marcas de televisores antigas retornam

A volta dos que não foram: um novo capítulo

Várias marcas antigas de televisores (e uma nova) anunciam o seu retorno ao mercado, com promessas de boa relação custo/benefício. Enquanto isso, a Samsung lança aparelhos em 8K, com backlight de Mini-LEDs.

 

O jornal hoje anuncia a entrada de várias marcas no mercado de televisores, a começar pela iniciante Britânia, que representará não se sabe quem, de onde poderá estar pegando emprestada a necessária tecnologia.

E voltam ao mercado as marcas Toshiba (comprada pela chinesa Hi-Sense e representada aqui pela Multilaser), Sanyo e Sharp, esta última com TVs que venderam muito por aqui no passado distante. Todas elas prometem televisores com melhor relação custo/benefício.

Atribui-se o aumento da venda de TVs ao fato de que a pandemia forçou as pessoas a ficarem mais tempo dentro de casa. Sendo assim, é de se esperar que serviços como banda larga, streaming, etc., tenham também direito a um segmento deste mercado.

Há uma promessa no ar de que os novos televisores cheguem ao mercado por preços mais baixos e mais competitivos, o que não é nenhum assombro, porque com os modernos microprocessadores e com as telas atuais, se pode conseguir ótima relação custo/benefício, em modelos mais acessíveis financeiramente ao público consumidor.

A pré-venda das Neo QLEDs

Recebo hoje da Samsung um oferecimento para compra antecipada dos seus novos modelos Neo QLED. Confesso que não entendi direito esta pré-venda, que se estende até o fim de maio, pelo seguinte: o site oferece a venda sem disponibilidade do produto, enquanto que lojistas de outros sites prometem entregar os novos modelos em curto espaço de tempo. Os preços que eu vi são elevados. Mas, quem quiser insistir e comprar na loja virtual da Samsung, ganha uma barra de som de graça.

Essas telas são compostas por uma luz de fundo com Mini-LEDs, que são módulos de tamanho reduzido, cerca de 0.2 mm, montados aos milhares no painel de luz da TV:

 

E no caso específico da Samsung, o fabricante continua a manter os pontos quânticos (Quantum Dots) para retificar a curva de emissão da luz de fundo.

A ideia em si não é nova. No passado distante, telas com backlight do tipo Full Array, usavam a mesma arquitetura de luz de fundo, iluminando toda a tela com uniformidade. Mas, com o passar do tempo, problemas aparentemente nunca antes contornados, como o famigerado “blooming” (extravasamento de luz nas bordas da imagem) e escurecimento local (“local dimming”) de baixa qualidade, forçaram os fabricantes a abandonar esta tecnologia.

Entretanto, em um ponto o Full Array estava certo: que a luz de fundo precisa ser uniforme, de modo a atingir um balanço de cores correto. Os novos Mini-LEDs prometem resolver isso.

Nas especificações anunciadas pela Samsung se faz menção a um processador Neo Quantum 8K, com algoritmos de inteligência artificial, e reprodução da imagem com tecnologia Quantum HDR 64x, com referência ao uso de pontos quânticos:

 

Não há, até onde eu tenha reparado, menção à reprodução de imagens com Dolby Vision, o que eu acho, sinceramente, uma falha imperdoável, e motivo mais do suficiente para declinar a compra, dependendo da aplicação exigida. Este tipo de ausência pode não afetar a quem usa a TV para a imagem do computador ou do broadcasting, mas faz muita falta se o uso for para home theater ou streaming.

Neo QLED versus OLED

Seria de todo interessante comparar a reprodução de tons de cinza nessas telas novas com tecnologia Mini-LED e com as telas OLED. Infelizmente, nada disso está ao meu alcance, então vou ficar devendo.

Entretanto, um aspecto de ambas as tecnologias me chama a atenção: por mais refinada que seja a emissão de luz no background, ela ainda assim continua a se respaldar na filtragem de passagem com o uso de LCDs, notoriamente incapaz de impedir a completa obstrução de luz vinda do backlight. Isso não acontece nos painéis OLED, porque o LED emissor independe de luz do backlight e pode ser desligado totalmente. As chances de uma escala de cinza de melhor qualidade são, portanto, mais fáceis de serem conseguidas sem backlight nos painéis.

Existe potencialmente um benefício das telas LCD, no que se refere à desnecessidade de protetor do tipo screen saver para evitar desgaste de tela na reprodução prolongada de imagens fixas. Esta característica de funciona torna essas telas ideais para uso com computadores em geral.

Se na tela Neo QLED este benefício pode ser juntado com a amplificação da faixa dinâmica e melhores níveis de preto, através de um local dimming aprimorado, tanto melhor. Pois, quanto melhor o nível de preto melhor será a gama de reprodução das cores.

Eu creio que somente quando chegarem ao mercado as telas com microLED a imagem será finalmente comparável, e possivelmente mais vantajosa, do que as telas OLED.

Em última análise, e mesmo sem ter tido a chance de ver as novas TVs, eu acho que qualquer melhoria em painéis LCD, como aquelas prometidas valerá o investimento para quem de fato assiste cinema pela TV.  Outrolado_

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

3 comentários sobre “A volta dos que não foram: um novo capítulo

  1. Olá Paula esse assunto realmente carece de um comentário mais detalhado que vamos elaborar, e em relação a Britania se prepare para a surpresa.

  2. Agora com mais dados na mão, eu diria que nos últimos anos as marcas de vulto aos poucos foram absorvidas por grandes grupos chineses…
    Como você citou na sua matéria:
    – Toshiba (comprada pela chinesa Hi-Sense e representada aqui pela Multilaser).
    Mas temos também a JVC que foi adquirida pela empresa chinesa “SHENZHEN MTC CO., LTD” (sendo a GBR Componentes da Amazônia a empresa responsável pela montagem). Mas existe outra grande surpresa nesse meio, que é a entrada da Mondial, que comprou o terreno, a fábrica e os equipamentos da Sony, em Manaus. E vai transferir sua linha de montagem de eletrônicos para lá, inclusive lançará TVs no ano que vem. Ou seja no Brasil hoje sobrou (das grandes) apenas Samsung, LG, Panasonic com fabricação local, e vinculadas as suas matrizes mundiais… O resto são de lançamentos das marcas chinesas representadas por marcas nacionais. Como diria no ditado popular, estamos vivenciando a fase dos “Heróis da resistência”. Que situação hein ?

    • Oi, Rogério,

      Ok, vou aguardar a surpresa da Britânia. A marca oferece produtos de baixo custo, então vamos ver o que vem agora.

      A indústria eletroeletrônica se esforça na área de televisores, mas não faz o mesmo com mídia ótica, ficando cada vez mais difícil de se achar no mercado um Blu-Ray player decente, muito menos com 4K nativo. Acho isso muito triste, sinceramente.

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