A trilogia de Jurassic Park em 4K, HDR, DTS:X

Jurassic Park, de 1993, que inaugurou o formato DTS 5.1 para os cinemas, ganha roupa nova com transcrição 4K, HDR10 e som 3D DTS:X, para apreciação dos fãs, junto com a trilogia original e o primeiro filme depois dela.

 

Eu, minha família e vizinhos fomos juntos assistir Jurassic Park no cinema Monico, em Cardiff, infelizmente demolido em 2003. O novo som em formato DTS, recém-instalado no cinema, teve direito a um trailer de apresentação. Jurassic Park foi o primeiro filme com a trilha gravada com DTS, fornecida aos cinemas em um CD-ROM. No dia em que nós estivemos lá o cinema estava lotado.

Parece que a morte dos bons cinemas de rua afetou todo mundo. Recentemente, eu tive notícia que o Monico, aberto em 1937, não havia conseguido resistir aos cinemas do tipo Multiplex, além de ser mais longe do centro. E mesmo no centro de Cardiff, o cinema Odeon, com várias salas, também fechou as portas! Muito triste.

Eu tive Jurassic Park em Laserdisc, com som PCM estéreo, Dolby Surround, que impressionou a mim e eventuais visitas, com a qualidade espetacular, particularmente no grito do T. Rex.

De fato, a trilha deste filme é uma das melhores que eu já ouvi até hoje. E a qualidade se manteve no formato de DVD e principalmente no de Blu-Ray. Já no quesito imagem, não se pode falar no mesmo. No Blu-Ray o filme mostra uma ausência de nitidez em várias cenas. O problema prometeu ser corrigido na nova edição em 4K.

O lançamento em Digibook (um livro com discos dentro) inclui toda a Trilogia e mais Jurassic World. As trilhas foram remixadas em DTS:X, como era de se esperar. E a imagem tratada com HDR10. A minha cópia deve chegar em janeiro próximo, e eu prometo comentá-la. O Digibook foi montado em comemoração aos 25 anos de lançamento do primeiro filme. Áudio e legendas em português foram mantidos.

Depois de tantos anos, como a gente poderia assistir o filme

Em 2016 a trilha sonora de Jurassic Park foi apresentada no Royal Albert Hall, junto com a projeção do filme. Alguém gravou um trecho (deve ter sido na moita…) e a gente pode então ter uma ideia como foi o evento:

 

 

O concerto foi repetido em 2018, em referência ao 25º aniversário do filme:

 

 

A pujança da trilha sonora composta por John Williams, uma vez executada ao vivo com orquestra sinfônica, é de fato emocionante, como mostram essas imagens capturadas:

 

 

Embora Jurassic Park tenha falhas bisonhas no desenvolvimento da estória (por exemplo, a mocinha expert em computadores e sistemas não foi capaz de saber desligar uma lanterna, embora ela mesma a tenha acendido), o filme ainda é o único entre todos capaz de fazer sentido. O discurso contra a manipulação genética, escrito pelo biólogo Michael Crichton, traduz a indignação de parte da comunidade científica que não concorda com este tipo de pesquisa, praticamente classificada como “estupro da natureza”. O discurso é eloquente nas falas do personagem Malcolm.

Filosofias à parte, Jurassic Park faz sentido, mas os filmes seguintes se esqueceram das premissas do filme inicial e se tornaram filmes meramente de aventura e ação, típico das franquias Hollywoodianas. O segundo filme é apenas passável, na minha opinião, e o terceiro, muito fraco. Na renovação da franquia, segue-se o roteiro de encher o projeto de efeitos especiais gerados por computador e esquecer que cinema é feito principalmente de uma boa trama.

De qualquer forma, eu creio que, para quem já teve a ousadia de investir em um front-end Blu-Ray 4K, vale a pena a atualização, mas eu só posso dizer isso concretamente depois que o Digibook estiver ao meu alcance! Outrolado_

. . .

 

Godzilla 1998 em 4K, HDR e Dolby Atmos ficou sensacional

Drácula de 1979 volta à vida

Irmãos Lumière, os inventores do cinema

 

O formato HDR ainda sem definição de padrão

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

4 comentários sobre “A trilogia de Jurassic Park em 4K, HDR, DTS:X

  1. Muito relevante esta referência sobre o clássico Jurassic Park, um dos últimos bons filmes de Spielberg. Eu ainda estou relutando em atualizar meu player, pois os lançamentos em Blu-Ray comum, a cada ano que passa somem das lojas virtuais, e ficar importando, você acaba desanimado pelo longo prazo de espera na entrega. Mas vamos pelo menos tendo contato com esses review’s que você consegue nos passar. Um abração.

    • Oi, Rogério,

      Exatamente, este desaparecimento de discos Blu-Ray das lojas é um verdadeiro desastre, e eu só importo discos por falta absoluta de opções. Por aqui, fecharam as lojas da Saraiva e da Cultura. Eu gostava de ir na Saraiva do shopping do bairro, e depois disso perdi muito da motivação de entrar lá dentro!

  2. Olá Paulo Roberto,

    Tenho visto tvs 8K em algumas lojas de grandes centros no Brasil. Muito caras, obviamente, como são sempre as novidades. Entretanto me pergunto se há vantagens no formato, a menos que sejam maiores que 70 polegadas. Ainda assim, acho um exagero, de resolução, tamanho de arquivo, banda de transmissão, etc. O 4K parece dar conta do recado e isso me lembra aquela dúvida entre a resolução dos CDs e mais tarde do Super Audio CD. Gostaria de saber: O que acha disso?

    • Oi, Felipe,

      A sua observação está correta. Por acaso, eu assisti um vídeo no YouTube com um pessoal inglês fazendo um teste cego de duas TVs, uma delas uma LG OLED 4K e a outra uma Samsung 8K. Os dois observadores tiveram dificuldades em saber qual delas era a de 8K, e no final os dois preferiram a imagem da LG.

      Os parâmetros de observação de uma imagem em vídeo são bastante distintos daqueles habitualmente usados para o áudio, mas as controvérsias permanecem as mesmas.

      Até o momento, no que me concerne, eu não faria esforço para investir em uma TV 8K, pelos seguintes motivos:

      Não consigo ver diferença entre 4K e 8K, e me arrisco a dizer que muita gente não vai conseguir ver mesmo, principalmente em uma TV que não passa das 65 polegadas.

      Segundo, o conteúdo é escasso, vide YouTube.

      O cinema ainda caminha com intermediários digitais de 2K ou 3.5K mais ou menos. Se amanhã surgir mídia em 8K certamente seria por upscale da imagem nativa. E, diga-se de passagem, upscale é o que não falta, vide Blu-Ray 4K, Net HD 4K, etc.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *