A LG irá comercializar o painel de microleds com o rótulo de LSAB00

LG lança uma TV com microLEDs, mas o futuro ainda é incerto

A LG embarca em um projeto ambicioso com o lançamento da TV com MicroLEDs em tela gigantesca, ainda destinada ao segmento profissional do mercado ou talvez aos ultra ricos. Não sabe ainda se o formato vai dar certo ou se o custo final irá alcançar o mercado consumidor doméstico.

 

Isto já aconteceu antes: uma nova tecnologia de display desponta no horizonte e os problemas com ela começam a crepitar.

Com o desenvolvimento e posterior lançamento das telas OLED, uma campanha terrorista foi deflagrada, acusando o formato de provocar “burn-in”, isto é, queima desigual de pixels na tela, que resulta em manchas na imagem.

Outro aspecto em evidente desvantagem para esta tecnologia é a alegada limitação de brilho, inconveniente para a reprodução de imagens HDR, ou ainda descoramento de pixels com o tempo de uso. Em última análise, o consumidor iria gastar uma fortuna para comprar uma TV com prazo de validade curto.

Bem, eu fui um dos idiotas que resolveu apostar na tecnologia OLED, apesar de conhecer o fenômeno de excitação de elétrons dentro do laboratório de pesquisa. Já se passaram aproximadamente 3 anos, e até agora ainda não consegui enxergar os problemas apontados por terceiros, muito menos no que se refere ao temido “burn-in’.

Isto porque a LG, fabricante e principal promotora da tecnologia, implementou algoritmos conhecidos desde a época das TVs de plasma. Um deles se refere ao deslocamento constante de pixels, sem que o usuário perceba. Com isso, a imagem nunca fica retida na tela, independentemente de estar em movimento.

Outro recurso é o chamado Automatic Bright Level (ABL): toda vez que uma imagem não é renovada (imagem estática, por exemplo), após um certo tempo o nível de brilho diminui consideravelmente.

Se isso não bastasse, depois de um tempo de uso, a TV aciona automaticamente um programa para resetar todos os pixels. Este programa está disponível no menu da TV, e se o usuário quiser ou precisar ele pode rodá-lo extemporaneamente. Se ele não fizer isso, a TV avisará que irá rodar o programa depois que ela for desligada.

Quem faz força para comprar uma TV com tecnologia de ponta deveria ter em mente que diferentes tecnologias dependem da aplicação. Um exemplo claro disso que estou afirmando é a adoção de monitores ou TVs para uso em sistemas (computadores, etc.) nos quais a imagem exibida é normalmente estática (sem movimento) e precisa ficar um tempo prolongado na tela.

Neste caso a tela OLED é frontalmente contraindicada, e aí as telas convencionais com LCD ganham disparado, e não precisam de screen saver, como no tempo das telas CRT.

O microled como uma proposta de meio termo ideal

Embora existam hoje telas de LCD com backlights otimizados pela iluminação expandida de LEDs, o fato é que é virtualmente impossível alcançar um nível de preto no patamar que seria desejável para a correta reprodução das zonas de sombra e das cores. E isto é devido ao cancelamento incompleto de passagem de luz do backlight pela camada de LCDs.

A solução deste problema passa necessariamente pela eliminação do backlight como fonte de emissão de luz e para tanto seria preciso que a luz fosse produzida pelo próprio pixel.

E é isto exatamente que acontece com o LED orgânico (OLED). Uma vez excitado eletricamente ele produz a luminosidade desejada. Caso contrário, ele não acende. Assim, todos os níveis da escala de cinza podem ser reproduzidos, até chegar ao preto absoluto, que a tela de LCD não é capaz de reproduzir.

Idealmente, porém, seria que a luminosidade prolongada da partícula orgânica não fosse um obstáculo para a exposição continuada de luz sem danos à tela. Na imagem em movimento o problema não existe por causa da taxa de renovação entre um quadro e outro, mas a imagem estática exige que os níveis de brilho permaneçam os mesmos enquanto a imagem for exibida, podendo assim danificar a partícula orgânica emissora.

A base do descoramento de corantes é justamente a exposição continuada de luz sobre a superfície impressa ou pintada. Isto ocorre pelo rompimento da estrutura eletrônica da partícula orgânica sob excitação, que é irreversível. O mesmo se aplica à estimulação continuada e fixa no componente orgânico usado no OLED.

O microled pode emitir luz ou apagar, sem receio de que ele possa “descorar”. Teoricamente, ele poderia ter uma taxa de contraste alta sem danos ao seu painel. E, ao cessar a emissão de luz, poderia fornecer um nível de preto absoluto, tal como na partícula OLED.

O lançamento da LG dias atrás

A LG usa módulos de microleds medindo 60.0 cm de altura por 33.75 cm de largura e 44.9 cm de profundidade. O painel completo foi chamado de Magnit:

 

A LG irá comercializar o painel de microleds com o rótulo de LSAB009, sendo 0.9 mm o passo entre pixels, e o brilho com valor nominal de 600 nits, podendo chegar até 1200 nits no pico da luminância. Nas especificações, entretanto, não vi referência a Dolby Vision, e sim a HDR10 e HDR10 Pro, que é a versão proprietária da LG do HDR10, com melhoramentos no mapeamento dinâmico de tons.

Há uma razão para se construir blocos de menor tamanho e encaixa-los na tela. O assunto já foi parcialmente discutido aqui em texto anterior. A construção de cada bloco de microleds é complexa e propensa a erros. Basta ter um pixel com problema (não liga, por exemplo) e o painel tem que ser descartado. Construindo um painel com diversos blocos a manutenção é significativamente simplificada.

Por outro lado, dois aspectos chave entram em cena: o elevado custo de manufatura torna, por enquanto, esses painéis proibitivos para o consumidor doméstico. Tanto assim, que o lançamento do modelo da LG deixou claro que a produção inicial não é dirigida sequer ao entusiasta.

O segundo, que as telas são construídas por módulos e não inteiriça, e não se sabe, por enquanto, se tal montagem irá provocar impacto visual na reprodução das imagens. Ver de longe não adianta, é preciso estar próximo do painel.

Além disso, as telas atualmente lançadas são de enorme tamanho e, em princípio, pouco apropriadas para uso em residências.

Assim, preço elevado e mais o tamanho exagerado de tela tornam estes lançamentos um tanto ou quanto sombrios. É possível que os entusiastas de vídeo pensem várias vezes antes de disparar o gatilho. Sem, aparentemente, alternativas para construção das telas de microleds, é também possível que elas nunca achem aplicações no mercado de massa, mas aí é esperar para ver! Outrolado_

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A tecnologia de tela de TV com MicroLEDs

 

Rodando o Windows 10 com imagem HDR

 

O formato HDR ainda sem definição de padrão

2001: Uma Odisseia No Espaço, em versão Blu-Ray 4K, Dolby Vision HDR

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

10 comentários sobre “LG lança uma TV com microLEDs, mas o futuro ainda é incerto

  1. Paulo vou te rotular como “gurú dos temas de impacto na tecnologia ! Pois bem a indústria de eletrônicos chegou numa sinuca de bico, pois tem potencial para lançar novos produtos com tecnologias avançadas, mas dai te pergunto… Eles chamaram os representantes dos estúdios de cinema e gravadoras de música para discutirem isso ? Do que adianta fazerem um tremendo barulho nesses lançamentos, se a cada ano que passa os conteúdo para o consumidor se beneficiar desses modelos ultramodernos estão se esvaindo ? Os estúdios estão empurrando goela abaixo dos cinéfilos e população em geral… Streaming, streaming, streaming e mais streaming ! Daí te pergunto, qual tipo de consumidor vai jogar fortunas em cima de novas Tv’s para assistirem conteúdo com qualidade de internet ? As distribuidoras dos estúdios de cinema “m a t a r a m” o sistema de filmes em mídia de DVD’s e Blu-Ray, e agora esqueceram de avisar quem torrou fortunas em equipamentos de home theater, que acabou o “cinema em casa” Desculpe o desabafo Paulo, mas não será fácil tentar driblar a impossibilidade de adquirir títulos de filmes em alta definição, ainda mais diante da inutilidade que esses aparelhos hi-end se tornarão, pois irão se transformar em “elefantes-brancos”. Só que tem um detalhe “ninguém no seu juízo perfeito vai investir em super telonas de 4k ou 8k” para assistir streaming ! Abraço

    • Oi, Rogério,

      Não há porque você se desculpar, até porque eu concordo em gênero, número e grau com o que você afirma.

      A negligência com mídia 4K aqui vem no caminho inverso do que se praticava até então, e ninguém reebeu até hoje nenhum tipo de desculpa ou explicação. Então, é óbvio que o usuário mesmo sendo cinéfilo, irá optar pelo streaming, independente de qualquer outro fator.

      Obrigado por me considerar um guru desses assuntos, mas acho que a realidade está aí para qualquer um ver. A saída da Sony e da Philips do mercado de TV mostram tudo, E há rumores de que a LG pode pular fora deste segmento também.

  2. Paulo Roberto,
    Também concordo no absurdo de lançarem equipamentos sempre com mais recursos que acabarão subutilizados. Isso se dá em todos os seguimentos, mais ainda no ramo de celulares. Sempre me pergunto que diferença faz para um usuário mediano, que não sabe sequer a diferença entre 4K e 8k. No caso de oled mega blaster com pontos quânticos trapezoidais invertidos, não faz a menor diferença para o mercado consumidor para quem telas va fullhd já está muito bom.

    • Oi, Felipe,

      Isto está assim há décadas. Muita gente falava que não via diferença entre DVD e Blu-Ray. Então como é que esse povo vai ver diferença entre 4K e 8K?

      Que mídia 8K está aí para justificar este tipo de lançamento? Se você souber a resposta por favor me conte!

  3. Paulo comentei sobre sua matéria das novas tecnologias de Tv’s, com um gestor da área de expansão de rede aqui na TV, ele me informou que até no Japão, onde foi desenvolvido o nosso sistema de Tv digital ISDB-t, o governo decidiu suspender por tempo indeterminado o projeto de expansão para transmissões em 8k, pois as emissoras de lá ainda estão produzindo poucos conteúdos em 4k, imagine no resto do mundo então, que estão embarcando na onda streaming ? Acho que a onda das Tv’s 4k subiu no telhado, e a médio prazo vai ficar no que está.

    • Oi, Rogério, é isso mesmo. E o que adiante 8K em uma tela de umas 65 polegadas? Eu já vi reviews de Blu-Rays 4k onde o analista não consegue enxergar melhorias en relação à edição 2K.

      Isto posto, é comum a gente ser informado que para o Blu-Ray 4k foi usado um DI de 2K. Sendo assim, o resultado é upscale, e isso qualquer um pode fazer em casa, com uma TV de bom nível!

  4. Oi, Paulo, estou pensando em adquirir uma nova TV tendo em vista que a minha já tem 10 anos e nem smart é. Pensei numa 50″, 4k e pelos comentários dos leitores da coluna o sistema não é superior ao full hd pois, não se encontra mídia que compense o investimento. É curioso observar nos anúncios que o full é encontrado em poucas marcas e na Sansung e LG por exemplo não achei esse formato. O barulho fica por conta do 4k. Meu filho comprou uma Sony full e está satisfeito. E, o custo é um pouco menor. Então, estou numa sinuca de bico.
    Abraço.

    • Oi, Celso,

      4K é superior a Full HD (2K), mas o tamanho e os chipsets de algumas telas não são capazes de revelar a diferença de resolução. No entanto, se o usu´rio se satisfaz com 1080p e quer investir menos, porque não?

      O processo de fabricação atual não compensa lançar TVs de 1080p, daí a ausência que você nota nos sites dos fabricantes. Aliás, sob este aspecto, daqui a pouco somente 8K.

      • Grato, Paulo. Curioso é que temos poucas mídias em 4k, então, que dirá 8? No entanto, já constatei consumidor saindo da loja todo empolgado com uma 4k e nem dvd tem. Pode?

        • Oi, Celso

          Pode, porque o consumidor percebe que a qualidade é melhor. É por coisas deste tipo que eu fico perplexo de ver a indústria ignorar os consumidores. O mercado de TVs está minguando, daqui a pouco as pessoas vão ter que se virar assistindo filme no celular.

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