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A Internet móvel 5G está chegando e com ela as controvérsias de sempre

A chegada da Internet móvel de quinta geração (5G) parece inexorável e vem acompanhada uma forte campanha contra o seu uso.

 

A Ciência para ter credibilidade precisa ser fortemente ancorada na prova irrefutável e conclusiva de uma premissa. O que se convenciona chamar de “Método Científico” é um processo onde inicialmente se levanta uma hipótese de que algo observado pode ser verdadeiro ou falso, e a seguir esta hipótese é testada e os resultados estatisticamente analisados.

Como os testes estatísticos se referem a diferentes níveis de significância, o método estabelece como padrão o nível mínimo para se afirmar que a hipótese é falsa ou verdadeira. E só então esses dados podem ser publicados, para que observações similares possam ser comparadas. Até a observação se transformar em fato, um longo caminho será percorrido!

A Internet móvel de 5ª geração, conhecida pelo acrônimo “5G”, está chegando. Neste momento, os ativistas de plantão estão veementemente condenando a chegada que agora se apresenta, começando pela presença nefasta da implantação de torres para comunicação da Internet, consideradas poluentes ambientais.

Se dependesse dos grupos contrários à mudança dessa tecnologia, o formato 5G seria banido, não importam quais os seus benefícios para se conseguir uma Internet móvel mais rápida.

Curiosamente, as operadoras e os fabricantes de celulares do mundo todo propositalmente ignoram as alegações contra o 5G e já estão anunciando testes em torres improvisadas. Há pouco, eu recebi um anúncio da Motorola (marca que eu uso), dizendo que estes testes estão em andamento, sem esclarecer como. Aparentemente, uma faixa de frequência da transmissão 4G está sendo usada para esta finalidade. A faixa definitiva tem que ser estabelecida pela Anatel, depois de incontáveis disputas.

A base controversa das queixas sobre o 5G

Depois que algumas das suas especificações foram divulgadas, sabe-se que o 5G transmite sinais de rádio na faixa das micro-ondas, como mostra esta ilustração da C/Net:

 

Como se pode ver, esta faixa de frequência fica no espaço de radiação não ionizante, que é aquela cuja energia é, teoricamente, incapaz de produzir iontes (partículas dotadas de energia elétrica), que são necessários à produção de diversos tipos de doença. A ilustração do Wikipedia, a seguir, mostra melhor esta divisão:

 

Mesmo na faixa espectral supostamente inócua, diversas entidades de saúde no mundo todo estabelecem limites de níveis de radiação, para se evitar que doenças sejam produzidas! Isso porque não é só a faixa espectral que tem influência patológica, a amplitude (intensidade) de transmissão da onda é muito pior na produção de doença.

Ativistas reclamam que esses níveis são muito baixos e, portanto, enganosos. Enquanto que seus opositores afirmam que os níveis estão dentro de uma margem de segurança para organismos vivos.

Qualquer nível de radiação, em qualquer faixa de frequência do espectro, é potencialmente lesivo, basta ficar no sol a pino da praia, em tempo prolongado e sem proteção de um filtro solar adequado para saber disso. A radiação solar sem proteção é capaz de induzir uma pessoa a produzir o conhecido câncer de pele, que é muito perigoso.

Por outro lado, fica a pergunta no ar, ainda sem resposta, se o mesmo raciocínio se aplica a todos aqueles que ficam literalmente grudados no celular o dia todo, e se isso de fato pode causar doença. Grupos de cientistas afirmam que sim, mas aí entram as premissas do método científico, que exige que mais testes precisam ser realizados, quando um deles entra em disputa de confiabilidade.

Para se ficar doente por culpa de algum agente poluente, os fatores ambientais são determinantes. Exemplos banais do nosso dia-a-dia mostram como isso é verdadeiro, no campo da emissão de radiação:

A radiação ultravioleta (UV) tem comprimento de onda baixo, sendo perfeitamente capaz de penetrar na pele do ser humano. Durante muito tempo, a medicina convencional recomendava o “banho de luz” para curar doenças infecto contagiosas, que consistia em deixar o paciente deitado exposto à luz UV. Se a radiação UV pode curar, ela pode também induzir a formação de células cancerígenas, tudo depende da intensidade da radiação e do tempo de exposição a ela.

Também a radiação na faixa do infravermelho (IV) pode ser inócua, mas pode queimar a pele da pessoa que é exposta a ela. Por motivos de segurança deve-se evitar ir à praia no horário próximo do meio-dia, quando a radiação do infravermelho é mais intensa. Queimaduras de praia são comuns em pessoas com baixo nível de melanina na pele.

Tudo isso mostra que, em tese, qualquer radiação pode ser potencialmente lesiva, e que os limites dos organismos de saúde podem não ser seguros. Por outro lado, não basta só reclamar que uma dada radiação é lesiva, é preciso, antes de mais nada, provar como e em que nível o ser humano será afetado!

Sem celular ou Internet quase ninguém mais vive

O problema de todas as gerações de comunicação até hoje formuladas, como 3G ou 4G, esbarra na necessidade de acesso a dados pelo telefone celular. Já faz tempo em que não se consegue, por exemplo, um usuário acessar a sua conta bancária sem um aplicativo do seu banco.

Independente dessa necessidade, as pessoas de todas as idades vivem grudadas no telefone. Em consequência, o uso indiscriminado e ubíquo do telefone celular varia entre o insano e o necessário. Filmes de cinema já transformaram essa insanidade numa piada ou anedota. Recentemente, a comédia Jexi mostra a perseguição da assistente on-line perseguindo um usuário aficionado:

 

 

Fantasias à parte, o fato é que todos dependem do celular, e não existem estatísticas concretas, as quais eu tenha conhecimento, de que este uso insano tenha tido qualquer repercussão na produção de doenças graves, a não ser aquelas relativas ao espírito humano.

Infelizmente, o uso indiscriminado dos celulares mostra evidências do modo como a humanidade caminha: se você nunca usou, nunca dependerá de um, a não ser que seja forçado a fazê-lo. Por outro lado, uma vez dependente de uma tecnologia ou objeto, como a do celular, vai ser complicado se livrar do hábito de uso.

Campanhas deveriam fazer parte de uma realidade e não de um credo

Pessoalmente, eu acho imprudente, imaturo e irresponsável grupos de pessoas levantarem bandeiras sem embasamento em fatos concretos. Ativistas reclamam que as radiofrequências podem causar danos ao DNA e produzir câncer, e/ou aumento de radicais livres e dano oxidativo em células e tecidos, aumento na indução das proteínas de estresse. etc. Sem provas conclusivas essas campanhas ficam restritas ao “li ou ouvi falar que”.

Como o assunto é controverso, e discutido por cientistas e entidades, vai-se ver até onde esta disputa chega em algum momento, e se o 5G chega para ficar mesmo, ou vai ser levado ao ostracismo e ao cemitério da tecnologia. Diante da pressa das operadoras, acho que é pouco provável que o 5G venha a ser abandonado.

Internet mais rápida não é somente luxo de quem tem pressa. Ela é importante no processamento de dados a distância, base na qual ela foi formada.

Convenhamos, a Internet neste país ainda fica muito a desejar, com travamentos até mesmo nas conexões com sincronismo elevado. Ignorar qualquer avanço contra o atraso dos provedores é uma atitude temerária, a não ser que se confirmem as suas previsões mais pessimistas! Outrolado_

. . .

Imagina então quando chegar o 5G

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

4 comentários sobre “A Internet móvel 5G está chegando e com ela as controvérsias de sempre

  1. Prezado Paulo você escolheu super bem esse tema, afinal depois da ampla divulgação na mídia por parte da Claro (primeiramente), e da Vivo (dias depois), o assunto 5G virou a cereja do bolo. Mas… de acordo com técnicos aqui do trabalho, me revelaram que isso irá se tornar um enorme imbróglio, tanto para as operadoras de telefonia, como a Anatel, pelo seguinte motivo:
    A banda 5G no Brasil para ser implantada em todo território nacional haverá necessidade de desligar ou mudar toda banda C de transmissão das antenas parabólicas, pois tanto o 5G como a banda C trafegam no mesmo espectro de frequência… E aí como ficam os milhares de municípios pelo Brasil, que até a presente data ainda não recebem o sinal da TV Digital, bem como seus milhares de moradores que tem no defasado sistema de antenas parabólicas, a única opção de receber sinal de TV ? Paulo você percebeu que só estão liberando o sinal 5G nos grandes centros, e em bairros nobres ? Isso se deve ao fato de evitar problemas com as parabólicas ! Outro detalhe, a Claro e a Vivo para colocar em operação esse sistema hibrido do 5G, tiveram que apelar para uma “gambiarra” para compartilhar a banda do 4G. Só no Brasil assistimos essas coisas… Afff !

    • Oi, Rogério,

      Eu também soube da gambiarra e da intenção de espalhar sinal somente nos grandes centros e apenas em alguns bairros.

      Também acho que no caso brasileiro, esta implantação promete dar muita confusão, mas tudo indica que será feita, de um modo ou de outro. Ontem, eu recebi o aviso de uma empresa do nordeste anunciando que vai operar com 5G para testes. Então, tudo faz crer que operadora nenhuma irá se conter neste tipo de empreitada, independentemente de potenciais riscos.

      Por outro lado, eu acho profundamente lamentável que os celulares atuais estejam sendo vendidos com o preço nas alturas. Eu reclamei com a Motorola, de quem sou cliente, por ter recebido uma oferta do modelo Edge+ por 8000 reais. E eu que andava pensando em trocar o meu aparelho, dei dois passos para trás.

      • Em relação aos aparelhos, eu já havia notado que a Motorola é a única no momento que dispõe de um modelo 5G para a venda imediata, mas com a chegada de um modelo da Xiaomi prometido para chegar até novembro (na faixa de R$ 2000 mil), a outras empresas vão lançar modelos mais em conta, agora o melhor negócio é esperar, pois esse assunto promete.

        • Esperar sim, concordo totalmente. Os britânicos têm um hábito de dizer “esperar para ver” (“wait and see”), em casos onde a confusão ou a complicação tomam conta, e eu endosso o que eles pensam, ainda mais em um país onde certas decisões são cercadas de lobistas.

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