Mudando a CPU

Atualização de plataforma operacional

O upgrade do computador exige determinação e pesquisa. Um conjunto de fatores determina o aperfeiçoamento da plataforma operacional.

 

Décadas atrás a informática dava saltos no tempo, a ponto de se tornar uma corrida insana atrás de componentes para se fazer um upgrade qualquer.

Mais ou menos nesta época, a revista Mad publicou uma anedota que contava a estória de um cliente que comprou um computador novo, e o dono da loja recomendou ao vendedor manda-lo por avião, para não correr o risco de chegar lá obsoleto!

E era assim mesmo. Nada, de fato, mudou neste aspecto, exceto que as plataformas operacionais atualmente em uso atingiram um tal nível de performance que esta corrida para atualizar o computador de casa começou a perder sentido!

Mesmo assim eu resolvi arriscar e troquei o principal componente do meu computador: a CPU.

Não precisaria tê-lo feito, porém a curiosidade falou mais alto. Eu já havia experimentado os processadores Ryzen da primeira e da segunda geração, esta anteriormente em uso. A AMD saiu do segundo lugar em processadores para chegar ao topo com arquiteturas ecléticas e aperfeiçoadas.

No caso, eu troquei um processador Ryzen 7 2700X (topo anterior da segunda geração), para um Ryzen 9 3900X, da geração seguinte. Se esperasse mais um pouco veria a 4ª geração dos Ryzen, porém a espera não iria compensar, por conta dos altos preços de mercado praticados.

Basicamente, as diferenças entre o 2700X e o 3900X são as seguintes:

Componentes Ryzen 7 2700X Ryzen 9 3900X
Número de núcleos 8 12
Linhas de execução (threads) 16 24
Batimento (clock) 3.7 – 4.3 GHz 3.8 – 4.6 GHz
Cachê L2 4 MB 6 MB
Cachê L3 16 MB 64 MB
Suporte de memória Até 2933 MHz Até 3200 MHz
Suporte ao PCIe PCIe 3.0 x16 PCIe 4.0 x16
TDP padrão 105 Watts 105 Watts
Arquitetura Zen+ Zen 2
Encapsulamento 12 nm FinFET TSMC 7 nm FinFET
  • A solução térmica pode ser ar ou líquida em ambos os processadores, de preferência a segunda.

Essencialmente, as diferenças não são, em princípio, gigantescas, porém só o fato de que o número de núcleos e as linhas de execução variam enormemente, acaba deixando o Ryzen 9 3900X em enorme vantagem operacional, uma vez de frente a uma maior carga de trabalho.

Rodando a tradicional comparação entre as duas CPUs, com ajustes de BIOS bastante conservadores, através do Cinebench R15, os resultados obtidos são 1741 e 2255, respectivamente:

Notem que estes valores podem variar de acordo com as condições de funcionamento do computador. Nos valores acima determinados, nota-se um aumento de 29.5% em performance. Na prática, esta vantagem só terá expressão operacional diante de uma carga de trabalho aumentada.

Diferenças de arquitetura

Uma das grandes mudanças na estrutura interna da terceira geração de processadores Ryzen reside na sua arquitetura.

O processador da série 9 usa dois “chiplets”, que são basicamente chips independentes dentro do mesmo chip, cada um deles com 8 núcleos funcionantes. O modelo 9 3950X usa dois chiplets completamente, perfazendo um total de 16 núcleos ativos. No modelo 3900X, visto acima, apenas 6 núcleos são usados, daí fazendo o total de 12 núcleos, como descrito.

Infinity Fabric

Para conectar todos os componentes internos deste tipo de chip, a AMD adotou uma linha de interligação, chamada de Infinity Fabric (Construção ou Estrutura Infinita). Este modo de conexão já existia nos processadores Intel, com outro nome, porém aqui as conexões abrangem todos os componentes externos do sistema também.

Além disso, o Infinity Fabric tem ligação direta com a memória instalada no sistema, na relação de 1:1, caso seja estabelecido no BIOS o modo sincronizado (default). A estrutura Zen 2, neste caso, aumenta a produtividade entre os componentes do chip e do controlador de memória. E isto é conseguido aumentando o número de instruções em cada batimento (IPC ou Instructions Per Clock):

 

Todo este conjunto de recursos empurra o sistema para a frente, incluindo barramentos importantes, como aqueles que governam placas gráficas e drives que fazem uso de pistas PCIe (M.2 NVMe, por exemplo).

A arquitetura Zen 2 tem sido aplicada com sucesso nos novos chiplets de 7 nm, inclusos no processador Ryzen 9 3900X.

Além disso, o 3900X opera com vantagens junto ao chipset X470, usado na minha placa-mãe. É importante, entretanto, que em se tratando de processadores Ryzen, o BIOS da placa-mãe seja atualizado até a última versão dos microcódigos AGESA.

A partir de maio do ano passado, a Microsoft disponibilizou uma atualização que dá suporte à arquitetura Zen 2, mas independente disso, o usuário deve atualizar os drives de chipset e do Ryzen propriamente dito. Os arquivos para tal estão disponíveis no site da AMD e servem para qualquer modelo de placa-mãe.

Em última análise, é um conjunto de fatores que determinam o aperfeiçoamento operacional da máquina.

O conceito do computador como “máquina universal” foi proposto e desenvolvido por Alan Turing, e somente realizado em sua plenitude anos depois do seu desaparecimento. A estrutura básica que se tornou vencedora foi aquela proposta por John von Neumann, que integra a CPU com o restante dos componentes do computador.

Quem ainda tem consciência do que pode ser feito com esta máquina universal pode dar valor ao progresso de construção de todos os componentes.

Nos últimos anos, entretanto, a maioria dos meus amigos que corriam atrás de uma montagem para si próprios foi paulatinamente se distanciando da procura de componentes. A indústria também se voltou para os adeptos dos jogos, a meu ver um enorme desperdício do uso dos computadores high-end.

Por outro lado, a potência de processamento hoje em dia é ubíqua, haja visto a enorme linha de processadores AMD e Intel. Assim, a frequência de troca de componentes acaba se tornando cada vez menos importante. Perde ainda mais sentido se o computador for usado muito mais para Internet do que para o uso de aplicativos de trabalho. Se o usuário ficar satisfeito com a máquina que tem, a indústria pode avançar o quanto quiser, e vai mesmo, de qualquer forma, mas o apelo ao consumo continuará drasticamente reduzido!  Outrolado_

. . .

 

AMD em direção à computação de alta performance

 

AMD Threadripper CPU de terceira geração chega ao mercado

 

Ryzen: CPUs a caminho da computação de alta performance otimizada

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “Atualização de plataforma operacional

  1. Paulo esse poderia ser um procedimento muito interessante se a maioria da população optassem por utilizar desktops como antigamente, mas infelizmente o próprio comércio e a mídia induz as pessoas a adquirirem laptops, pois essa plataforma não permite upgrades, e dessa forma força o consumidor a adquirir novos notebooks em um intervalo menor. Estratégia da industrial de rotatividade de novos modelos, e não de reaproveita-los. Isso pra mim vem corroborar com uma estratégia usada no oriente, onde pessoas depois de um determinado tempo, simplesmente descartam seus computadores antigos e defasados. Mas aqui é Brasil não temos essa mentalidade, até porque o poder de consumo é bem inferior. O que piorou muito essa situação foi a extinção da lei de benefício a informática, em que qualquer produto de informática (incluindo celulares e tablets), subiu muito por conta da cobrança de impostos em cascata. Como dizem Paulo, é o custo Brasil… Que caca hein !

    • Oi, Rogério,

      Por esses dias, a minha filha se queixou que o notebook dela estava velho, o teclado falhando, etc. Ela falou com uma autorizada e disseram a ela que eles não tem mais peças para aquele modelo. Eu fui ver preços dos modelos novos e fiquei horrorizado. Também me deixou perplexo fabricantes como Dell ainda montarem notebooks com Pentium, e cobrando caro por uma CPU dessas, arcaica e obsoleta.

      A gente vê as configurações desses notebooks, o preço sobe nas alturas quando eles instalam um SSD de 256 GB, ou algo parecido. Se instalarem Windows lá dentro, nem se fala.

      O custo Brasil está afastando a fabricação de TVs e qualquer hora dessas a dos notebooks, é só esperar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *