Eduardo Kasse, de editor de sites a autor de livros

Nosso amigo Kasse fez a transição de editor de projetos online para autor de livros. Aqui ele conta sobre como o financiamento coletivo e a presença em redes sociais são recursos do escritor.

 

Eduardo Kasse é um velho amigo e me ajudou muito nos tempos do Webinsider quando precisei de um segundo editor. Passado este tempo eu acompanhei sua carreira como autor de livros. E ele segue muito bem, com vários títulos publicados em papel e no formato e-book.

Foi muito bom encontrá-lo mais uma vez e aproveitei para fazer esta entrevista rápida, sobre como tem sido sua vissão depois de percorridas várias etapas.

– Como você vê a profissão de autor de livros hoje no Brasil?

Nós estamos vivendo um momento interessante. Estamos bem no meio de uma transição.  Nas décadas passadas, em geral, os escritores precisavam apenas se sentar, escrever as suas histórias, entregar para as editoras e pronto.

Hoje ainda fazemos essa etapa inicial, mas, veja bem, essa é apenas a etapa inicial mesmo. Além de escrever boas histórias, o escritor precisa se tornar, de certa forma, uma pessoa pública se quiser vender os seus livros.

Mesmo em editoras maiores, com melhor poder financeiro para publicidade e marketing, a passividade do profissional já não cabe mais. É só analisar os perfis daqueles que se destacam e vendem.

E agora também temos um novo perfil, que é o da autopublicação, seja impressa ou e-book. Só um detalhe: autopublicação não quer dizer trabalho solo (ou não deveria ser assim). Ainda é preciso investir para entregar um produto de qualidade para o leitor, com uma boa capa, uma boa revisão, edição, diagramação etc. Para um livro nascer, há muitos profissionais envolvidos.

Voltando ao ponto da não-passividade. Gostemos ou não, as redes sociais são essenciais para ter contato com o público, com quem já é nosso leitor e com aqueles que buscam conhecer mais sobre o nosso trabalho e as nossas obras.

Daí vai do perfil de cada um a forma de produzir conteúdo além dos livros: posts, vídeos, dancinhas, vale tudo. Ou melhor, vale aquilo que te faz bem, que não é falso ou apenas “comercial”, pois o público percebe e isso pode ter um efeito contrário ao imaginado.

Enfim, escrever para encantar o leitor é primeiro passo. E tão importante quanto isso, se você quiser se tornar profissional e viver dos seus escritos, é criar essa percepção de valor: para quem já viajou nas nossas histórias e para quem está pronto para embarcar nessa jornada.

– Que outras atividades seriam necessárias além de obviamente escrever?

Como eu disse, cada profissional deve encontrar os seus caminhos segundo o seu perfil e as suas expertises. Mas há alguns pontos que convergem para todos nós:

  1. Investir em marketing pessoal: quem é você? O você-autor é uma persona ou é você mesmo? Como o seu público te enxerga? O que você oferece além dos seus livros?
  2. Investir em presença online: não dá para fugir, ter visibilidade nas redes sociais é EXISTIR.
  3. Aprender sempre: a gente pode ter lançado vários best-sellers. O estudo e o aprendizado nunca cessam! Seja de técnicas de escrita, sejam pesquisas específicas, ser escritor é sempre estar buscando conhecimento.
  4. Ler muito: parece óbvio, mas conheço muita gente que deseja ser escritor, mas não lê!

Esses pontos são os básicos, contudo, se bem trabalhados, aumentam muito a chance de prosperidade profissional (que não é imediata, nunca se esqueça disso).

– O que você recomendaria para o escritor iniciante?

Escreva. Teste. Reescreva. Reescreva. Reescreva! Não tenha pressa em ser lido. Pense sempre em oferecer o seu melhor para quem te lê, seja de forma gratuita, ou comprando o seu livro.

Outro ponto: não tente ser outro escritor! Todos nós temos aqueles escritores que admiramos, e temos a tendência, principalmente no começo, de tentar “emular” a sua escrita. Não faça isso. Trilhe a sua própria jornada para encontrar a sua voz narrativa, seja em um conto, em uma noveleta, em um romance ou em uma série de livros!

– No seu caso, qual a relação entre livro impresso e online?

Tenho um pensamento que sempre repito: sou um contador de histórias, um produtor de conteúdo. A forma de consumir o que crio, o leitor decide!

Há aqueles que não dispensam o papel, seja pelo cheiro, pela sensação tátil, pelo conforto na leitura. Outros preferem os e-books, seja pela praticidade, pela falta de espaço ou pelo preço mais acessível. Grande parte das minhas histórias está nos dois formatos. E não posso reclamar das vendas em nenhum deles, são complementares.

Eu mesmo consumo o impresso e o digital na mesma medida. Tudo depende da experiência que quero ter com determinada leitura.

– Como a demanda do público pode ser percebida em seu nicho?

Temos um público apaixonado por literatura fantástica no Brasil. Só pensar no sucesso de livros como O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Duna, dentre outros. E nós, brasileiros, produzimos fantasia e ficção com tanta qualidade quanto os gringos! Só temos menos visibilidade (muitos livros viraram filmes, séries, games…), menos apoio da mídia mainstream e menos grana para investir nessa visibilidade.

Mas quando as nossas obras chegam aos leitores, esses se encantam e passam a consumir mais nacionais, e isso se transforma em um ciclo virtuoso: indicamos os nossos colegas, que indicam mais colegas, que também nos indicam. Leitores e escritores ganham.

– Qual é a importância do financiamento coletivo?

A gente passou por uma longa pandemia – ainda estamos passando –, que fez todos os eventos entrarem em um hiato (muitos ainda não voltaram, outros encerraram de vez). E isso prejudicou demais as vendas e, principalmente, o relacionamento com o público.

Some a isso muitas livrarias que fecharam as portas, temos um cenário péssimo para os escritores e para as editoras. Muitos mantiveram seus e-commerces ativos. Eu mesmo nunca deixei de vender, mas o volume é menor do que em vendas presenciais.

Sendo assim, o financiamento coletivo é essencial para continuar fazendo a roda girar. E é um ganha-ganha, pois podemos continuar lançando os nossos livros e os leitores podem ter as histórias que amam em suas casas!

É apoio mútuo.

E por falar nisso, se me permite, acabou de ir ao ar a minha nova campanha: https://www.catarse.me/druida

Em “Druida: a última morte“, você vai viajar para Britannia do século I a.C., uma época em que o sagrado e o aço tiveram de se unir para defender a liberdade – e a vida – dos povos da ilha.

E verá nascer uma liderança improvável, mas que será louvada e admirada pelos milênios!

Porque o verdadeiro medo de quem luta não é tombar pela espada, é a vergonha de se ajoelhar perante o inimigo.

Saiba mais:

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Outrolado_

 

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O outro lado do avesso

 

Um recado para o escritor hesitante: se atire

Vicente Tardin é diretor da Outrolado_Webinsider. É editor, jornalista, gestor de conteúdo e consultor para projetos online. Criador dos sites WebWorld (1997) e Webinsider (2000).

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