Cinema Metro Tijuca

A glória dos cinemas Metro no passado do Rio e São Paulo

Antigos palácios em construções magníficas, operados por técnicos competentes garantiram o bom andamento das sessões, por anos a fio, sem falhas na projeção ou no som, até que fecharam as portas em definitivo.

 

Texto elaborado com a colaboração de Ivo Raposo

A gente hoje vai a um cinema multiplex, salas bem projetadas, todas computadorizadas, e parece que tudo anda bem, até que alguma coisa dá errado. Uma vez, eu estava na plateia de um deles, quando o filme se partiu, e só depois de uns vinte minutos mais ou menos, já com o gerente pedindo paciência às pessoas, é que tudo voltou ao normal.

Para quem era frequentador dos antigos palácios, a ida aos multiplex evoca uma mistura de sentimentos: as salas atuais são “frias”, não só pelo exagero do ar condicionado, como também pela ausência do clima e do ambiente que fizeram das grandes salas do passado o seu principal atrativo.

Além disso, alguns dos antigos palácios eram não só construções magníficas, como também eram operadas por técnicos cuja competência iria garantir o bom andamento das sessões, por anos a fio. E foi dentro deste escopo que os cinemas construídos pela M-G-M se notabilizaram por décadas, sem falhas na projeção ou no som, até que eles encerrassem suas portas em definitivo. Um resumo desta história é mostrado a seguir:

As salas de exibição da Metro

Não há quem tenha entrado pela primeira vez num dos antigos cinemas Metro e não tenha ficado surpreso com a qualidade técnica e com o ambiente de alto nível, do hall de entrada até a saída. E, no entanto, eram cinemas populares, no sentido de quem ninguém pagava mais caro pelo ingresso, para ter acesso às suas dependências. Certamente muito mais acessíveis ao bolso do que os multiplex de hoje, e ainda assim eles ganhavam em superioridade em todos os quesitos.

Muitos estúdios norte-americanos que por aqui marcaram presença não repetiriam a façanha de criar a sua própria cadeia de cinemas, como o fizeram nos Estados Unidos. Ao invés disso, preferiram criar parcerias com os exibidores locais, e no caso específico da M-G-M, esta parceria se concretizou inicialmente com o exibidor Severiano Ribeiro, no Rio de Janeiro. Ou ainda, como no caso paulista, onde o estúdio arrendou vários cinemas, a partir do fim da década de 1920.

Mas, isso aconteceu até o momento em que a empresa controladora do estúdio, Loew’s Inc., começou a construir cinemas no mundo todo, para escoar a grande produção de filmes da M-G-M. Em Nova York, o arquiteto escocês Thomas White Lamb já havia tomado a iniciativa de construir grandes palácios para projeção dos filmes da Loew’s, mas no Brasil a construção dos cinemas Metro ficou por conta dos escritórios de Robert R. Prentice e do engenheiro arquiteto e urbanista Adalberto Szilard. Para se ter uma ideia hoje do trabalho de Szilard, basta ver a arquitetura arrojada do prédio da Central do Brasil, construído em 1937, no Rio de Janeiro, com o seu enorme relógio, que foi tema até de letras de música popular.

A contrapartida e a excelência do estúdio

A Metro-Goldwyn-Mayer foi dirigida com mão de ferro por Louis B. Mayer, durante muitos anos, até que, em 1951, o homem forte da Loew’s, Nicholas Schenck, que controlava o estúdio, demitiu L. B. Mayer, depois de uma disputa pessoal de poder entre ambos, e entregou a chefia da M-G-M para Dore Schary. Ao contrário de Mayer, Schary era muito mais um escritor e cineasta, do que administrador. Mesmo assim, o estúdio continuou durante anos com um formato de produção capaz de colocar na tela filmes de alta qualidade.

O que tornou a M-G-M um estúdio singular foi o fato de a grande maioria dos filmes seguia códigos de produção, impostos por Mayer, que impediam que mesmo os projetos mais baratos ou menos importantes tivessem o melhor acabamento possível.

O estúdio era dividido em departamentos e estes em unidades. Tinha também um dos melhores locais para a gravação de trilhas sonoras (usado até hoje por gravadoras de audiófilos em alguns projetos), e uma coleção invejável de músicos, compositores e arranjadores.

O estúdio não tinha medo de experimentar novos formatos, e foi assim que a Metro realizou filmes em CinemaScope (formato da Fox), VistaVision (formato da Paramount), Cinerama e no final Super Panavision 70, usado para o Cinerama 70 mm ou Super Cinerama. Não produziu, mas exibiu filmes em 70 mm pelo processo em Dimensão 150, similar ao Cinerama 70.

Quando a produção em bitolas largas ainda era incipiente, a Metro desenvolveu o processo Camera 65, para negativo 65 mm, capaz de ser convertido para cópias de distribuição 35 mm, em vários aspectos de tela diferentes. Através deste processo, a MGM filmou “Raintree County”, em 1957, e “Ben-Hur” em 1959, o segundo dos quais foi depois re-lançado em 70 mm em alguns cinemas. Ambos os filmes foram distribuídos e exibidos em CinemaScope, para atender à maioria dos exibidores da época.

O estúdio foi também um dos poucos que abraçou o som estereofônico, num estágio bem precoce de produção. Em muitos casos, quando ainda nem o som estéreo nem a alta fidelidade eram processos técnica e comercialmente estabelecidos, as gravações eram feitas em pistas separadas, óticas se necessário, o que ajudou posteriormente os preservacionistas no trabalho de recuperação do áudio original dos filmes antigos do estúdio e até mesmo recriar trilhas sonoras inteiras.

A Metro usou tanto o som estereofônico de 4 canais do CinemaScope (3 canais na tela e 1 surround mono), quanto o processo Perspecta. Este último era um pseudo-estéreo, derivado do som mono ótico dos filmes, e controlado por tons inaudíveis inseridos na trilha, que faziam a troca momentânea e direcional em três canais atrás da tela.

A construção dos cinemas no Brasil

O primeiro Metro a ser erguido foi o Metro-Passeio, situado na Rua do Passeio 62, no Centro do Rio de Janeiro. A sala foi inaugurada em 1936, com 1821 lugares, tendo passado para 1481 poltronas posteriormente. O Metro-Passeio foi também a primeira sala de grande porte dotada de ar condicionado, chamado pela empresa de “ar de montanha”, num pequeno outdoor na porta de entrada. O edifício e a decoração interna foi toda feita em art déco, com motivos decorativos que iriam influenciar a construção de muitas salas de exibidores concorrentes.

A seguir, Prentice e colaboradores construíram e inauguraram em São Paulo, um cinema Metro, com formato e decoração idênticos ao Metro-Passeio. A sala abriu em 1938, localizada na Avenida São João 791, centro da cidade.

O ano de 1941 veria o aparecimento dos cinemas Metro-Copacabana e Metro-Tijuca, localizados em regiões que iriam abrigar o maior número de cinemas de bairro.

O Metro-Tijuca foi inaugurado em 10/10/1941, obra de Adalberto Szilard, com 1785 lugares, enquanto que o Metro-Copacabana, abriria em 05/11/1941, com 1708 lugares. O primeiro estava localizado na Praça Saens Peña, mais especificamente na Rua Conde de Bonfim 366, e o segundo, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana 749.

Os detalhes das instalações

As semelhanças arquitetônicas entre os vários cinemas Metro chegam a ser impressionantes. Todos os cuidados foram tomados, no sentido de fornecer ao espectador o maior conforto e o melhor desempenho técnico possível.

Um dos detalhes que mais fascinam, fora as linhas verticais do design art déco, é a instalação do ar condicionado: as saídas para a plateia foram colocadas de forma discreta, bem atrás da decoração do cinema, e as saídas de escape do ar colocadas embaixo das poltronas, sem que o espectador percebesse.

Coincidente com o ano de inauguração do Metro-Passeio foi a introdução do sistema de alto-falantes conhecido como “Shearer Horn”. Até então, as caixas acústicas colocadas atrás da tela tinham pouca ou quase nenhuma fidelidade. Douglas Shearer, do departamento de som da M-G-M, uniu-se ao laboratório da Bell Telephone, para fazer um projeto de pesquisa, com o objetivo de melhorar a reprodução de som nos cinemas. Shearer não hesitou em financiar o projeto, que foi encabeçado pelo engenheiro John Williard, da Western Electric.

O novo design, cujo protótipo ficou pronto em 1935, foi colocado em produção, para instalação nos cinemas da Loew’s Inc. e da Metro.

O protótipo do Shearer Horn consistia de quatro alto falantes Lansing (depois JBL), de baixa freqüência (woofers), modelo 15XS, dentro de um sistema de cornetas. O design sofre modificações, para um modelo contendo dois woofers, e em cima da caixa, uma corneta multicelular, de alta dispersão e eficiência para médios e agudos. O corte entre o woofer e esta corneta fica em 500 Hz. A caixa responde entre 40 Hz a 10 kHz, a ± 2 dB, o que era suficiente para a qualidade de som gravado na época.

 

A introdução do Shearer Horn (acima) obriga o refinamento do processo de gravação e reprodução do som nos filmes, que era o que a M-G-M queria. O sistema originalmente ligado a ele foi o Mirrorphonic, da Western Eletric: trata-se de um dos primeiros processos de gravação ótica na película 35mm. O Mirrorphonic foi então inicialmente introduzido nos cinemas Metro.

Os cinemas abrem com projetores Super Simplex, largamente produzidos na década de 1930, mas a partir de 1937 os primeiros Simplex modelo E-7 começam a ser testados nas cadeias de cinemas da Loew’s Inc., nos Estados Unidos. Com isso, os cinemas Metro trocam os Super Simplex por Simplex E-7.

Os padrões de reprodução de som mudam drasticamente, de banda ótica mono nos filmes, para 4 canais de banda magnética em som estereofônico, no processo de tela larga CinemaScope. Os cinemas Metro foram construídos de tal forma que a adaptação das telas para filmes deste tipo foi facilmente conseguida. Na prática, isto significou alterar a relação de aspecto das mesmas do formato de academia (1.33:1) para 2.55:1, mantendo o palco original e o proscênio dos cinemas:

 

Salão do Metro-Passeio, dando uma idéia da largura do palco original, já com a tela de CinemaScope instalada. A foto foi tirada do mezanino do cinema, dando uma idéia da largura do auditório.

 

Inicialmente, são instalados sistemas Perspecta, que consistia em um falso som estereofônico, derivado da banda ótica mono, com três canais na tela, como anteriormente descrito. Eventualmente, os projetores Simplex E-7 são então dotados de leitora magnética Western Electric modelo R-10, para CinemaScope:

Em 1957, os Simplex E-7 são trocados por modelos X-L, também dotados de leitora magnética. As caixas antigas, inadequadas para o som de alta fidelidade obtido na gravação de banda magnética são substituídas por sistemas Altec Lansing Voice of the Theater, modelo A1, na forma de três unidades atrás da tela:

Segundo colecionadores, várias dessas caixas foram achadas quando o Metro-Passeio foi demolido, para a construção do Metro-Boavista. A excelência de reprodução do som dos cinemas é devida também à engenhosidade do design arquitetônico. A este respeito, é admirável o controle da dispersão do som no ambiente aberto, sem qualquer tipo de reverberação, que impedisse a inteligibilidade do som emitido. A reprodução correta de graves e de agudos, difícil de ser obtida em lugar tão amplo, tornou os cinemas Metro um símbolo da qualidade de som e projeção em toda a sua existência.

As cabines de projeção dos cinemas Metro do Rio de Janeiro contavam com dois operadores, para os três projetores Simplex instalados. O de São Paulo contava com seis técnicos e mais um gerente americano, segundo depoimento de um desses operadores, ao livro de Inimá Simões e colaboradores (“Salas de Cinema de São Paulo”, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, 1990, pp. 46-47).

O sistema de projeção dos cinemas Metro no Rio de Janeiro era constantemente inspecionado e calibrado pelo engenheiro Elia Bessos. Os projetores usavam lanternas Ashcraft Super Cinex, dotadas de arco voltaico, com bastões de carvão condutor (eletródios), alimentados com 120 amperes de corrente elétrica. Com isso, a projeção tinha um brilho e uma nitidez na imagem difícil de ser encontrada nos melhores cinemas da concorrência. A lanterna mantém ainda um sistema de auto-regulagem, impedindo que a intensidade da luz caísse durante a projeção:

 

A lanterna Ashcraft, modelo Super Cinex, original do Metro-Tijuca, e instalada na réplica de Conservatória.

 

Em todos os anos de funcionamento, eu nunca vi um sistema desses falhar e a sessão ser interrompida. Mesmo durante a grande enchente de 1966, que deixou o Rio de Janeiro com racionamento de energia, o Metro usava geradores com break automático, para garantir que a qualidade da projeção não fosse prejudicada.

Nos cinemas da Metro todos os detalhes foram planejados com antecedência, incluindo a limpeza e a conservação, o uniforme e a educação de todos os funcionários, até o conforto das salas de espera e das salas de projeção.

O fim do Studio System e a venda dos cinemas a terceiros.

Em 1949, o governo americano deu ordens aos cinco principais estúdios de cinema de Hollywood para se desfazerem de suas cadeias exibidoras. A M-G-M e a sua proprietária, Loew’s Inc., resistiram a esta entrega, até meados de 1957. Por volta desta época, a própria M-G-M já havia sofrido enormemente com baques financeiros, tendo desativado vários de seus departamentos.

A retirada de propriedade dos cinemas pelos estúdios foi um duro golpe na produção de filmes. Idealmente, o cinema sobrevive às custas do trinômio produção – distribuição – exibição (exclusiva, de preferência). Cortando a garantia de exibição, as receitas de bilheteria caíram significativamente. Apesar disso, a Metro ainda iria lançar “Gigi”, seu último e luxuoso musical, em 1958.

O filme quase não termina, por causa de dificuldades financeiras e de edição do material fotografado, mas depois de lançado ainda teve tempo para ser o recipiente de nove estatuetas Oscar e três Globos de Ouro. O filme marcou o fim da lendária unidade Arthur Freed, de produção de musicais do estúdio. Fechou com chave de ouro, e este filme vale a pena ser visto agora, na sua nova edição em Blu-Ray, completamente restaurado, para quem ainda não viu!

O fechamento dos cinemas no Brasil

Por incrível que pareça, a lei americana não atingiu a cadeia de cinemas Metro no Brasil, ao contrário. Nas décadas de 1950 e 60, os cinemas veriam crescer o seu público, com a mesma qualidade com que foram lançados anos antes. E todos eles continuaram projetando filmes M-G-M exclusivamente, fora algumas produções nacionais obrigatórias.

Apenas o Metro-Passeio foi demolido, para dar lugar ao Metro-Boavista, um dos mais luxuosos e modernos cinemas da cidade. O Metro-Passeio funcionou até 14/10/1964 e o Metro- Boavista começou a funcionar em 21/01/1969. Neste, foi instalado um sistema de 70 mm, dotado de projeção pelo processo Dimensão 150, com tela curva e com som estereofônico de 6 canais. O Metro-Boavista ainda manteve um dos seus Simplex X-L, para 35 mm, ao lado dos modernos Cinemeccanica Victoria V-8, para 35 e 70 mm.

O Metro-Boavista nunca foi demolido. As poltronas e projetores foram retirados, mas a tela e o restante do cinema continuam por lá, esperando uma solução qualquer, que nunca aparece.

Menos sorte tiveram os outros cinemas Metro: os Metro-Tijuca e Metro-Copacabana foram demolidos a partir de 26/01/1977, enquanto que o Metro de São Paulo não chegou a ser destruído totalmente, mas o seu interior foi completamente modificado e depois dividido em duas salas, inicialmente Metro 1 e Metro 2, e que depois viraram Metro e Paissandú, até fecharem e se tornarem igreja evangélica.

Antes de fecharem totalmente, os cinemas ainda foram administrados pela Cinema International Corporation (CIC), mas exibindo filmes de outros estúdios, particularmente os da Universal Pictures.

A réplica do Metro-Tijuca em Conservatória

O advogado Ivo Raposo, desde menino, conheceu todas as cabines de cinema localizadas na área da Praça Saens Peña, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi também, ainda muito jovem, operador dos cinemas Santo Afonso e Bruni Saens Peña. Depois que o Metro-Tijuca fechou e começou a ser demolido, Ivo iniciou uma cruzada junto ao curador da massa falida dos cinemas, e depois de muita luta conseguiu que uma parte do material decorativo, projetores e um monte de outros pertences, fossem a ele doados. Se não tivesse feito isso, todo este material teria tido o destino de algum ferro-velho e a memória do cinema completamente apagada.

 

A réplica do Metro-Tijuca, apelidada de “Centímetro”, em imagem noturna, antes de receber seus visitantes.

 

Parte desta história é contada aos visitantes da réplica por ele construída, na cidade de Conservatória, estado do Rio de Janeiro. Uma massa significativa de seus visitantes se emociona ao ver a fachada intacta do cinema, o seu interior, e principalmente trechos de filmes do estúdio.

Entre os seus últimos visitantes ilustres, estava João Szilard, filho de Adalberto Szilard, que construiu o cinema. Nós tivemos chance de conhecê-lo e de saber de parte da trajetória do pai. Adalberto Szilard, apesar de ser colaborador de Prentice, ficou com toda a responsabilidade do Metro-Tijuca nas mãos, e se alguma comparação pudesse ser feita, nós diríamos, sem nenhum bairrismo, que o Metro-Tijuca foi sem dúvida o melhor e o mais imponente de todos os Metros.

 

Da direita para a esquerda, Ivo Raposo, João Szilard, sua esposa e filha.

 

Ivo fez questão de construir a sua cabine usando todos os projetores originais do Metro, recuperados em etapas. Com a modernização dos atuais sistemas, ele teve que fazer algumas modificações na lanterna (já que ninguém mais usa arco voltaico) para lâmpadas de Xenon e instalar Dolby SR, para a parte do áudio, já que praticamente nenhuma cópia com som magnético continua em circulação.

Eu, que já testemunhei o (mal) aproveitamento de projetores dos grandes cinemas (inclusive os V-8 do Metro) usado em outras instalações, posso atestar o zelo e o respeito com que Ivo recuperou e mantém os seus projetores na réplica.

Quem vai a uma das sessões do Metro em Conservatória assiste o mesmo ritual que nos encantava nos cinemas da época: ouve-se o gongo, anunciando o início da sessão, apagam-se as luzes lentamente, a cortina se abre com a projeção do jornal da tela, com direito ao slide do boletim da censura, que marcava o começo de todas as sessões de antigamente.

Flagrantes da sessão

 

 

 

Entrada dos visitantes.

O engenheiro João Szilard e família, ao receber uma homenagem, na sala de projeção.

O interior da réplica, com os lustres e tela originais do Metro-Tijuca.

As imagens que ninguém quis ver

 

A última sessão de cinema!

 

 

A tristeza da destruição!

Outrolado_

 

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Homenagem a Orion Jardim de Faria, pioneiro de cinema

 

Cinema Ultra Panavision: o espectador dentro do filme

 

A memória do cinema nos periódicos antigos

 

A minha primeira experiência em uma sala de cinema com Dolby Atmos

 

Inauguração do velho novo Cinema Pathé e o resgate da memória

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

4 comentários sobre “A glória dos cinemas Metro no passado do Rio e São Paulo

  1. Paulo todo seu texto foi uma verdadeira viagem no tempo, que em 1º lugar os governos estaduais bem como o federal, não fizeram absolutamente nada para reverter o encerramento dessa atividade que foi os Cinemas de Rua. As fotos acima são dignas de uma exposição para ser exibida no M.I.S. Hoje os cinemas foram convertidos em outra atividade a qual jamais foram projetadas para isso, mas foi uma forma fácil de se desfazer dos imóveis, já os equipamentos primorosos e muito sofisticados para a época foram para em ferro velhos. E agora veio o golpe de misericórdia como fechamento dos multiplex nos shoppings, por conta da pandemia. Que sina levou ao sepultamento das salas de exibição no nosso Pais Paulo, dava até para colocar uma tarja preta no canto da tela “como sinal de luto”

    • Rogério, sem dúvida alguma nós estamos pagando pelos anos de descaso das administrações públicas, muito mais preocupadas em manter o poder, do que cuidar das suas próprias instituições.

      Eu sou egresso do serviço público, e me sinto honrado em dizer que ajudei a formar médicos, farmacêuticos, nutricionistas e dentistas. Nós estamos sendo maltratados de diversas formas há décadas, com o esvaziamento do fomento das pesquisas, das bolsas de estudo, etc.

      Como é que pode esse senhor Paulo Guedes chamar o servidor público de parasita? Agora mesmo, na reforma da previdência aumentaram a taxação de INSS dos aposentados. Não existe coisa mais cruel do que tirar dinheiro de aposentado. Quem está entrando na carreira acadêmica agora vê o futuro sombrio. Mas ele é o ministro, intocável, sabe que o meio docente e o médico não tem poder de reação, e aí ele bate como quer, até o momento em que, por qualquer motivo, ele arruma um inimigo político que o derruba do cargo. Pouco importa, porque o mal já está feito, revertê-lo é praticamente impossível, e eu já vi esse filme antes, meu caro, várias vezes!

      E você acha que seria diferente com a preservação dos cinemas? Anos atrás, eu conversei com uma pessoa do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, sobre uma ala para projetores, mas ficou por isso mesmo. Só o Ivo Raposo mesmo é que acabou montando uma ala similar em Conservatória, mas não é a mesma coisa, em termos de alcance, tá certo?

      Sobre o Corona, o público paga também o preço do esvaziamento da carreira médica e dos hospitais públicos, alguns aqui do Rio que nem álcool nem máscara têm. Anteontem, eu me encontro na rua com uma amiga de infância, médica pediatra veterana, que decidiu fechar o consultório de vez. Esta é a bilionésima queixa que eu ouço de amigos e ex-colegas médicos, que viram seus consultórios esvaziados pelos planos de saúde. E ninguém neste país tomou qualquer providência a este respeito.

      Como os médicos, várias outras classes se viram na rua da amargura da noite para o dia, o que é profundamente lamentável, mas em se tratando de saúde pública, agora se pode ver a extensão desse dano! E como então se vai cuidar do público se o poder não cuida dos hospitais, enfermeiros, médicos, etc.???

  2. Verdade pura e absoluta todo contexto de sua resposta. Eu só acrescentaria que o Brasil encontra-se como um paciente grave na ala de enfermaria dos hospitais públicos, sem vaga na UTI, sem ventilador, faltando medicamentos, e com profissionais sobrecarregados escolhendo quem será salvo. Brasil um doente a caminho da falência de seus órgãos…

    • Olha, Rogério, a gente está vendo na TV uma montoeira de autoridades demonstrando teatralmente toneladas de preocupação com a disseminação do Corona vírus. Pois bem: se você olhar a topografia do Rio de Janeiro, vai notar que a cidade está cercada de favelas, todas elas promíscuas, uma casa do lado da outra, habitadas com um número grande de pessoas, mais do que aquelas casas comportam.

      A cidade inchou com essas favelas. Se o Corona chegar lá vai ser muito difícil conter a pandemia!

      Uma das estatísticas historicamente falhas aqui no Rio é aquela referente à epidemiologia das doenças. No passado distante, eu tinha um amigo, médico, não pertencia à academia, mas que se deu ao trabalho de ir semanalmente ao Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ pedir para usar o computador deles para fazer estatística. Note que nesta época ninguém sequer tinha ouvido falar de microinformática. Então, esse rapaz se virava, abdicava de horas de trabalho, para estudar a epidemiologia de várias doenças infectocontagiosas. Veja bem: fazia isso sozinho, sem verba, etc. Na minha visão, um herói.

      Quando a AIDS apareceu por aqui, a secretária de saúde foi lá no hospital falar sobre o vírus. Aí eu perguntei a ela quem fez e como tinha sido feito o estudo epidemiológico da doença. Ha, ha, ha, NINGUÉM…

      Então, meu amigo, nessa política do “deixa ficar para ver como é que fica”, os anos passam, uma década atrás da outra, certos parâmetros da administração pública sem controle, quando algo que ninguém espera aparece, o que se vê é isso que a gente está vendo na televisão: um verdadeiro teatro, fazendo força para encobrir o desconhecimento no enfrentamento de um problema deste tipo.

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