A marca da Mesbla copiada no interior

Depois de 20 anos a marca ainda pulsa

A marca copiada encontrada no interior não deixa de ser uma homenagem à Mesbla, que brilhou no século passado até encerrar as atividades em 1999.

 

Quando há boas experiências ligadas à determinada marca e ambiente, a lembrança positiva sempre responde, não importa quanto tempo passou.

No centro comercial de uma cidade do interior vi uma loja com esta marca estampada na parede, logo abaixo do céu azul.

Imagens acionam lembranças e sensações. No mesmo instante em que percebi que a marca da loja – Mescla – é claramente copiada de Mesbla, também vi poeticamente uma homenagem à grande rede nacional que nos anos 80 chegou a ter 180 lojas daquelas bem grandes e empregar 28.000 pessoas.

Eu já sabia que a antiga Mesbla começou no centro do Rio de Janeiro em 1912, filial de uma firma francesa, e se tornou independente, vendendo de quase tudo, de roupas a barcos e automóveis, sempre com elegância.

A Mesbla Passeio, no Rio de JaneiroAté que nos anos 80 o meu caminho diário para o trabalho passava em frente ao Edifício Mesbla, patrimônio histórico e art déco da cidade.

Lá dentro ficava a loja, com amplos salões, bons produtos e design.

Duas compras feitas lá foram marcantes para mim: o meu primeiro baixo, um Giannini vermelho, no estilo do Fender Jazz Bass, que pena que eu não o tenho mais.

jaqueta marrom que ficou pequenaA outra foi um casaco de couro marrom escuro, que tenho até hoje mas pena que não me serve mais. Não fecha na barriga, que tristeza.

Durante uns bons anos no caminho para o trabalho, muitas vezes tirei uns minutos para ver os produtos pelos salões no andares e a vista bonita do restaurante do último andar.

jazz bass vermelhoA melhor lembrança que tenho da Mesbla foi quando comprei o meu primeiro baixo. É parecido com este da foto.

Passei um bom tempo namorando a seção de instrumentos musicais, que ficava em um dos andares mais altos. Testei os baixos que estavam lá, que não eram muitos.

Sabia que seria uma boa compra. Boa até demais para o estágio em que me encontrava. Com emoção escolhi o vermelho, contrariando minha habitual discrição.

Depois de ajustes na altura das cordas, ficou ótimo o instrumento. Era um baixo bonito, que de longe chamava a atenção. Com ele comecei a aprender a tocar nas primeiras bandas. Alcancei grandes avanços, começando do zero. E não fazia a menor ideia do que viria a seguir nos anos seguintes.

Com o tempo e algumas bandas depois, troquei o vermelhão por um baixo americano, Kramer, bem diferente, com estrutura do braço em alumínio, que me acompanhou por mais um tempo, em uma fase nova e inesperada.

Mas esta é outra história, que fica para outro dia e vamos em frente.

De volta à parede branca contra o azul do céu de uma cidade do interior, ao ver a marca copiada me fez passar tudo isso em um segundo na minha cabeça.

Associamos lembranças e emoções às marcas e elas ficam gravadas mesmo depois de 20 anos que a empresa encerrou.  Outrolado_

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Vicente Tardin é editor, jornalista, gestor de conteúdo e consultor para projetos online. Foi o criador dos sites WebWorld (1997) e Webinsider (2000).

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