servidores de dns

Servidores gratuitos de DNS

Servidores de DNS gratuitos encontram uso prático como resolvedores de acesso aos sites quando a conexão com os provedores apresenta um problema deste tipo.

 

Quem neste país não teve problemas de acesso à Internet? Eu venho do tempo da Internet apenas com transmissão de texto, com comandos que eu fui obrigado a aprender, coisas do tipo Telnet, FTP, etc. A World Wide Web mudou tudo isso, muito embora aqueles comandos de texto continuem valendo, dependendo das circunstâncias.

Mas em tempos de banda larga, os problemas são outros. E a gente se sente forçado novamente a lidar com eles.  A chegada da banda larga foi muito confusa. No Rio de Janeiro, a operadora Oi herdou a Telemar, e com isso reinou suprema neste segmento de mercado por um longo período de tempo.

Da saída do acesso discado, por linha fixa de telefone e modem analógico, para o modem de banda larga, a Oi continuou insistindo com o acesso “dial-up” do sistema operacional do usuário. Logo, em princípio, nada mudou, exceto que neste acesso um computador “discava” para a operadora e pedia acesso. Ou seja, enviava o número de telefone e senha pela própria linha da Oi. Mas, não era um acesso direto, o usuário ainda tinha que pagar por fora uma empresa provedora da permissão daquele acesso, e aí surgiram todo tipo de picaretagem, caracterizando a conhecida venda casada.

Neste interregno, a Dlink lançou o modem modelo DSL-502G, e com ele a capacidade de “rotear” o sinal por cabo Ethernet. A Oi reagiu, dizendo que não dava apoio à rede. Uma moça engenheira da Embratel, se não me falha a memória, saiu contando em um fórum da época como rotear este aparelho. Eu e alguns amigos fomos à luta. Na época não se falava em Wi-Fi. O 502G tinha que ser obrigatoriamente ligado por cabo a um computador, mas em compensação acabou com o tal “discador” do sistema.

É fato histórico que quando a GVT entrou no mercado local, o discador e a empresa de acesso por fora foram eliminados. Eu ainda tenho anotado aqui em algum lugar os códigos de acessos, devidamente “roteados” no modem gratuito que eles davam de presente ao assinante. A GVT me livrou da ditadura da Oi, que nunca me disponibilizou planos além de 5 Mbps, apesar do alto custo daquele tal de “Oi Conta Total”. A GVT me deixou escolher a velocidade que eu quisesse, e como eu fui o primeiro da minha rua a ter uma conta lá, a instalação de modem foi assistida por um engenheiro, bons tempos que não voltam mais!

De volta para o futuro

Cliente neste momento do Net Virtua, agora Claro-Net, quisera eu que os problemas de rede passassem transparentes, mas infelizmente não é o caso. Na realidade, a assistência técnica piorou, às vezes o cliente fala com um robot, ao invés de um ser humano. E quando este atende, ele ou ela não entendem nada do assunto. Na minha última chamada, a atendente me forçou a usar uma ligação Whatsapp, quando ela própria poderia ter feito o agendamento do técnico. Depois de uma excruciante batalha com o sistema deles, o técnico finalmente veio e constatou o que eu estava reclamando: o modem, sincronizado em uma conta de 240 Mbps nominais, não estava conseguindo acessar um monte de sites. Entre eles, justamente o do Outro Lado, e foi este um dos motivos que me empurraram a solicitar um técnico.

Eu havia descoberto a fonte do problema, trocando o Firefox pelo Edge, cuja última versão é exemplar. No Edge, uma vez havendo dificuldade de acessar um site corriqueiro, é possível acionar o “troubleshooting” da rede, para diagnosticar onde está o entrave, e nesse caso, ele estava no acesso ao DNS, como mostra a figura abaixo:

 

A ausência de resposta do DNS da Net foi corrigida pelo técnico, depois que ele solicitou ao apoio de rede a atualização de alguns parâmetros, o que, segundo ele, resolve 99% dos casos deste tipo, o que, por sorte, aconteceu.

O que facilitou a solução do problema foi a maneira como eu montei a minha rede local. O modem-roteador da Claro/Net, um Arris TG1692A (trocado recentemente), é conectado a um roteador externo da minha preferência (TP-Link Archer C5400). A conexão é simples, bastando tirar o sinal da saída Ethernet do modem e liga-lo em uma entrada específica, que leva o nome de Internet.

 

Testes e potenciais soluções

Para fins de testes, o computador, normalmente ligado a uma saída de rede do roteador, pode ser conectado à uma das saídas Ethernet do modem. Assim, foi fácil testar o acesso padrão da Claro/Net e posteriormente verificar o mesmo problema, ao nível do roteador. Como o roteador é meu, esse problema só poderia ser resolvido por mim mesmo. Assim, eu agradeci, dei adeus ao técnico, e fui à luta.

Em primeiro lugar, é preciso entender como a rede WAN (Wide Area Network, a Internet) funciona. O nome dos sites, geralmente, mas nem sempre começando por “www” (acrônimo de World Wide Web), precisam ser traduzidos para os respectivos endereços IP (Internet Protocol), que é composto por um domínio, nos dois primeiros campos, e um site de hospedagem (host), nos dois campos seguintes. Um simples comando ping, com o nome do site, mostra esses campos e as respectivas respostas:

C:\Users\Paulo Roberto Elias>ping www.google.com

Pinging www.google.com [172.217.162.164] with 32 bytes of data:

Reply from 172.217.162.164: bytes=32 time=12ms TTL=115

Reply from 172.217.162.164: bytes=32 time=11ms TTL=115

Reply from 172.217.162.164: bytes=32 time=12ms TTL=115

Reply from 172.217.162.164: bytes=32 time=8ms TTL=115

 

Ping statistics for 172.217.162.164:

    Packets: Sent = 4, Received = 4, Lost = 0 (0% loss),

Approximate round trip times in milli-seconds:

    Minimum = 8ms, Maximum = 12ms, Average = 10ms

O comando ping mostra o endereço do Google, sendo 172.217 o endereço do site na rede, e 162.164 o endereço onde o servidor do Google está localizado.

Para converter o nome do site (www.google.com) para o endereço IP (172.217.162.164) o provedor usa um servidor de nomes, chamado de DNS (Domain Name Server ou, Domain Name System, se preferirem).

Os servidores de nomes (DNS) têm também seus endereços na rede, e por medida de segurança, o sistema usa um endereço primário e um secundário. Se o servidor primário não conseguir o nome do site, o servidor secundário entra em ação. Em alguns roteadores é permitido incluir um terceiro endereço de DNS, aumentando mais ainda o sucesso nesta conversão.

Normalmente, um roteador inteligente copia os dados do modem, incluindo os endereços dos servidores DNS do provedor (Claro/Net). Por motivos que desconheço, nas últimas semanas o serviço de DNS copiado passou a ficar intermitente, quando o cabo de rede estava ligado ao roteador, ou seja, os endereços DNS da Claro/Net não estavam funcionando corretamente no roteador, que serve ao meu computador e à rede sem fio local. Se este erro não fosse corrigido, o resto da casa toda ficaria sem acesso à Internet.

Há décadas, sistemas independentes fornecem acesso aos servidores de DNS gratuitos ou pagos, os quais independem dos servidores dos provedores dos assinantes.

Então, a solução a este impasse foi mandar o roteador da TP-Link ignorar os endereços dos servidores DNS anteriormente copiados, e no lugar deles inserir endereços de servidores gratuitos. Escolhi primeiro os do Google, mas outros também serviram com idêntica performance. Para o leitor que por acaso se interesse em usar servidores deste tipo, eu passo uma tabela com os endereços de alguns deles:

Nome do servidor Servidores IPV4 Servidores IPV6
Google Primário: 8.8.8.8

Secundário: 8.8.4.4

Primário: 2001:4860:4860::8888

Secundário: 2001:4860:4860::8844

Cloudfare Primário: 1.1.1.1

Secundário: 1.0.0.1

Primário: 2606:4700:4700::1111

Secundário: 2606:4700:4700::1001

Opendns Primário: 208.67.222.222

Secundário: 208.67.220.220

Primário: 2001:1608:10:25::1c04:b12f

Secundário: 2001:1608:10:25::9249:d69b

Giga DNS Primário: 189.38.95.95

Secundário: 189.38.95.96

Primário: 2804:10:10::10

Secundário: 2804:10:10::20

DNS Watch Primário: 84.200.69.80

Secundário: 84.200.70.40

Primário: 2804:10:10::10

Secundário: 2804:10:10::20

Apenas os endereços IPV4 foram de interesse, uma vez inseridos nos respectivos campos da conexão WAN (Internet) do roteador. E da lista acima, apenas os 3 primeiros foram por mim colocados em teste.

Uma forma de saber se um servidor é melhor do que o outro é rodar um teste de velocidade, o chamado teste de bancada, e para este fim existe uma ferramenta gratuita, que roda sem precisar de instalação:

 

Como se pode observar, pelo teste mostrado acima se pode determinar se para uma dada conexão, qual o servidor que dá melhores resultados, ao invés de engolir palavras de propaganda dos sites desses servidores, alguns dos quais prometem uma maior velocidade de acesso comparado aos concorrentes.

Notem que a conversão de nomes é apenas uma das várias etapas de uma determinada conexão. Quando um computador solicita baixar uma página de algum site existe um caminho, chamado de rota, que são os diversos endereços pelos quais a solicitação navega. A duração de cada endereço da rota pode ser determinada por um comando do Windows chamado “tracert” (“trace route”). Eis aqui um exemplo:

C:\Users\Paulo Roberto Elias>tracert www.google.com

 Tracing route to www.google.com [172.217.162.164]

over a maximum of 30 hops:

   1    <1 ms    <1 ms    <1 ms  192.168.1.1

  2     1 ms     1 ms     1 ms  192.168.0.1

  3    13 ms    11 ms    10 ms  10.11.0.1

  4    11 ms    15 ms     8 ms  c91108cd.rjo.static.virtua.com.br [201.17.8.205]

  5    10 ms    13 ms    11 ms  c9110520.virtua.com.br [201.17.5.32]

  6    13 ms    11 ms    12 ms  c9110046.virtua.com.br [201.17.0.70]

  7     9 ms    11 ms    10 ms  c9112292.virtua.com.br [201.17.34.146]

  8     9 ms    10 ms     8 ms  c9111fca.virtua.com.br [201.17.31.202]

  9    10 ms     9 ms     9 ms  108.170.251.81

 10    20 ms    13 ms    10 ms  209.85.255.141

 11    14 ms    10 ms     9 ms  rio01s25-in-f4.1e100.net [172.217.162.164]

 Trace complete.

O que um servidor de DNS pode fazer é achar a melhor (mais rápida) rota entre o computador que solicita a página do site e o endereço final propriamente dito.

A velocidade nominal do tráfego é determinada pelo sincronismo de sinal com a operadora! Ou seja, enquanto o servidor de DNS pode mostrar a melhor rota, será a velocidade dada pelo provedor (neste caso Claro/Net) quem terá a maior influência na velocidade geral pela qual a página de um site é baixada. E é sempre bom lembrar que cada site pode responder com maior ou menor velocidade a cada solicitação de acesso.

Mitos que podem ser derrubados

Se eu seguisse à risca os testes de bancada mostrados acima iria ajustar o meu roteador para os servidores do Opendns. Na prática, entretanto, os servidores do Google funcionaram bastante rápido e foram por mim mantidos. De qualquer forma, os testes são importantes, porque cada caso é um caso, variando de operadora e/ou região de acesso.

O usuário final precisa ter clareza quando for vítima da propaganda. Eu já vi anúncio de repetidores de sinal prometendo aumentar a velocidade da rede, e esse tipo de anúncio usa testes de velocidade conhecidos para “provar” que funcionam. Mas, repetidores trabalham exclusivamente para aumentar o espalhamento de sinal, e não têm influência no aumento da velocidade de conexão com o provedor! O máximo que eles conseguem é facilitar o acesso Wi-Fi ao roteador, aumentando a velocidade neste ponto da rede local. Em muitos casos isso resolve um acesso lento à Internet de quem está distante do roteador.

Um fator de enorme importância, quando se trata de rede Wi-Fi é a capacidade do aparelho receptor adaptador de rede. E como se trata de um componente eletrônico interno, ele dificilmente poderá ser alterado. Em notebooks, por exemplo, é possível usar um adaptador externo de melhor qualidade, usando uma porta USB disponível, e a partir daí mandar o sistema operacional usar aquele adaptador.

Em outros casos, pode-se usar um receptor-conversor Wi-Fi-Ethernet, que faz o papel de um adaptador sem fio quando o equipamento em rede não tem nenhum tipo de adaptador. Vários repetidores de sinal têm saída Ethernet e assim podem ser usados da mesma forma.

Finalmente, é preciso observar o comportamento dos serviços de streaming, quando os mesmos perdem o caminho do roteamento. Nos de vídeo, cujo buffer de memória é mais crítico, a qualidade da imagem cai de resolução na hora ou a imagem custa a rodar. Quando se chega a este ponto, é preciso rastrear onde está a queda de sinal, e depois uma solução adequada. O melhor é tentar achar uma solução doméstica, porque quando se depende da ajuda de alguém de fora a solução pode ser seguida de uma enorme dor de cabeça!

Post-scriptum:

Quando este texto foi escrito, eu havia estabelecido os endereços de DNS do Google no meu roteador, como descrito acima. Mas, com o tempo eu troquei para os endereços coerentes com o teste de velocidade obtidos pela ferramenta DNS Benchmark, também descrita acima. E estes endereços ficaram como definitivos. Os resultados não diferiram e são mostrados a seguir:

A velocidade do gateway (endereço 192.168.1.1) é referente à saída do roteador na rede local. E neste caso não há mais discrepância entre os valores de medição dos servidores do Opendns e os da rede local.

O Opendns é um servidor antigo, porém os resultados obtidos para a minha região demonstram que ele ainda é um dos melhores servidores gratuitos em existência. Outrolado_

. . .

 

A Internet móvel 5G está chegando e com ela as controvérsias de sempre

 

Ter um blog é muito melhor do que não ter

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “Servidores gratuitos de DNS

  1. Olá Paulo esse tema é bem recorrente, e motivo de reclamação de milhares de usuários de provedores de acesso de internet residencial, que estão a cada dia mais saturados e a qualidade do serviço só está decaindo, e para piorar as operadoras estão usando o sinal de wi-fi do seu modem como um routher, para compartilhar o mesmo sinal de internet para celulares nas proximidades, de quem captar o sinal da operadora de banda larga, irradiado através do seu modem. Se esse problema de divisão de banda do seu sinal estiver ocorrendo durante a pandemia (como no meu caso), o call-center que agora é realizado via home-office, não terá solução alguma; e no meu caso só resolvi meu problema de flutuação de banda, trocando de operadora aqui em SP, pois nem a Anatel conseguiu dar jeito na empresa que eu assinava. Essas dicas suas são bem valiosas pois ensinam macetes muito interessantes. Valew pela matéria.

    • Obrigado, Rogério, eu também achei que valia a pena publicar, pelos mesmos motivos. Historicamene, a Anatel nunca teve hábito de proteger o consumidor. Embora o traffic shaping esteja proibido, esta prática continua sendo feita no background, e se for feita passará transparente ao usuáriio.

      Eu também acho que não é correto criar um hotspot com o roteador do cliente. Veja que em uma época de Wi-Fi 6, a grossa maioria dos consumidores não tem a manor noção do que está se passando quando ele manda instalar um serviço de banda larga nas suas casas. É óbvio que o modem/roteador oferecido não tem atualização prevista para Wi-Fi 6, e nem acredito que vá ter, pelo menos por enquanto. Então, as operadoras oferecem algo como o “Wi-Fi Plus”, que nada mais é do que instalar um roteador externo na casa do cliente, com um custo adicional. Outro trambique é oferecer “proteção” ma conexão, coisa que nenhum de nós que roda Windows ou Linux precisa!

      Eu entendo que as receitas publicadas pela Internet para mudar de DNS via sistema operacional estão erradas. Primeiro, porque tal procedimento só irá resolver a conexão para um computador. Segundo, porque, ao se fazer desta forma, o resto da casa fica a ver navios, e o que mais se tem hoje em dia são aparelhos diversos conectados.

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