Decodificador 4k da Net Claro com Netflix

Atualizei a minha assinatura da Net (Net-Claro) para um sistema em 4K, e os resultados, alguns esperados, são comentados neste texto, para quem ainda não passou por esta experiência.

 

Deve ter sido por volta de junho de 2018 que a Net (hoje Net-Claro) decidiu lançar o decodificador para imagens 4K (UHD). Depois disso, apareceu um histórico de problemas divulgados na Internet, e eu observo hoje que houve equívocos em ambos os lados, dos técnicos e dos consumidores finais, dos novos pacotes.

Até bem recentemente eu era um mero espectador do desenrolar dos acontecimentos, em grande parte pela escassa oferta de programas em 4K, coisa que, aliás, ainda perdura, mas parece que tende a desaparecer.

Uns dois meses atrás, mais ou menos, eu notei a imagem HDTV fornecida no plano que eu uso há anos começando a ficar desbotada. Depois de alguns testes eu fui forçado a concluir que se tratava do sinal de distribuição da Net, ainda razoável em alguns canais e péssimo em outros (HBO para cima, por exemplo).

Achei que seria a hora de fazer algo a respeito. E o que eu fiz foi consultar a Net sobre os pacotes 4K, mas depois de uma demorada pesquisa pela Internet, para tomar conhecimento de especificações, principalmente. Resolvi então solicitar a instalação, não sem antes notar que a cada pedido de informações sobre a mudança de pacotes, os preços acima da minha fatura atual variavam tremendamente, um circo de horrores para quem vive de orçamento!

A instalação

Vieram dois técnicos da empresa por eles terceirizada, no dia e horário combinados. O sistema de acompanhamento desta visita é errático: em um dado momento, o aplicativo me informava que o técnico já havia iniciado o serviço, mas não tinha ninguém aqui!

Logo que os técnicos começaram, eu os deixei em paz e não tive coragem de pedir para examinar o receptor de perto, deixando assim de anotar o modelo do aparelho, cuja etiqueta fica na parte de baixo. Bem, pouco importa.

Assim que a ligação foi completada, a primeira coisa que os técnicos fizeram foi atualizar o firmware, e neste momento um deles me pediu paciência. Não precisava, porque eu já fiz este procedimento dezenas de vezes, mas seria inútil explicar isso ao técnico, então eu me limitei a dizer que já sabia que era demorado. E foi!

A nova versão é 4.19.26N, que pode mudar a qualquer momento. Com a atualização do firmware o aparelho começou a “enxergar” a rede de forma correta, embora vários outros costumeiros parâmetros tenham sido ajustados durante este processo. Algum erro aqui ou ali, e isso tudo é corrigido, ao nível do aparelho.

Os erros de rede, se porventura existentes, são comunicados imediatamente. Assim mesmo, alguns são incontroláveis, e um deles foi o da obstrução do Now em serviços pelos quais eu havia pago. Eu só percebi o problema depois os técnicos saíram. Ao ligar para o suporte me avisaram que a rede estava com problemas, com a previsão de conserto até às 11 horas da noite. De fato, no dia seguinte estava tudo em ordem.

Alguns ajustes ao nível do usuário eu pedi para os técnicos fazerem, mas depois me dei conta de que não havia necessidade. Um ajuste errado historicamente feito pelos técnicos é o do formato de tela, que deve ser “Pillar Bar” em vez de “esticado”, como eles deixam. Quando eu comentei isso, um deles queria saber por que, e aí se nota que o treinamento da casa deixa a desejar: nada sobre relação de aspecto é explicado a quem trabalha nesta área, e o técnico de rua não tem culpa disso!

Como também aparentemente não são explicados a eles os vários parâmetros de imagem que dizem respeito à resolução 4K. Isto ficou evidente quando eu lhes perguntei se havia transmissão de sinal com HDR, e aí novamente um deles me perguntou o que era isso.

No meu antigo decodificador eu usava um cabo coaxial (S/PDIF) para passar o sinal digital de áudio para o receiver. Avisei isso aos técnicos e eles conectaram o cabo à saída analógica do canal direito (marcada no painel traseiro com a letra R). E como não saiu som algum no receiver, eu pedi licença a eles para olhar a configuração do painel traseiro.

O leitor poderá notar na imagem abaixo que o aparelho não é dotado de qualquer tipo de saída de áudio digital, exceto pela saída HDMI. A saída analógica de áudio faz parte da antiga conexão de vídeo composto (áudio estéreo + saída de vídeo CVBS), que neste caso não serve para nada, a não ser que o receptor seja instalado em uma TV muito antiga.

 

 

Diante desse impasse eu retirei o meu cabo coaxial do sistema e fui tratar do problema depois que os técnicos saíram.

Existem, na prática, duas soluções para resolver isso:

A primeira, que foi a que eu adotei, é quando o usuário tem um A/V receiver capaz de passar o sinal que entra direto para a saída, com o aparelho em estado de espera (“standby”). Este recurso chama-se “Pass Through”. O ajuste é feito no setup do receiver, primeiro ativando-se o recurso e depois escolhendo o(s) equipamento(s) de interesse.

Se for em uma situação deste tipo, basta escolher uma entrada HDMI (eu escolhi aquela marcada como CBL/SAT em HDMI 1), e indica-la na saída “Pass Through”.

A figura abaixo mostra o antes e o depois desta conexão:

 

 

Com a conexão “Pass Through” ativada, o usuário pode selecionar a entrada de vídeo HDMI usada (neste caso, CBL/SAT) e ver a imagem com o som do decodificador amplificada. Quando o receiver é desligado, imagem e som são reproduzidos normalmente pela TV.

A segunda solução, mais burocrática, é levar em conta que o decodificador só tem uma saída HDMI e usa-la conectada a um “splitter” (divisor) de sinal HDMI, com uma entrada e duas saídas. Este divisor costuma ser ativo (alimentado eletricamente) e o aparelho escolhido tem que obedecer às características do sinal 4K: protocolo de transmissão HDMI 2.0 (ou HDMI 2.0a, se for com HDR) e HDCP 2.2.

Esta segunda solução implica em ter que instalar mais 2 cabos HDMI, porém ela é útil quando o usuário não possui equipamento com “Pass Through”.

O sinal de áudio que sai do decodificador pode (e deve) ser ajustado pelo usuário. Neste modelo, as opções são Auto, PCM (2.0), Dolby Digital 5.1 e Dolby Digital Plus, que pode se estender até 7.1 canais. Depois de vários testes, eu deixei na opção Auto.

O uso e a observação do resultado

O decodificador 4K tem várias opções de reprodução de sinal de vídeo, partindo de 720p, e passando por 1080i, 1080p, e chegando a 2160p linhas de resolução vertical. Entretanto, nada é divulgado a respeito de especificações do sinal 4K (2160p), como bit depth (resolução em bits) ou frequência de sincronismo (24 Hz, 60 Hz, etc.).

Uma forma de testar até onde isso vai pode ser conseguido quando a TV tem uma opção para ajuste de sinal 4K a 60 Hz, 10 ou 12 bits de resolução. Na TV que eu uso (modelo da LG) o ajuste é rotulado como “HDMI Ultra HD Deep Color”. Quando ativado, o ajuste suporta sinal de até 4K @60 Hz, sem compressão (4:4:4).

Se o ajuste for feito para a saída de sinal de um decodificador compatível, imagem e som tem que ser reproduzidos normalmente na TV, caso contrário a imagem poderá ficar sem som ou não aparece, ficando a tela preta.

No antigo decodificador HDTV da Net a imagem aparecia, mas sem som. O sinal da Net-Claro 4K passou incólume por este teste.

Um dos técnicos que fez a instalação me informou de pronto que nenhum canal regular estava sendo transmitido em 4K. Entretanto, pela Internet foi divulgado que o canal 589 transmite o sinal 4K da emissora “Love Nature”.

Na realidade, o canal 589 transmite o sinal em 2K (HD) e não 4K. Entrando no streaming do Now é possível acessar programas em 4K. E aí a diferença na qualidade da imagem é significativa, se comparada com o canal 589.

 

 

De qualquer forma, com o novo decodificador 4K toda a programação convencional é reproduzida com uma qualidade superior àquela obtida com o decodificador HDTV antigo. Imagens 4K podem ser vistas por streaming, através do Now, e de fato são bem melhores que os canais regulares.

Décadas atrás eu conversei com uma técnica da Net, com a qual eu esbarrei em uma loja. Ela me disse que o sinal HDTV da Net é 720p, e na saída do decodificador ajustado para 1080i, com upscale. Ela inclusive comentou que a compressão era enorme, para se colocar tantos canais no ar.

De lá para cá muita coisa mudou. A rede da Net corre hoje em fibra ótica, só sendo convertida para coaxial na entrada do prédio ou da casa do usuário. E isso é válido para TV, Internet e telefone.

É possível que o sinal HDTV nativo tenha mudado para 1080p ao longo do tempo, mas eu nunca consegui saber se isso de fato aconteceu. Com o decodificador novo o que é possível saber é que o sinal HDTV convencional, seja ele de que resolução for, sofre upscale na saída para a definição indicada, no caso 2160p (4K). E a qualidade final da imagem é bem superior àquela do antigo decodificador.

As ofertas de 4K nativos aparecem na tela do Now, mas elas são bloqueadas se o assinante tiver um pacote de programas que não as incluem.

Quando as informações não batem

É costumeiro alguém ligar para o suporte da Net e ser orientado de forma diversa. Às vezes, a gente que desligar e ligar de novo, para ter sorte de falar com alguém que informe direito o que se quer saber com mais clareza!

Quando dias atrás eu assinei o novo sistema, a atendente me informou que o Netflix teria que ser assinado por fora, isto é, um novo contrato teria que ser feito se o acesso ao serviço fosse feito através da Net, e eu, é claro, recusei o serviço. Segundo a atendente, nem Netflix nem o serviço de gravação estariam disponíveis sem custo adicional.

Mas, quando a instalação foi feita, o canal 780 mostrou o sinal de entrada do Netflix, o qual, teoricamente, estaria indisponível. Eu disse aos técnicos que o serviço não estava incluído no meu contrato, e um deles me disse que “basta não usar, que nada será cobrado”. Bem, eu achei aquela informação um tanto ou quanto estranha e incoerente.

No dia seguinte, eu entrei em contado com o setor de compras de pacotes, e desta vez o atendente, depois de olhar o meu contrato novo, me afirma que o sinal do Netflix está lá para ser usado sem custo adicional. Idem para os serviços de gravação de programas!

Por precaução, eu pedi ao atendente que confirmasse isso, e ele me diz que serviços como o Netflix são descritos na fatura, mas não podem ser cobrados por fora, de acordo com o meu pacote. Bastaria somente ver o total do acréscimo na fatura atual, e caso esse valor não bata eu teria direito (espero…) de pedir a retificação.

A parceria Net-Claro e Netflix será útil para aqueles que não usam o serviço de banda larga para o streaming, cuja velocidade básica é de cerca de 25 Mbps, idealmente muito acima disso, para os pacotes 4K HDR.

De uma forma geral, o serviço com provimento pelo novo decodificador poderá compensar ou não, de acordo, é claro, com a necessidade e/ou orçamento do assinante. Aqui, por enquanto, compensou pelo aumento na qualidade da imagem, e mesmo sabendo que eu tenho muito mais recursos em 4K, HDR e Dolby Atmos, através de streaming de outros provedores. Outrolado_

 

. . . .

Leia também:

Análise do Apple TV+, interface e programação

Apple TV inicia o serviço de streaming Apple TV+

A minha primeira experiência em uma sala de cinema com Dolby Atmos

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

4 comentários sobre “Decodificador 4k da Net Claro com Netflix

  1. Pois é Paulo,

    Eu aqui estou me deliciando pacas com minha Panasonic 55″. 4k, baixo alguns filmes em 4k para fim de testes, e são uma blz.

    O Codec de vídeo HEVC ou H265 é super eficiente, filmes de 2hrs em termo de 25GB não tem nenhum artefato sequer graças a esse Codec.

    O aprimoramento das cores são fantásticos, o HDR nos filmes novos são muito bons, brilho onde tem que ter.

    • Oi, Lee,

      De fato, com os recursos das TVs atuais é possível se conseguir uma imagem primorosa. Neste particular, eu estou convicto de que o Blu-Ray 4K jamais poderia não ser fabricado neste país, porque a diferença de imagem contra todas as outras mídias é muito grande, com os recursos que você citou. Mas, a indústria preferiu caminhar em direção oposta, nos negou players e discos, fazer o quê?

  2. Olá Paulo muito pertinente e atual este tema. Mas se permite acho importante algumas colocações. Nas redes de Tv’s abertas oficiais instaladas no Brasil, o sistema digital ISDB-t não comporta (pelas suas características) a transmissão do sinal em 4k, e isso não mudará agora, amanhã e nem num futuro próximo, pois esse padrão adotado aqui é uma cópia do Japão, e para alterarmos essa resolução haveria a necessidade obrigatória de alterar o padrão já adotado, e infelizmente centenas de emissoras pelo Brasil (principalmente no interior), sequer migraram para o digital, pois o cronograma não está sendo cumprido. Então o sistema 4-k ficará restrito a um nicho das Tv’s a cabo, e com essa queda expressiva de assinantes ano após ano, eu não acredito que esse tipo de transmissão irá se propagar aos demais canais. Já se o 4-k vai pegar e funcionar como deveria no streaming, aí já seria assunto para outra matéria com outro comentário. Um abraço

    • Oi, Rogério,

      Foi bom você ter mencionado isso. No passado distante eu tinha contato com um pessoal envolvido na implantação do ISDB-t, e me lembro mais ou menos das dificuldades encontradas, inclusive políticas.

      De lá para cá, eu sei que a Globo andou mexendo com 4K, mas não sei que fim deu isso. Pelo pouco que eu sei, as transmissões em 4K, algumas delas realizadas em circuito fechado, não vingaram.

      Eu fiquei muito tempo na dúvida se 4K por cabo valeria a pena, porque acho tecnicamente (note que eu entendo pouco disso, mas faz sentido) o sinal comprimido por cabo seria forçar muito a barra, com risco de queda de qualidade. Por outro lado, o 4K nos serviços que eu tenho (Netflix, Amazon Prime e Apple TV+) são muito bons, mas o Blu-Ray 4K, com seu bitrate altíssimo, é visivelmente melhor. Portanto, a compressão de sinal sempre tem influência no resultado da imagem, concorda?

      Como você sabe, os serviços de streaming também forçam a barra para passar sinal 4K, e foi isso que acabou me convencendo que valia a pena trocar, mas só o fiz depois de compatibilizar a despesa com o meu orçamento. O provimento da Net é muitíssimo mais caro que os dos concorrentes, e deve ser isso que está matando a TV a cabo no país.

      A qualidade de imagem dos canais da Net é melhor em alguns deles e não muito diferente em outros, e isso é provável de estar ligado às fontes de sinal. Mas, o que é importante notar é que imagem 4K neste sistema é razoável, mas com programação pouco atraente. E aí é que a Net perde feio da concorrência. Eu recebi o Netflix via Net e ele não se compara ao streaming. Não tem Dolby Vision, por exemplo, nem Dolby Atmos, até onde eu tenha percebido.

      A propósito de codecs, a gente nota um número enorme de programas em streaming em 4K, HDR 10 e Dolby Vision. Na minha visão, o uso indiscriminado desses codecs acabam por desgasta-los como “novidade”, e o resultado é o da banalização desses recursos, talvez fazendo desabar o valor de mercado. Mas, isso é uma suposição da minha parte, é preciso esperar para ver o que vai acontecer em um futuro próximo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *