Nero Platinum 2019

Nero Platinum 2019: instalação, problemas e potenciais soluções

A mais nova suíte da Nero AG, Nero Platinum 2019, avançou no funcionamento de aplicativos e apresentou problemas a serem resolvidos.

 

Em passado recente, eu fiz um texto sobre o Nero Platinum 2018, no qual tentava analisar as diferenças entre a suíte 2017 e aquela então nova versão.

E se consegui fazer este trabalho foi graças à Nero e à Allameda, assessoria de imprensa da Nero AG no Brasil, na pessoa de Renata Bosco (Redação e Criação), que me cedeu a licença para a análise.

Este ano eu instalei a nova versão Nero Platinum 2019, e neste interregno da mudança de uma plataforma para outra, eu já havia, como de hábito, feito também modificações no hardware do meu computador, como por exemplo, a instalação de um drive M.2, para o qual migrei o sistema operacional.

Esteticamente, a interface do usuário da nova versão da suíte, muito mais agradável aos olhos e mais intuitiva, está mostrando agora o último aplicativo usado. Na nova interface é possível arrastar o arquivo de mídia e largar (“drag & drop”) diretamente em uma área localizada no topo à esquerda, e o programa exibe todos os aplicativos disponíveis para o tratamento do tipo de mídia a ser usado:

 

Instalação

Desta vez, algo errado no arquivo instalador fez com que o ícone tradicional que deslancha a suíte diretamente da área de trabalho (“desktop”) não aparecesse. Este ícone, uma vez acionado, roda um arquivo executável chamado de “NeroLauncher.exe”, que propicia o aparecimento da interface mostrada acima.

Em face deste problema, eu intuitivamente rodei o NeroLauncher manualmente, e quando o fiz apareceu uma janela me informando que havia uma atualização (recomendável) para o NeroLauncher. Depois da atualização feita, o ícone foi finalmente salvo na área de trabalho.

Durante a instalação ocorre normalmente uma verificação do ambiente operacional, e qualquer componente importante faltando, o programa instalador acessa a Internet e baixa o que for necessário. O Nero trabalha em ambiente da linguagem C++, e geralmente algumas versões mais atuais de rotina são aquelas que são baixadas e instaladas junto com a nova versão, e o usuário não deve interferir neste processo, e mandar atualizar, sob pena da suíte não rodar depois corretamente!

Problemas com o Nero Video 2018 que persistem na nova versão

De um tempo relativamente curto para cá, o Nero Video 2018 parou de funcionar como devia, e eu fiquei surpreso ao verificar que a atualização para a versão 2019 não corrigiu o problema.

O que aconteceu foi que, de frente às condições operacionais vigentes, o Nero Video usa um recurso chamado de “aceleração de hardware”, que propicia realizar processos de conversão de vídeo ou imagem mais rapidamente. De uns tempos para cá, ao montar e converter um arquivo de vídeo, o programa chegava aos 100% e parava, sequer salvando o arquivo de destino.

Inicialmente, tentando achar uma solução sozinho, eu observei que usuários de outros países estavam padecendo do mesmo problema, e foi neste ponto, depois de ter acionado o suporte da Nero AG sem sucesso, que eu pedi socorro à Allameda.

Gentil como sempre, a Renata foi, através de seu colega Maurício Bonas, acionar um suporte de escalão superior, e eventualmente eu recebi uma notificação da Alemanha, relatando que a equipe de software da empresa havia constatado este erro como parte de uma atualização do drive de vídeo, que emperrava o acelerador de hardware em toda a suíte, quando o mesmo era acionado.

Segundo a matriz alemã da Nero, a última versão do drive Nvidia sem este problema foi a do release 411.70, e eu já estava na versão 416.81, portanto já tendo o problema sem ainda ter tomado conhecimento dele até aquele momento.

A solução

O conceito de aceleração de hardware é uma conquista da arquitetura moderna dos microcomputadores. Essencialmente, ela consiste em retirar tarefas do processador principal (CPU) e direcioná-las a componentes específicos.

Quando se trata de processamento de vídeo ou de imagem, todos os principais algoritmos de cálculo são realizados pela placa gráfica. Em se tratando de uma placa Nvidia, são os núcleos de CUDA (“Compute Unified Device Architecture”) que ficam responsáveis pelo coprocessamento de rotinas gráficas que os programas solicitam, e neste caso é preciso que o programa fonte seja escrito para fazer uso da aceleração de hardware pertinente.

Há alguns anos atrás, e bota tempo nisso, eu li um trabalho da AMD justificando o uso de placas gráficas de alta performance, quando a montagem de uma CPU de alto desempenho é feita na placa-mãe. Na prática, a interação entre a CPU e a GPU (processador de vídeo) aumenta o rendimento da plataforma computacional significativamente e impede o gargalo criado pelo tratamento de imagens complexas (fotos RAW, por exemplo) ou de vídeo.

Daí a importância da instalação de placas gráficas com alto número de elementos coprocessadores, como é o caso do CUDA (Nvidia) e Stream Processors (AMD).

O aproveitamento de núcleos de CUDA passa necessariamente pelo driver de vídeo e a maneira como ele é escrito. Drivers de vídeo Nvidia são rotineiramente atualizados, ou pelo sistema operacional ou pelo software GeForce Experience. E assim o usuário pode receber um driver incompatível com algum programa sem saber do que se trata.

Na minha instalação, existiam em tese três soluções possíveis: a primeira, desabilitar a aceleração de hardware, a segunda, desinstalar o driver de vídeo atual e instalar a versão 411.70 ou anterior, e a última, mais drástica, substituir a placa gráfica.

É sempre aconselhável, na busca da solução de problemas deste tipo, começar pela solução mais simples e revertê-la se não funcionar, antes de passar para as demais soluções. Fazendo isso, trabalha-se com uma variável de cada vez.

Então, eu comecei por desabilitar a aceleração de hardware do Nero Video. Esta mudança implica em retirar da placa gráfica todas as funções do processamento da imagem e fazer com que a CPU desempenhe esta tarefa no lugar dela. O computador ficará um pouco mais lento, mas com processamento que não depende do driver de vídeo.

Bastou esta mudança e o problema foi resolvido. As imagens abaixo mostram o antes e o depois da mesma conversão:

 

 

A diferença de tempo de conversão, no meu computador, foi minimizada pela presença de uma CPU Ryzen 7 1800X, que faz com que os seus 8 núcleos operacionais consigam processar até 16 fileiras de códigos. Quando esta CPU foi lançada em 2017, a AMD ressaltou que a memória a ser instalada deveria trabalhar no ótimo do barramento. Meses se passaram, até que os módulos DDR4 parassem de dar problemas de compatibilidade nas placas-mãe, mas quando isso foi sanado, as Ryzen passaram a operar no seu ótimo de funcionamento!

De todas as possíveis soluções apontadas pelo suporte da Nero, esta me pareceu a mais razoável. Desabilitando a aceleração de hardware me permite continuar atualizando os drivers de vídeo, o que é normalmente aconselhável. A suíte como um todo passa por um processo de revisão neste momento, de modo que quando a interferência do driver for resolvida e o programa atualizado, bastaria voltar a habilitar a aceleração de hardware novamente.

O leitor deve entender que o exposto acima se refere à minha plataforma operacional. Situações similares podem ser alvo de outro tipo de solução alternativa, uma vez observando as raízes do problema. Isto porque placas e componentes variam de um computador para o outro, e assim nem sempre a solução de um problema é a mesma em todas as situações.

Pessoalmente, eu gosto muito do Nero Video, acho atraente e simples, e ele tem me ajudando a construir um material no YouTube, que serve para ilustração desses textos. Além do Nero Video, eu sou fã incondicional do Nero Burning ROM, por uma série de motivos. Anos atrás, eu usava ambos os aplicativos isoladamente, mas o tempo se encarregou de provar que a instalação da suíte é bem mais interessante, porque ela contém aplicativos mais coerentes com o número crescente de players e mídias existentes atualmente no mercado.

A meu ver, algumas coisas precisam ainda ser corrigidas, a mais complicada delas o processo de desinstalação da suíte Nero, para instalação da versão seguinte. O desinstalador apresenta problemas crônicos dentro do ambiente Windows 10, se recusando a retirar a suíte da forma usual, via Painel de Controle.

Na minha retirada da versão 2018, eu tive que fazer tudo manualmente, o que é muito trabalhoso. O suporte da empresa insiste em rodar o Windows em modo seguro, antes de desinstalar a suíte. Isto implica em não deixar o sistema instalar drivers de qualquer tipo ou programas constantes na inicialização da máquina. Mas, não para aí: existe uma ferramenta da Nero que se propõe a retirar o entulho de entradas do programa no arquivo de registro do Windows, e ele simplesmente não funciona! Eu creio que seria útil limpar o registro antes da próxima instalação, portanto a ferramenta deveria ser revista.

O Nero Platinum 2019 entrou no mercado recentemente, e é muito provável que o programa vá ainda sofrer inúmeras modificações, é só esperar para ver. De modo geral, é uma versão super interessante e deve merecer a atenção de quem quer atualizar ou de quem nunca usou o programa.   Outrolado_

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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