Sony Playstation 5 lançado em 2020

PlayStation 5 da Sony com reprodução de Blu-Ray 4K

A Sony lançou a campanha de pré-venda do PlayStation 5, capaz de reproduzir Blu-Ray 4K (UHD). O aparelho usa arquitetura Zen2 AMD e não Intel Kaby Lake. Experimentações feitas por mim demonstram que isso é possível, por incrível que pareça. Maiores explicações sobre o uso da plataforma AMD não foram ainda divulgadas.

 

A Sony anunciou no dia 17 de setembro, pela imprensa, o início de pré vendas do PlayStation 5, em dois modelos: o mais completo, com custo de R$ 4999,00 (499 dólares lá fora), inclui um drive ótico para discos Blu-Ray 4K (UHD), e o outro, com o nome de Digital Edition (somente mídias não óticas), sem este drive, um pouco mais em conta, cerca de R$ 4499,00 (ou 399 dólares). O vídeo do press-release, que não diz quase nada, é esse aqui:

 

O que me chamou a atenção no anúncio do lançamento foi o fato de que a Sony montou o aparelho usando uma CPU AMD com arquitetura Zen 2 de 8 núcleos e batimento de 3.5 GHz, ao lado de um sistema gráfico Radeon super atual, igualmente fabricado pela AMD.

Eu fiquei intrigado com isso, porque, até então, se o usuário quisesse reproduzir um disco Blu-Ray UHD (4K) no seu computador, este deverá estar equipado com uma CPU Intel com arquitetura Kaby Lake, e suporte na placa-mãe para um software SGX (Software Guard Extension), caso contrário o disco não toca.

E então eu me questionei como seria possível o PS5 ser construído sob uma plataforma AMD e mesmo assim reproduzir um Blu-Ray 4K. A partir daí eu resolvi fazer alguns testes no meu computador pessoal, porque ele agora está equipado com uma CPU Ryzen 9 3900X, com núcleos Zen 2.

O meu computador vem também equipado, de longa data, com um drive ótico LG modelo WH16NS40, o primeiro desta série capaz de ler um Blu-Ray 4K. Com ele eu posso ler todo o conteúdo dos diretórios do disco, porém sem poder reproduzir o conteúdo de vídeo, por causa das limitações impostas.

Em tese, seria impossível assistir a um filme com um disco 4K no meu sistema atual, mas não foi o que aconteceu. Para minha surpresa, todos os discos que eu experimentei, cerca de uns 4 no total, com codificação HEVC 4K e HDR, reproduziram corretamente, exceto que a parte HDR foi omitida, por conta do monitor em uso, que é 4K, mas não tem este recurso.

Para a reprodução, eu usei o software da Cyberlink PowerDVD 20 Ultra, última versão. Este programa é enjoado para tocar qualquer coisa com proteção. Mas, desde a época de 1990 eu me tornei usuário do programa desbloqueador AnyDVD, originariamente da Slysoft, que fechou as portas e depois passou para a RedFox, na versão HD. Esta última se atualiza automaticamente, por isso estou sempre na última versão, que é a 8.4.9.0.

O AnyDVD HD roda no background e integra o desbloqueio de discos com os principais programas para a reprodução, incluindo o PowerDVD de qualquer versão. No entanto, até hoje nenhuma menção é feita para o desbloqueio de Blu-Ray 4K, que eu tenha percebido, nem no site nem no fórum dos usuários.

Eu testei a reprodução dos discos 4K com e sem o AnyDVD HD. Sem ele os discos não tocam. O PowerDVD, rodando sem o AnyDVD HD, uma vez constatando se tratar de um Blu-Ray 4K, sugere a instalação do SGX, mas aborta a instalação quando examina o hardware e descobre que a CPU não é Intel, muito menos Kaby Lake. Tudo isso é muito coerente, mas e o resto?

Usando outro aplicativo com o desbloqueio do AnyDVD HD, o Blu-Ray Player da Aiseesoft, atualizado recentemente, os discos não só tocam, como o programa permite capturar a tela. Eu então capturei uma imagem do filme Chappie, para comprovar para mim mesmo o recurso. Notem que a captura, vista abaixo sem retoques, tem resolução nativa de 3840 x 2160 pixels, portanto 4K, mas sem HDR:

 

Possíveis explicações

Quem me dera, mas não é possível, nesta etapa das minhas observações, concluir muita coisa. Exceto que se as trancas dos discos Blu-Ray residem na CPU da Intel, em placas com SGX, pelo menos uma dessas trancas poderia não ser importante no processo de bloqueio. Vejamos o por quê:

O pessoal que escreveu o AnyDVD HD até hoje só relatou de fato o desbloqueio de discos com o infame Cinavia, quando reproduzidos ou copiados. Mas, é possível que eles tenham conseguido emular o SGX sem anunciar nada, talvez temendo represália. O problema é que, como diz o ditado, contra fatos não há argumentos, já que sem o AnyDVD HD rodando, os discos 4K não tocam.

Se realmente a parte de programação SGX pode ser batida desta forma, eu sou forçado a admitir que a CPU Intel Kaby Lake não tem importância como hardware necessário para tocar discos Blu-Ray 4K. Neste caso, eu estaria tirando somente um componente desta equação: a proteção SGX.

Olhando agora para o PS5, dotado de CPU similar à minha, eu ainda poderia inferir que a arquitetura Zen 2 poderá ter capacidade de processar discos 4K autonomamente, ou então, que o PS5 tenha incluído no firmware um desbloqueio ou emulação de SGX, o que é mais provável.

As proteções de reprodução agem contra o consumidor

O leitor que me acompanha sabe que eu sou contra o bloqueio de conteúdo digital, até porque eles são inúteis depois de um certo tempo de existência.

Em se tratando de reprodução de mídia 4K ótica no computador, obrigar o usuário a montar Intel é um verdadeiro absurdo! E neste ponto, a indústria fornecedora da mídia continua dando passos para trás. O Blu-Ray convencional ainda tem os infames códigos de região, mas o Blu-Ray 4K não. De início, parecia que eles tinham aprendido uma lição. Se assim foi, por que bloquear o uso de um computador pessoal?

Quando o AnyDVD foi criado pela Slysoft, os drives de DVD já chegavam de fábrica com uma geringonça chamada de RPC-1, que só permitiam as trocas de região pelo usuário por cinco vezes. Uma vez esgotado este ajuste o drive ficava empacado na última escolha, pura e simplesmente. Com o AnyDVD este problema acabou! O programa iludia o sistema operacional retirando o código de região do disco, que aparecia como se fosse código zero.

Eu sou ainda testemunha de ter visto dezenas de aparelhos de mesa usarem métodos similares. No passado, a Philips mandava os técnicos nas lojas, para introduzir uma modificação que permitia tocar qualquer DVD, assim que alguém comprava um desses players. Isto foi fundamental para nós brasileiros, porque o Brasil usava discos com código 1 até ser liberado para prensar discos com código 4, deixando o usuário em um dilema desagradável.

As dificuldades de quem escreve e/ou coleciona discos

Eu nunca usei e nunca usarei, salvo em circunstâncias extemporâneas incontornáveis, o meu computador pessoal para assistir filmes. Mas, eu preciso frequentemente de referências de imagem ou som, como capturas para ilustração de textos, e aí o computador passa a ser a ferramenta ideal. Eu entendo que não estaria lesando a indústria, até pelo contrário, porque ao dispor uma imagem capturada, eu posso aumentar o grau de interesse do leitor pela mídia.

Durante muito tempo era impossível conseguir salvar uma dessas capturas. Hoje em dia, existem programas gratuitos que fazem isso sem muito transtorno. Até então, havia uma mesquinharia indiscriminada de sites que sabiam como fazer uma captura, mas não revelavam a fórmula para ninguém.

Eu sempre me pergunto se algum dia a indústria de discos vai aprender. A mídia está cada vez inconstante nas nossas prateleiras, porque todo mundo correu para o streaming, e este público pouco se lixa com possíveis trancas de conteúdo. Quem se ferra mesmo é o entusiasta, que ainda quer manter a sua coleção de filmes e assisti-la onde bem entender.

Eu acho no mínimo irônico a Sony lançar um aparelho com capacidade para reproduzir Blu-Ray UHD, e mencionar isso no site da fábrica, em um mercado que nunca prensou discos desse tipo. Há muito tempo atrás, eu tive um contato com um representante deles, que me disse que havia um projeto de lançar um player 4K de mesa, mas este projeto foi, aparentemente, abandonado.

A situação fica ainda mais crítica, porque as notícias de que a Sony vai fechar a sua fábrica de televisores em Manaus tem se espalhado por todo o canto. Por ora, o PS5 será importado para a venda local. E comercializado por um preço elevado, devido a impostos diversos e a outros fatores que a gente nunca sabe quais são.

Resta saber se, na ausência da mídia Blu-Ray 4K, o PS5 acabará destinado exclusivamente a jogos 4K. E, em consequência, o resto do público de vídeo com mais um desestímulo de consumo, ficando a ver navios! Outrolado_

. . .

 

Serviços de streaming versus colecionadores de discos

 

Análise do Apple TV+, interface e programação

 

AMD em direção à computação de alta performance

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “PlayStation 5 da Sony com reprodução de Blu-Ray 4K

  1. Paulo essa matéria tem um peso importante para cinéfilos que ficaram órfãos da indústria local para fornecimento e comercialização de players de qualidade de Blu-Ray, mas diante de toda sua explicação fica a dúvida, neste player ele tem a capacidade de reproduzir os “filmes” em 4k, além lógico dos jogos ? Outro detalhe será que o aplicativo nativo dele é completo ou superficial para reprodução de filmes, pois no Playstation da geração anterior existe uma forma de habilitar a reprodução de filmes em Blu-Ray, mas o player dele é extremamente fraco e de poucos recursos.

    • O PS5 está previsto para reproduzir Blu-Ray 4K comercial (prensado), além das outras mídias, mas sem vê-lo tocar os discos fica difícil dar uma opinião a respeito. Em termos de engenharia ele segue o padrão das novas plataformas Ryzen, que é um bom sinal.

      A liberação da censura de reprodução Intel Kaby Lake e SGX continua uma incógnita. Eu me inscrevi no forum do AnyDVD, porque vi que algumas pessoas estavam questionando isso, acabei em um debate semi-idiota com um dos membros, que no final não me esclareceu nada. O sujeito ficava falando de ISO, quando eu dizia que eram discos comerciais trancados, coisas assim. O logo contra cópia está lá na contracapa dos discos, não há como duvidar disso.

      Esses ambientes de fórum são de amargar. Teve um cidadão lá que disse que eu não podia comparar console de jogo com computador. Claro que eu posso. A arquitetura dos computadores não mudou quase nada desde John von Neumann. Qualquer aparelho “smart” tem sistema operacional, CPU, GPU, memória, armazenamento, etc. Só essa gente que não percebe isso. E nós aqui ficamos sem poder dar uma resposta a altura, porque senão se corre o risco de perdermos a elegância, diante de uma besteira desse tipo. Não adiantou dizer que são muitas variáveis em jogo, como o próprio AnyDVD, os processadores Zen 2, o firmware, etc.

      É possível que a Sony, ao usar AMD, tenha feito ela própria um método proprietário de derrubar esta censura. Afinal, a exigência de SGX é absurda e um contrassenso diante da eliminação de códigos de região que ainda vigora no Blu-Ray normal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *