Seriado Lucifer chega à 5ª temporada

Seriado Lúcifer resiste ao encerramento

O seriado Lúcifer abre a 5ª temporada no Netflix e por enquanto não há indício de que será exibido em outro lugar. Os episódios ganham qualidade técnica e ousadia temática, com a introdução de novos personagens.

 

Cancelado pela Fox por volta de 2018, se não me engano, o seriado “Lúcifer”, estrelando o ator galês Tom Ellis no papel-título, conseguiu ganhar vida nova no serviço de streaming Netflix.

Quando o cancelamento foi anunciado, os fãs fizeram uma campanha de protesto. Com isso, a quarta temporada foi produzida pelo Netflix. A quinta temporada começou esses dias, com aprimoramento de imagem por Dolby Vision em resolução 4K, para quem tem equipamento compatível. A sexta temporada ainda não foi anunciada.

Uma parte do público que reagiu ao cancelamento da série declara que se acostumou a ouvir o ator Tom Ellis falar “Detective”, ao se dirigir à sua parceira da polícia. Parece até um argumento bobo, mas tem a sua razão de ser.

O ator usa a expressão idiomática popular britânica “Bloody Hell, ao reclamar de alguma coisa em cena. O uso da expressão, aparentemente introduzido na fala como “caco” por ele mesmo, mostra a ironia da chateação do diabo com o sofrimento imposto por ele mesmo.

As ironias do seriado e do personagem

As religiões cristãs em geral, e em particular a Igreja Católica, veem em Lúcifer a figura do diabo, que induz as pessoas a fazer o mal, de uma forma ou de outra. Lucifer é o “anjo da luz”, que se rebelou contra Deus, e foi castigado por Ele para viver no inferno. Ele é o que se poderia chamar de “personificação do mal”, segundo os conceitos do cristianismo.

No seriado, entretanto, Lucifer Morningstar (outra alusão ao texto bíblico), é uma cara legal, foi viver na terra para se divertir, mas acaba indo atrás de criminosos, para puni-los. Para tal, consegue se aliar à detetive Chloe Decker, a qual não cansa de atazanar, fazendo jus à sua fama!

A ideia de que Lúcifer desceu direto para Los Angeles é brilhante, em função da má fama que esta cidade ganhou ao longo do tempo.

 

Na frente de Chloe, Lúcifer fica vulnerável, dando indícios de que ele se sente atraído por ela. O preceito de vulnerabilidade do homem forte na frente de uma mulher que ele deseja é um velho conhecido nosso, e inclusive cantado por Mario Reis na música “Gosto que me enrosco”, quando diz, e eu cito:

Gosto que me enrosco de ouvir dizer
Que a parte mais fraca é a mulher
Mas o homem, com toda a fortaleza
Desce da nobreza e faz o que ela quer

A sabedoria popular, nossa ou a de outros países, tem enorme valor cultural, e este seriado se aproveita disso.

A estratégia de roteiros dos seriados norte-americanos é a de colocar homem e mulher em posições antagônicas, irritando um ao outro, ao mesmo tempo em que uma tensão sexual se forma ao redor, prenunciando que em algum momento os dois vão ficar juntos. E aqui, acreditem, não vai ser diferente, quem assistir verá.

O antagonismo entre Lúcifer e a detetive é óbvio: ele devasso e sem censura, e ela o oposto, controlada pelo superego. Na temporada anterior, ela consegue ver a verdadeira face de Lúcifer, mas isso não a impede de ficar junto dele mais adiante.

Este seriado como um todo contradiz os preceitos Católicos, mostrando Lúcifer como um humano íntegro às suas convicções. E o personagem não induz ninguém a fazer nada, ele apenas constata os erros de conduta dos seres humanos e os pune por isso. Seria assim ele se torna uma espécie de justiceiro, e portanto muito simpático aos olhos da plateia.

Mudança de qualidade na apresentação

Se exibido por uma rede de TV qualquer o seriado não iria se beneficiar dos seus principais atributos físicos das últimas temporadas: a captura por câmera digital Alexa, resolução nativa de 4K, e HDR com Dolby Vision.

A 5ª temporada mostra uma imagem, a meu ver, de alta qualidade. Infelizmente, só irá se beneficiar dela quem tiver condições de reprodução por aplicativo e sistema adequados.

No áudio, o som, em formato 5.1, não usa codificação Dolby Atmos, e me parece que não haveria necessidade, em função do número alto de diálogo entre os personagens e quase nenhum efeito sonoplástico.

O elenco parece que se diverte, e é natural que assim o seja, porque “Lúcifer” se propõe a ser uma comédia mesmo, com toques de suspense e mistério, necessários para manter a atenção dos seus espectadores.

É possível que a sexta temporada, já anunciada, seja de fato a última, como já anunciado, pois afinal todo seriado sofre inevitáveis desgastes com o tempo de exibição. Entretanto, eu não ficaria surpreso se o seu grupo de fãs volte à mídia para protestar contra! Outrolado_

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “Seriado Lúcifer resiste ao encerramento

  1. Olá Paulo, só passando aqui pra um próximo artigo que você possa escrever. É sobre a saída da Sony em nosso país. Perdemos mais uma opção de compra e de concorrência ?

    • Oi, Lee,

      Eu coloquei na pauta um texto sobre o PlayStation 5, onde eu faço comentários sobre, entre outras coisas, o fechamento da fábrica de televisores da Sony. Os PS5 estão em pré-venda, custam caro e são importados. Se vamos perder a linha de televisores deles, acho que ainda é muito cedo para saber. Mas, de resto, este país está em uma claríssima recessão de mercado eletroeletrônico e de outros produtos mais caros. Deixaram o dóla disparar sem controle, o resto eu não quero nem comentar.

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