HDMI 2.1: o que há novo e o que não muda

As TVs e outros equipamentos mais recentes já estão usando a conexão por HDMI com o novo protocolo 2.1 e o usuário final ainda não sabe bem o que há de novo.

 

A conexão entre equipamentos de áudio e vídeo encontrou nas interfaces HDMI uma forma de transmitir sinais de alta definição sem supostamente comprometer a segurança contra cópia do conteúdo. Foi por causa disso, inclusive, que o sinal de HDTV de 1080i transmitido anteriormente por vídeo componente passou a ser bloqueado e somente liberado a partir de resolução mais baixa, no caso 480 linhas.

As especificações da nova versão de protocolo para a versão 2.1 estão disponíveis para quem quiser tomar conhecimento das modificações. Basicamente estas modificações se referem principalmente a uma maior largura de banda de transmissão de sinal (48 Gbps) e a um sinal de vídeo com 8K de resolução.

No meu vídeo log sobre Tecnologia de Displays eu faço uma menção a esta nova versão, e aproveito para extrair deste vídeo o slide original contendo esta informação:

Observem que na versão 2.0 as especificações técnicas são, na prática, perfeitamente confortáveis para a transmissão de sinal 4K entre equipamentos compatíveis.

Entretanto, há uma recomendação explícita de uso de cabo HDMI “Ultra High Speed” para o novo protocolo:

 

 

E antes que o leitor fique preocupado com isso, eu vou logo mencionando que cabos certificados honestamente como “High Speed” atualmente usados funcionarão sem maiores problemas. Isto porque a diferença entre ambos se resume ao aumento de blindagem (isolamento do cabo à ruídos) e não à pinagem.

É bastante possível que algum cabo vendido como “High Speed” ou “Ultra High Speed” possa não transmitir sinal de vídeo 8K corretamente, isto porque o consumidor nunca sabe em que condições esses cabos são testados!

No passado, a própria HDMI.ORG atendeu a apelos dos usuários e recomendou aos fabricantes de cabos nunca informar na embalagem a versão dos protocolos, como 1.4, 2.0, etc., porque esta especificação não tem correlação direta com a transmissão do sinal, e sim a categoria, como por exemplo, “High Speed”, se devidamente testada e garantida como tal. Os protocolos propriamente ditos se referem à programação das interfaces do transmissor e do receptor somente.

Me engana que eu gosto

Ora bolas, há séculos que se vem comentando pela Internet afora o que todo mundo envolvido com este tipo de tecnologia já sabe a respeito das conexões HDMI:

Um deles se refere à ausência inicial de correção de erros, tratando-se de uma transmissão serial, que está teoricamente errada. Notem que nas conexões com DisplayPort esse problema foi corrigido, mas infelizmente eu nunca vi uma TV usando este tipo de conexão, somente em monitores para computador.

Desde longa data a prática tem demonstrado a fragilidade da transmissão de dados por cabos HDMI, sendo frequente a interrupção extemporânea de transmissão de sinal, sem que o usuário consiga saber por que. E nesses casos, a solução é, geralmente, resetar o transmissor e/ou o receptor de sinal, desligando ambos os equipamentos por completo, para então restabelecer a conexão pretendida.

A chamada proteção contra cópia pretendida só ilude a quem não conhece a miríade de métodos para fazer cópia de qualquer mídia. A obediência cega ao HDCP, na realidade, só serve mesmo é como obstáculo e empecilho desnecessário para a reprodução de mídia!

Testes preliminares com a interface HDMI 2.1

Eu usei uma TV LG OLED modelo 65C1PSA para fazer algumas observações iniciais com a nova interface. Segundo especificações, esta TV possui 4 entradas HDMI 2.1, nas quais eu conectei 4 equipamentos com 4K de resolução e saída HDMI 2.0.

O sistema operacional da TV (WebOS versão 6.0) trabalha com um processador α9 Gen4 IA 4K, que é de 4ª geração, com algoritmos de inteligência artificial para uma resolução 4K, e com varredura de até 120 Hz.

Ligando os equipamentos individualmente o sistema operacional reconheceu e ajustou a entrada para 4K @ 60 Hz. A gama de cores também foi reconhecida automaticamente, muito embora houvesse a liberdade de fazer qualquer modificação neste ajuste.

A propósito, quando se liga uma TV pela primeira vez é habitual o usuário mais experiente fazer ajustes finos posteriores. Neste caso, os primeiros ajustes e a compatibilidade de sinal obtida provaram inequivocamente que todas as conexões funcionaram como deveriam, não havendo assim qualquer obstáculo à correta reprodução de sinal entre as interfaces 2.0 e 2.1.

O processador α9 é anunciado como aperfeiçoado no quesito upscaling, e de fato eu fiquei surpreso de ver a qualidade da imagem ao reproduzir pela primeira vez um DVD (480i), não só em resolução, mas em reprodução de cores também. Bem verdade que a fonte de sinal deste DVD era um Oppo UDP-203 UHD, mas eu já uso este reprodutor há anos, e nunca vi um resultado igual.

A TV é preparada para jogos (que novidade…), podendo aumentar a varredura se necessário. Como eu não jogo, não pude fazer qualquer teste, mas os interessados poderão vê-los em vários vídeos do YouTube se desejarem.

Vários críticos pela Internet acham a versão 2.1 um embuste. Eu, sinceramente, não chegaria a tanto. Até porque são poucas as fontes de sinal 8K disponíveis para se saber qualquer coisa nova a respeito das conexões HDMI 2.1. O que se precisa saber hoje é se o receptor do sinal (TV) vai ser estável o suficiente para não criar problemas no lado do usuário final.

Como sempre, e quem acompanha os meus textos já sabe disso, eu recomendo o uso de cabos HDMI de alta velocidade, somente de boa qualidade. Grande parte dos problemas de conexão enfrentados já serão resolvidos só por esta iniciativa!  Outrolado_

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Conectores para vídeo

 

Prós e contras das conexões HDMI HDMI

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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