De volta para o futuro agoracom som e imagem excelentes

“De Volta Para O Futuro”, literalmente em 4K, Dolby Vision e Dolby Atmos

A Universal retranscreveu o negativo de “De Volta Para O Futuro”, aproveitado tanto para o cinema como para a edição de home video. A trilogia em 4K UHD teve tratamento com gradação Dolby Vision e estupenda nova mixagem da trilha sonora com Dolby Atmos.

 

Em 1985, “De Volta Para O Futuro”, escrito pelos chamados “dois Bobs”, Robert Zemeckis e Robert Gale, e dirigido pelo primeiro, foi um sucesso de público aqui no Brasil. A estória é convincente, eu até já escrevi sobre isso para o Webinsider, em passado distante, quando por ocasião do lançamento da edição em Blu-Ray.

O filme voltou em edição 4K, totalmente remasterizada com tratamento de gradação Dolby Vision (ou HDR+, para quem não tem este recurso) e som Dolby Atmos.

Esta versão em 4K foi originalmente lançada para os cinemas:

 

 

E foi posteriormente usada na nova edição em UHD:

 

 

Eu recebi a trilogia por cortesia de um amigo meu norte americano antes do Natal do ano passado, mas graças às gracinhas dos Correios, só fui receber agora, quase 3 meses depois, um pesadelo para quem depende deste tipo de serviço!

Eu não quero agora revisitar os meus comentários do Webinsider. Basta dizer que o roteiro deste filme é um achado. Ele mostra não só as diferenças culturais entre sucessivas gerações, como também a similaridade do comportamento adolescente entre elas. E a “descoberta” deste comportamento só foi possível porque o principal personagem Marty McFly viaja no tempo e acaba conhecendo os pais ainda solteiros.

A comédia, aliada à ficção, é perfeita: no presente (1985) Marty acredita que a mãe nasceu uma freira, mas em 1955, ele tem outra visão, completamente antagônica à primeira, e se assusta com isso. A mãe de Marty tem todo o perfil da mulher jovem na busca de experiências, todas, é claro, escondidas dos pais. E ela, ironicamente, no final acusa Marty de se comportar como a mãe dela, que proibiria tudo!

Marty observa no pai um homem que não acredita em si próprio, o que explica porque ele cresceu inseguro no trato com as pessoas. E luta para muda-lo, caso contrário ele jamais iria nascer.

A versão nova da trilogia

Eu conheço as várias versões deste filme em home video, desde o Laserdisc, passando pelo DVD e pelo Blu-Ray. Originalmente a captura fotográfica foi feita com enquadramento no formato da academia (1.37:1), e reformatado nos cinemas para widescreen 1.85:1. Somente no Laserdisc a versão do negativo original (1.37:1, com lente esférica) pode ser vista. Comparando as duas versões nota-se que houve uma perda sensível no enquadramento, mas nada que atrapalhe quem assiste.

Já na versão em Blu-Ray o resultado da definição da imagem é estupendo, e a trilha sonora auditivamente superior àquela feita com Dolby Stereo. Este filme teve cópia em 70 mm, com trilha de 6 pistas, e possivelmente os elementos desta trilha foram os usados durante as remixagens posteriores.

Neste particular, a edição em 4K, aprimorada para Dolby Atmos, é surpreendentemente mais elaborada. O envelopamento, digamos assim, dos efeitos sonoplásticos alcança a terceira dimensão sonora com notável competência. Nas cenas da volta, a tempestade que culmina na descarga do raio que destrói o relógio da cidade parece estar em cima da nossa cabeça, tal a imersividade obtida.

Fotograficamente, o que se nota de imediato na edição 4K é que várias cenas estão mais escuras, mas não existe nenhuma obliteração de luminosidade, tanto assim que os detalhes com mais luz estão notoriamente mais nítidos. A gradação obtida com o tratamento em Dolby Vision é excelente, realçando cores e apresentando um nível de preto mais profundo.

Não há, até onde eu tenha percebido, a presença acentuada da granulação original do negativo. O intermediário digital já tinha sido feito com 4K de resolução, por isso a transcrição é aparentemente literal (1:1), com os devidos retoques técnicos. Em outras palavras, a imagem é estupenda e vence o Blu-Ray, apesar da boa qualidade deste último.

Em última análise, para mim compensou a espera. O meu amigo de lá ficou surpreso com o serviço postal ruim que a gente tem aqui. Paciência. Eu sei que é duro ficar reciclando estoque de filmes. Quase ninguém que eu conheço dá bola para isso, mas eu sou diferente, adoro certos filmes, e acho muito difícil mudar a minha postura! Outrolado_

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E. T.: O Extra Terrestre, em versão UHD, HDR

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

7 comentários sobre ““De Volta Para O Futuro”, literalmente em 4K, Dolby Vision e Dolby Atmos

  1. Olá Paulo realmente o processo digitalização desse negativo para a resolução 4K trará uma nova experiência de ver esse filme. Eu adquiri recentemente uma TV 4K da LG, mas infelizmente seu painel é IPS, e não irá proporcionar uma boa experiência com tons pretos, mas os bons painéis do tipo V.A. só estão equipando modelos mais caros. Ainda bem que pelos com as mídias e arquivos digitais, podemos usufruir da resolução 4K, pois na TV aberta ou no Streaming… Esquece !

    • Oi, Rogério,

      Desculpe pela demora. Por algum motivo seu comentário foi parar na caixa de spam, e como eu já tinha sido avisado que o comentário foi postado eu fui lá resgatá-lo.

      Os painéis à base de LCD melhoraram muito, com um ou outro painel vazando um pouco de luz do backlight. Eu percebo que a evolução dos micro LEDs poderão ser a solução definitiva para qualquer painel que venha por aí, sem a gente se preocupar com retenção de imagem e problemas afins, mas isso só tempo nos dirá se isso vai acontecer ou não!

      A propósito de 4K, no meu receptor Claro-Net todos os conteúdos 4K sumiram, e o meu pacote de assinatura não mudou. Eu só não bola maos para isso, nem me preocupei em reclamar, porque aquele conteúdo não me interessava, e além do mais os outros serviços de streaming que eu assino têm todos muitíssimo mais qualidade de conteúdo e qualidade de imagem e som.

  2. Ainda bem que conseguiu resgatar a mensagem Paulo, apesar que saiu com alguns erros no texto. Mas aproveitando que citou a chegada da tecnologia dos Micro Leds, e como possui experiência com a marca LG, saberia dizer se “os modelos básicos da marca com resolução 4K lançados no ano passado” ainda possuem o fatídico painel RGBW ?

    • Olha, Rogério, eu acho que não mas não tenho certeza. Eu lembro que houve muita discussão sobre isso, mas nada provado. As OLEDs usam este tipo de arquitetura de pixel e eu não vejo problema algum. Meus filhos compraram TV’s LG com tela LCD, uma delas com HDR10+ e até hoje não se queixaram de nada, mas é claro que este tipo de referência não quer dize nada!

  3. Olá, Paulo, eu assisti via download 4k HDR no ano passado em Dezembro eu suponho, e percebi que até o grão ficou mais fino. E realmente o 4k está impecável, melhoraram muito o contraste, e as cores foi o que mais gostei nesse novo transfer. Detalhes de sujeira no rosto dos atores ficaram bem impactantes agora, as cenas no west do terceiro filme com cores de barro, e não aquelas amareladas na versão anterior BD/DVD. Não vejo a hora de relançarem a trilogia do Indiana Jones em 4k.

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