, eu queria mencionar que o que parecia uma falha aparente no sistema do Apple TV+, a ausência de legendas em português em alguns programas, na realidade foi o resultado de um reset do meu aparelho quando o último firmware foi atualizado. Uma vez entrando em Configurações e escolhendo português como língua de legendas o problema desapareceu, e eu peço desculpas por ter errado dando a informação incorreta. Claro que nada impede o usuário de trocar de legenda manualmente.

As mudanças na interface

Normalmente, os serviços de streaming oferecem na tela inicial uma lista de ícones e/ou trailers, com separação por gênero, facilitando assim a escolha do programa a ser reproduzido.

No Apple TV+ até agora as telas não estão agrupadas por gênero, e assim a gente é obrigado a ficar varrendo todas elas até achar algo de interesse. O anúncio de cada série ou filme aparece em tela cheia, como mostra a figura abaixo:

 

 

Não teria sido muito mais prático criar um ícone de acesso pelo Apple TV, e uma vez clicando nele ser saudado com uma lista de programas por grupo?

Eu fiquei surpreso, quando ao entrar em algumas das atrações ofertadas, de ver a exigência de compra ou aluguel para se poder assistir.

Bem, eu estou no grupo que não atende a este tipo de expectativa, por vários motivos: primeiro, porque ao assinar um serviço deste tipo, a premissa é ter acesso pleno ao conteúdo. Segundo, porque sendo colecionador de filmes, e com uma discoteca ampla, o meu interesse por aluguel de filmes é zero! Para comprar, eu teria que acessar o serviço para assistir, enquanto que comprando a mídia eu assisto na hora que quiser e não dependo de ninguém para tal.

Eu não me recordo se em algum momento o anúncio de aluguel ou venda foi colocado em evidência quando eu assinei este serviço. A meu ver a Apple deveria ter tornado esta oferta explícita. Talvez se o fizesse é bem provável que eu não tivesse assinado, pouco importa o preço cobrado.

Comparação com outros serviços do mesmo quilate

Por enquanto, o Apple TV+ ganha dos concorrentes ao oferecer um maior número de telas com recursos técnicos top de linha, como 4K (UHD), Dolby Vision e Dolby Atmos, recursos esses oferecidos pelo Netflix, mas somente se a assinatura for a mais cara, aquela com um rótulo de Premium, atualmente no valor de R$ 45,90, e com direito a apenas 4 telas.

Para o leitor que ainda não sabe, por “tela” se entende que o serviço pode ser acessado simultaneamente em “n” dispositivos ao mesmo tempo. Se este número de telas for ultrapassado o serviço é temporariamente bloqueado. Pessoalmente, eu acho isso uma babaquice, mas as regras do jogo são essas, quem não concorda a opção é não assinar.

O Amazon Prime não oferece Dolby Vision ou Atmos, mas fora isso o serviço é de primeira, e não impõe restrições como o Netflix. O áudio fornecido via Apple TV é PCM multicanal. Se o usuário tem um receiver com Dolby Atmos poderá configurar o som com a combinação do Dolby Surround, isto é 5.1 PCM + Dolby Surround, com excelentes resultados. A Amazon suporta HDR10, por fazer parte do consórcio HDR10+ Alliance, e isto explica a ausência de Dolby Vision no Amazon Prime.

Para quem faz compras na empresa, o site brasileiro oferece o serviço Prime de ofertas e frete grátis e o Prime Music, concorrente do Spotify, sem nenhum custo extra.

Recentemente, o serviço Disney+ foi lançado fora do Brasil e só virá para cá em novembro de 2020. Enquanto isso, uma parte do seu catálogo é conseguida via Amazon Prime Video, sem nenhum custo adicional.

A tabela a seguir faz um resumo dessas diferenças:

 

Serviço Recursos Número de telas** Preço atual***
Apple TV+ 4K, Dolby Vision, Dolby Atmos 7 9,90
Netflix 4K, Dolby Vision, Dolby Atmos 4 45,90
Amazon Prime Video 4K, PCM 5.1, HDR10 2, 3**** 9,90

** uso simultâneo

*** o preço praticado no Brasil por enquanto é inferior ao norte-americano

**** mesmo conteúdo – 2 telas; conteúdo diferente – 3 telas

 

Na minha visão, o Apple TV+ oferece a melhor relação custo/benefício em termos de tecnologia, mas pisa na bola feio oferecendo parte do conteúdo obrigando o usuário a pagar por fora, seja para alugar ou comprar.

Para quem não tem interesse em Dolby Vision ou Atmos o serviço da Amazon cobre tudo o que se quer, talvez nem tanto em quantidade de conteúdo, mas com um preço muito mais atraente, sem falar que ainda oferece outros serviços por fora, sem custo adicional.

No ano que vem é provável que apareçam outros recursos, e a concorrência poderá ser saudável. No início, a carga financeira da cobrança de 4 telas do Netflix não era tão problemática quanto a atual, porque os preços aumentam sem o provedor explicar ao usuário por quê.

Eu não acredito que todos esses serviços de streaming irão derrubar os provedores de TV por assinatura, mas eu posso estar enganado. A TV do ar (broadcasting) está aí, condenada por alguns ao ostracismo, balança mas não cai, apesar do desligamento do sinal analógico.

O futuro do streaming eu acho por enquanto uma incógnita, e talvez fosse preciso ser feito um estudo de mercado com um desses futurólogos para se conseguir achar alguma pista onde isso vai parar.  Outrolado_

 

. . . .

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “Análise do Apple TV+, interface e programação

  1. Olá Paulo. Só falta um detalhe para essas caixinhas das mais variadas marcas e modelos decolarem e sepultarem de vez as empresas de TV a cabo ou satélite. A permissão por parte da Anatel, para poderem exibir a programação dos canais de TV ao vivo, tanto da TV aberta digital, quanto das Tv’s por assinatura.

    • Oi, Rogerio,

      Uma dessas caixas está em teste na casa de um amigo, mas eu já o alertei sobre as ações policiais contra a liberação da transmissão de TV, particularmente dos canais que o usuário é obrigado a pagar por fora da assinatura.

      A meu ver, duas coisas estão erradas nisso aí: primeiro, que os equipamentos, ao que tudo indica, não tem garantia de funcionar com o IPTV permanentemente, e segundo, que as operadores explorarm coisas como o futebol, para faturar ainda mais, em pacotes já exorbitantemente caros e cheios de canais que ninguém assiste.

      Veja, Rogério, que nós estamos ficando para trás em todos os sentiddos, e eu só queria entender onde está a culpa disso tudo. Veja a banda larga, por exemplo: lá fora a velocidade já passou dos 300 Mbps, chegando quase à casa de 1 Tbps. Enquanto que aqui os planos acima de 240 Mbps são caros o suficiente para que o usuário que vive de orçamento apertado. Eu pago 149,99 no Net Virtua, e assim mesmo com um combo. Se passasse para 500 MBs teria que pagar 449,00, ou seja, com a qualidade suja desse sinal constantemente constatada como problemas na rede, simplesmente não compensa.

      Eu ainda sou torpedeado pelo celular com mensagens da Tim, me oferecendo 300 Mbps por fibra, a 99,00 reais. Parece ótimo, mas por quanto tempo? O preço real no site é 240,00. Eu prefiro não arriscar.

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