A evolução dos componentes dos computadores mais recentes tem tornado sem sentido aquela antiga obsessão por upgrades

A longevidade dos computadores modernos diminui upgrades

A evolução dos componentes dos computadores mais recentes tem tornado sem sentido aquela antiga obsessão por upgrades. Em termos de home office e falta de proventos, isto não poderia ser melhor.

 

Eu ainda estava morando em Cardiff, circa 1993, quando as revistas de informática anunciaram com grande estardalhaço e de forma bombástica o lançamento do processador Intel 80486. Uma delas se referiu a ele como “The dream machine”, ou a máquina dos sonhos. O preço? Acima de 7000 libras, impossível para alguém como eu morando lá na condição de estudante.

Mas, aconteceu uma perda de mercado dos computadores de marca, e as lojas de montagem começaram a oferecer máquinas mais modernas e mais baratas. Na época, eu tinha um Amstrad com CPU 386SX, lançado em 1993, ao qual eu acoplei um coprocessador aritmético da Intel, o que o tornou bem mais rápido para rodar Word ou Excel no então Windows 3.0/3.1.

Pois bem, com a diminuição de custos nas lojas alternativas, em 1994 eu voltei para casa com um computador todo customizado, com alguns componentes escolhidos por mim, dotado de um processador Intel 486DX2 66, na prática saltando de um clock de 16 MHz para 66 MHz, já com coprocessador aritmético incluído.

O potente 486 deu lugar ao Pentium em relativo curto espaço de tempo. Um dos meus orientadores lá em Cardiff havia me pedido uma ajuda, isso ainda em 1993, para montar um laboratório informatizado. E me colocou em contato com um amigo dele, que trabalhava na Dell, e que me sugeriu uma máquina 486 com previsão para o futuro Pentium, e foram duas dessas que eu mandei comprar e instalar no novo laboratório.

Aqui de volta no Brasil, o que eu encontrei naquela época foi um mercado de informática que era um verdadeiro caos. No Rio de Janeiro, especificamente, os vendedores se agruparam no Edifício Avenida Central, localizado na Avenida Rio Branco (ex-Central), e vendiam tudo na base do conhecido “importabando”. Isso foi possível porque a maioria dos fabricantes de peças não tinha presença no país.

Foi mais ou menos nesta época em que eu me desfiz do 486 e comecei a montar micros com CPUs Pentium. Eu tinha contato com um importador legítimo, e no qual eu tinha confiança de estar gastando o meu dinheiro em peças confiáveis. Mas, infelizmente, um belo dia, este senhor me diz que iria fechar a empresa, porque não tinha como competir com o contrabando dos quiosques do Avenida Central. E se queixou dos módulos de memória falsificados vendidos no comércio clandestino.

Porém, infelizmente também, quando os principais fabricantes começaram a ter presença no país, os preços começaram a subir que nem foguetes, e em alguns casos, sem suporte ao usuário final.

O tempo mudou tudo

Até alguns anos atrás, as dores de cabeça para quem queria montar um micro decente continuaram. Eu tive, infelizmente, pilhas de problemas com o suporte da Asus. Na última e derradeira placa-mãe comprada aqui, que não durou nada, a RMA resultou em uma acusação de oxidação da peça, o que provocou a negativa da troca. Era uma placa ROG Crosshair VI, com processador Ryzen 7 1800X.

Esta não tinha sido a primeira vez que eu tive problemas com placas Asus. A linha ROG (Republic of Gamers) prometia placas melhores, mas os períodos de garantia no Brasil nunca foram honrados.

Foi então que eu resolvi importar em 2019 uma placa Asus ROG Crosshair VII Hero, direto da Amazon US, arcando com custos elevados. E, de lá para cá, não precisei mais trocar placa ROG nenhuma. Coincidência? Até pode ser, mas por muitas vezes eu fiquei com a pulga atrás da orelha, e cheguei a me arrepender de ter abandonado as linhas da Intel, que anteriormente, nunca me deram qualquer tipo de problema em placas-mãe!

Para sorte minha, a Crosshair VII que eu recebi de cara aceitou uma CPU mais nova, sem precisar dar partida em um BIOS atualizado. Então, a instalação foi moleza. E com as seguidas atualizações de BIOS, 13 contando com a mais recente, a placa que hoje já ficou para trás em termos de chipset, continua estável e confiável. Se eu precisasse troca por uma CPU mais nova, estaria coberto.

No tempo devido, eu atualizei a CPU, passando de uma Ryzen 7 2700X para uma Ryzen 9 3900X, e parei por aí. Também troquei todos os drives de apoio, saindo dos rotativos para os de estado sólido. O resto ficou como estava.

A mudança de drives é consistente com o aperfeiçoamento nos respectivos barramentos, sem necessidade de trocar o chipset por outro mais atual. No caso, eu até poderia ter comprado uma placa com chipset X570, mas diante da presença de uma ventoinha na placa-mãe eu desisti por causa de traumas antigas nas arquiteturas de placas-mãe, e preferi o X470, uma geração para trás, que trabalha bem com tubos de calor.

A mudança para drives sólidos compensa. Por exemplo, a velocidade de um dos meus drives SSD (Samsung 850 EVO, de 1 TB), com o devido caché ativado, atinge velocidades inacreditáveis de leitura e escrita, como aquelas medidas pelo Crystal DiskMark, mostrada a seguir:

 

 

 

Na carga de trabalho atual, eu às vezes me lembro dos tempos em que a troca de hardware era quase que obrigatória. Os americanos usavam para tal um termo jocoso de “upgraditis”, uma espécie de doença que consistia na obsessão de trocar de hardware a todo momento. Isto hoje talvez se aplique aos chamados “gamers”, certamente não a usuários como eu.

Com o hardware mais atual, eu creio que a troca se fará somente quando necessária. Se, no dia a dia, as operações de rotina são eficientemente executadas, a gente se pergunta se vale a pena insistir com qualquer tipo de mudança ou recurso, a não ser de algum programa.

Às vezes o investimento simplesmente não compensa

Quem tem dinheiro à rodo para gastar, e acha que está fazendo um bom investimento, a hesitação é bem menor, caso contrário a recíproca passa a ser verdadeira.

Eu hoje, por coincidência, recebo uma propaganda do lançamento da Apple do que parece ser muito atraente, o novo iPad Pro, com processador M1, super moderno.

Mas, notem bem, trata-se de um tablet. Se alguém quiser investir no modelo completo, salta de 14.799,00 (que já é absurdamente caro) para nada mais nada menos do que cerca de 30.000,00 reais.

 

Tecnologicamente, é quase inquestionável que o produto só pode ser de alta qualidade. Eu tenho um Apple TV, acho excelente. A Apple, com todos os seus vícios de impossibilidade de trocar componentes que não sejam os deles, ainda é uma marca que, normalmente, inspira confiança. Mas, tudo isso por um tablet?

A mudança de confiabilidade e performance nas plataformas operacionais modernas tenho certeza de que diminuiu aquela antiga obsessão de upgrade. A gente vira o dia sem sequer notar que tem alguma coisa faltando. Pelo menos comigo tem sido assim. E, em tempos de escassez financeira e necessidade de trabalho em casa (nos home offices), este avanço sem consumo não podia ser melhor!  Outrolado_

 

. . .

 

Os tubos de calor nos nossos computadores e sistemas

 

Aperfeiçoamento operacional na memória cache

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “A longevidade dos computadores modernos diminui upgrades

  1. Olá Paulo a muito tempo não comento artigos de informática. Talvez isso se deva por estar abandonando o tradicional padrão PC-XT/laptop, e adotado os tablet’s em seu lugar. Mas é lógico que ainda precisamos desses tipos de máquina para algum trabalho ou programa específico, e que um notebook (mais prático) daria conta do recado. Recentemente tive uma experiência de tentar substituir meu “netbook” antigo (Intel Atom z8350) por um tablet. O problema são (como você mencionou) os preços exorbitantes. Acabei encontrando um aparelho que a princípio desconfiei em tudo de sua simplicidade, mas para uso diário o bichinho não decepcionou. Trata-se de um modelo da Samsung com uma modesta CPU Snapdragon 662, e apenas 3Gb de Ram. Nesse caso é só desinstalar o que der dos Bloatwares, e instalar só o que vai precisar, que esse tablet dá conta do recado. Acho que a fase da plataforma pc-xt/notebook, ficará restrita apenas a área corporativa. Hoje se você quiser montar um PC desktop decente, vai gastar uma bala, e terá que adotar os chips da AMD Ryzem que estão cada vez mais caros, aí vem também a questão de usar uma boa placa mãe, pentes de memória, HD SSD, placa de vídeo off-board… e por aí vai. Quando for por tudo na ponta do lápis, o orçamento não dá para o bolso de assalariados. Mas como dizem, se for investir em um notebook, esse pc nunca sairá daquilo, ou então se opta por tablet’s intermediários, que no fim dará na mesma dos notebook, mas sairá mais em conta. É o que sobrou Paulo, infelizmente. Abração.

    • Oi, Rogério,

      Você tem toda a razão. Eu precisei ajudar a minha filha, que precisava de um notebook para o trabalho dela, e tive que ficar dias pesquisando a melhor relação custo/benefício, no que tange ao hardware e ao suporte. Com a pandemia os preços estão exorbitantes e a gente que precisa do equipamento à deriva! E no caso específico de notebooks é preciso ainda pensar a longo prazo, porque é virtualmente impossível fazer modificações posteriores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *