No-break é a solução contra a perda de conteúdo por quedas de energia

Protegendo o trabalho em casa com um no-break

Em tempos de trabalho em casa, no home office, a proteção à perda de conteúdo é fundamental para quem fica horas na frente do sistema. A melhor maneira de se conseguir isso é pelo uso de um bom no-break.

 

O nome no-break (alguns escrevem “nobreak”) se refere ao que é universalmente conhecido como UPS (sigla do inglês Uninterruptible Power Supply). O termo “no-break” se refere à falta de energia, mas é incorretamente traduzido como UPS, porque ele se refere a situações genéricas. A palavra “break” tem vários sentidos, entre eles, por exemplo, aquele referente a um disjuntor. Então “no-break” seria melhor aplicado a todo e qualquer sistema de interrupção de energia. Como “no-break” acabou ficando aqui no lugar de UPS vai ser assim que nós iremos trata-lo.

Todos nós que montamos um SOHO (Small Office Home Office) sofremos com o problema da falta de energia desde a época dos 8 bits, muitas vezes fazendo em casa o que era impossível por não se conseguir equipamento ou tempo no ambiente de trabalho. E eu tive uma pequena experiência amarga nisso, ao perder um capítulo inteiro de um livro que estava escrevendo por causa de uma falta de luz. A partir daí, eu passei a salvar paranoicamente os meus arquivos de texto em intervalos de tempo mais ou menos regulares, para evitar que tal acontecesse.

No Word for Windows 2.0, editor que eu usei para o meu trabalho de doutorado, já havia uma programação configurável, de salvar automaticamente o texto a cada dez minutos. E este recurso se mantem até hoje! Se, por qualquer motivo, a última versão não foi salva depois de uma falta de luz, ainda assim o Word informa ao usuário o conteúdo que foi salvo antes da perda e o convida para recuperar aquele texto. Abaixo pode ser vista a tela de opções customizáveis para salvar um arquivo do Word 2019:

 

Na minha passagem pela Grã-Bretanha, que durou 4 anos, só faltou luz em casa uma única vez, enquanto que aqui quando não falta luz a gente fica surpreso. Esta falta de luz recorrente que todos nós enfrentamos só pode ser combatida de uma única maneira: instalar um no-break!

Tipos de no-breaks

Os no-breaks são classificados basicamente em 3 grupos, denominados como offline (“standby”), interativo (line interactive ou linha interativa), ou on-line, de dupla conversão.

Podem também ser classificados de acordo com a onda elétrica de saída: semi-senoidal (ou “onda senoidal aproximada”, ou “onda quadrada”) e senoidal pura. Este último tipo é o melhor para qualquer usuário, mas chega no comércio muito mais caro.

Embora o ideal seja sempre usar um no-break com saída senoidal, os modelos com senoidal-aproximada podem ser usados sem susto em um monte de aplicações. Aqui em casa eu usei o modelo APC Pro-1500, já fora de linha, durante anos, sem nenhum dano ao meu computador ou a periféricos. Usei também até recentemente um semi-senoidal para modem, roteador, multifuncional, sem nenhum problema.

O que, a meu ver, definitivamente não compensa é instalar um no-break do tipo offline. Este aparelho se caracteriza por manter o circuito inversor desligado, daí o termo “standby”, e só passar tensão na saída após a falta de luz, o que é eletricamente indesejável.

Neste ponto, os no-breaks de linha interativa são bem melhores: eles são desenhados para inspecionar a energia elétrica em tempo real e corrigi-la quando necessário, agindo com mais rapidez no circuito de inversão. Eu posso falar pela minha experiência, porque comigo nenhum no-break de linha interativa deixou de atuar corretamente nos diversos tipos de oscilação de luz!

A nossa energia elétrica é suja e pode causas danos aos equipamentos

No-breaks de boa qualidade são obrigatoriamente projetados com diversos tipos de proteção. Assim, além de manter o sistema ligado na falta de luz, o no-break preserva os equipamentos ligados a ele, evitando que distúrbios de energia elétrica possam atingi-los. Os principais tipos de proteção são: proteção contra surto (tipo DPS), subtensão (voltagem muito baixa), sobretensão (voltagem muito alta), curto-circuito, regulagem automática de voltagem, condicionamento de energia, etc.

Os bons no-breaks impedem que as baterias fiquem completamente descarregadas, prolongando a vida útil das mesmas, que varia entre 3 a 5 anos, geralmente.

A construção de um no-break implica no uso de uma ou mais baterias seladas, do tipo VRLA (sigla do inglês Valve Regulated Lead-Acid, ou bateria de chumbo-ácido regulada por válvula). Essas baterias são diferentes das tradicionais  . Enquanto estas se prestam a dar partida no carro apenas, as baterias de no-break tem como função manter a carga do equipamento ligado de modo a que estes continuem funcionando corretamente no maior intervalo de tempo possível.

As baterias usadas em no-breaks são do tipo estacionárias, dotadas de filtragem contra vapores do ácido sulfúrico interno, podendo assim serem utilizadas em ambientes fechados.

Com todas as proteções assim obtidas, a inserção de outros equipamentos, como filtros de linha ou DPS, são dispensáveis, eu diria, praticamente inúteis.

O gerenciamento dos no-breaks

Antes de se comprar qualquer no-break é importante avaliar a carga a que ele será submetido. Na dúvida, os apoios técnicos dos fabricantes devem ser contactados antes da compra ser feita.

Uma vez determinada a potência do no-break, o passo seguinte é escolher o modelo adequado. A grossa maioria de aparelhos deste tipo são especificados em Volt-Ampère ou VA. Porém, esta especificação não traduz a capacidade real de potência do no-break, que é expressa em Watts. Por isso o fabricante é obrigado a fornecer o chamado “Fator de Potência”, e com ele um simples cálculo nos permite saber o valor de potência real que nos interessa. Basta multiplicar o valor em VA pelo fator de potência. Por exemplo:

No-break de 1200 VA e fator de potência 0,5: 1200 x 0,5 = 600 Watts de potência.

O gerenciamento de um no-break consiste fundamentalmente no monitoramento do estado das suas baterias. Além das informações prestadas em display ou por LEDS no painel do equipamento, este monitoramento pode ser conseguido com softwares fornecidos gratuitamente pelos fabricantes.

O Windows 10 e outros sistemas operacionais possuem drivers próprios, que ajudam nesta tarefa. No Windows 10, toda vez que o no-break for ligado ao computador por porta USB ou serial, ele informa o status de carga da bateria através de um ícone incluído no lado esquerdo da barra de tarefas.

O Windows monitora o estado de baixa carga e o crítico, quando então as baterias estão próximas do descarregamento completo. Se chegar a este ponto, o sistema é automaticamente desligado, para evitar os costumeiros problemas provocados pela descarga completa das baterias. O valor default do plano de energia para o estado crítico é de 5% de carga, mas este valor pode ser aumentado pelo usuário, digamos 15%, por medida de segurança.

O bom senso manda que o usuário, diante da falta de luz, salve o seu trabalho e desligue o seu computador! Isso porque, embora o no-break seja um equipamento normalmente seguro, deve-se evitar potenciais transtornos de outra natureza, causados pelo sistema operacional ou por algum problema no próprio equipamento, um deles quando ele se desliga por causa das baterias estarem no fim da vida útil ou outro fator similar.

Deve-se também, por uma questão de segurança, deixar uma margem de capacidade de carga sobrando. Nos aparelhos com display o percentual de carga é facilmente lido, e em modelos com LEDs pode haver um bargraph com a mesma indicação:

 

 

No display mostrado acima pode-se ver que a tensão de entrada é de 132 Volts, bem acima dos 127 Volts que a fornecedora deveria ser obrigada a entregar ao cliente, e nunca faz nada para resolver isso. Daí a importância de se manter equipamentos que nos custam caro sob total proteção, mesmo que as respectivas fontes sejam tolerantes a este tipo de variação. Com o AVR em ação, a voltagem baixa para 117 Volts na saída, e só isso é garantia do prolongamento de vida do equipamento ligado ao no-break.

Pode-se também ver que o nível de carga na saída do no-break é baixo e ele está operando em modo Rede elétrica. Nestas circunstâncias, quando o no-break entra em modo Bateria, o tempo de funcionamento é maior do que o habitual. Todos os fabricantes fornecem uma curva de tempo x carga, mas a inspeção visual aqui é bastante útil.

A operação em modo Bateria pode provocar o aparecimento de ruído no no-break, dependendo como os circuitos inversores sejam desenhados ou da proteção contra calor dentro do aparelho. Não há nada, porém que possa preocupar o usuário.

Potencial de benefícios

Fora quem usa notebooks, todos os usuários de computadores desktop são beneficiados pelo uso de um no-break. As fontes modernas para computador de boa qualidade já são protegidas contra todos os tipos de anomalia da rede elétrica, e em alguns casos alguma proteção pode estar presente nas placas mães e em algum periférico.

A estratégia de proteção, entretanto, começa no fornecimento de uma energia limpa no sistema. Desta forma, diminui-se significativamente o risco de danos ao equipamento.

Com o avanço da Internet das Coisas, o uso da rede local doméstica aumentou significativamente, exigindo a ausência de interrupção de modems e roteadores. Isto por si só aumenta a aplicação de no-breaks no escritório, seja ele doméstico ou não. Modems e roteadores consomem pouco, o que permite que um no-break de carga mais baixa mantenha tudo ligado por muito tempo naqueles momentos onde a falta de luz se prolonga além do previsto.

Antes de usar um no-break para este tipo de uso eu consultei o suporte da APC sobre a possibilidade de deixar o no-break ligado permanentemente. E a resposta foi positiva, isto porque basicamente o consumo contínuo de bateria, que bem poderia diminuir a vida útil das mesmas, se restringe normalmente aos no-breaks do tipo on-line de dupla conversão.

Um bom no-break evita o descarregamento completo das suas baterias, prolongando assim a vida útil das mesmas. O usuário, se tiver dúvidas a este respeito, deve consultar o suporte técnico dos fabricantes. Até hoje, eu nunca vi nenhum deles se negar a prestar qualquer informação sobre especificações ou funcionamento de seus produtos. Outrolado_

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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