Acesso por fibra ótica

Tim Live Ultra Fibra e o acesso por fibra ótica

Os anos passam e a conexão doméstica com a Internet muda radicalmente, inclusive no uso da mesma tecnologia. Eu já passei por várias delas e agora aderi à transmissão de sinal por fibra ótica, sem dúvida a mais moderna e estável disponível neste momento.

 

Eu passei por todos os estágios possíveis, bem, quase todos, da implantação da Internet, fosse ela acadêmica e depois comercial. Esta última foi alvo de uma briga política por aqueles que não queriam ver a Internet alvo do comércio desenfreado, entre outros motivos. Na última reunião a este respeito, um grupo da extinta Embratel (hoje parte da Claro) comandava o protesto, mas sem nenhum sucesso.

O fato é que o tempo passou e a Internet passou a ser parte constante do dia-a-dia de todo mundo, e muita gente, pelo que eu percebo, nem se dá conta disso!

Acompanhando esta evolução, eu passei por vários estágios de conexão doméstica, já que no ambiente da universidade a ligação era por rede local. Do acesso discado à banda larga que nós hoje conhecemos um caminho muito longo foi percorrido!

E quando eu olho para trás, eu percebo claramente que a tecnologia que está aí agora provavelmente não teria existido caso o monopólio de conexão ficasse nas mãos de uma ou duas operadoras de telefone fixo. Ou então, ficaria anos defasada, como era anteriormente.

Bem ou mal, a entrada de operadoras estrangeiras forçou o mercado a se adaptar a esta nova realidade, e o número de pessoas servidas aumentou consideravelmente. Eu noto que as pessoas pouco se interessam por banda larga doméstica, provavelmente devido à disseminação do uso do telefone celular.

Histórico de problemas

Aqui no Rio de Janeiro, durante anos a operadora Oi reinou suprema, negando-se a fornecer protocolos de sincronismo e apoio a redes locais. Nesta época, a construção de uma rede local dentro de casa só poderia ser feita com a ajuda do equipamento roteador necessário e do conhecimento sobre como configurá-lo corretamente. E foi exatamente por causa disso que a maioria dos assinantes continuou a fazer acesso discado para a Oi, via discador dentro do ambiente operacional.

Eu fui vítima disso e lutei contra. Sem apoio na operadora, a solução foi aprender a rotear o sinal do modem. E quando tudo ficou pronto eu mandei todas as informações na forma de uma tabela para os meus amigos que estavam na mesma situação.

A Oi lançou o plano “Oi Conta Total”, incluindo banda larga, telefone fixo e móvel. No meu plano estava prevista uma conexão com 10 Mbps, mas eu só recebi 5 Mbps. A Oi havia se negado a me dar o valor de 10 Mbps contratado no meu plano, alegando não ter condições técnicas na minha região.

E não foi só a limitação de velocidade e as trapaças do plano. O leitor que passou por isso deve se lembrar que o acesso não era direto e assim via um provedor cuja assinatura se pagava por fora, configurando uma venda casada absurda, com a qual a Anatel era conivente. Esses tais provedores não forneciam sinal nenhum, eles apenas intermediavam o login da operadora.

A minha sorte foi que na década de 1990 a GVT começou a cabear a minha rua e tudo mudou.

Conversando com o engenheiro da GVT ele me mostrou que no armário local a conexão já chegava a 50 Mbps, sem aquela sacanagem de pagar por fora para alguém se conectar. Este mesmo engenheiro foi à minha casa supervisionar a instalação da nova linha. Ele viu que eu já havia construído a minha rede local, com um modem roteador da Dlink, modelo 2640B, o mesmo modelo que eles davam de graça aos assinantes. Se eu não soubesse rotear ele e o técnico teriam feito para mim.

A entrada da GVT no mercado local gerou ressentimentos. Eu cheguei ao ponto de ouvir dos técnicos de rua da empresa reclamando que funcionários da Oi cortavam os cabos da GVT. Aqui no prédio, a entrada de cabeamento foi cimentada, impedindo a passagem de novos cabos. E aí uma turma da GVT foi enviada para quebrar a calçada e desobstruir o cano no qual o novo cabeamento deveria passar.

O tempo passou. A Oi ficou para trás, e o sincronismo por ADSL e VDSL se tornaram obsoletos. A GVT fechou e virou Vivo. Todos os antigos clientes migraram automaticamente.

Há muito tempo atrás o usuário doméstico que queria aumentar a velocidade de sincronismo teria que recorrer a outro tipo de tecnologia. Foi por isso que eu migrei para a Internet por cabo, fornecida pela Net (depois Claro/Net), chegando a 250 Mbps na minha última conexão.

A obsolescência da conexão por cabo coaxial

Embora a Claro/Net esteja passando o sinal na rua por fibra ótica, a conexão do assinante continua a ser do tipo “fibra-coaxial”, com a conversão feita antes do sinal entrar na casa do assinante.

Assim como nas antigas conexões por par trançado, a conexão com a Internet via cable modem também ficou para trás. Ao transformar o sinal de fibra ótica para coaxial, impede-se qualquer chance de melhoria na conexão. Além disso, na casa do assinante o modem tem que ser capaz de aceitar este tipo de sinal, ou seja, ele ficará limitado a uma conexão de Internet por cabo, independente do sinal chegar no distribuidor da rua por fibra ótica!

A maior evidência da deficiência da conexão por cabo está na instabilidade do sinal e na sua baixa capacidade de fazer o sinal retornar na forma de upload. Na minha região a instabilidade foi muito grande durante um tempo enorme, a ponto de os engenheiros terem que modificar a rede e trocarem os modems.

A solução óbvia para evitar este tipo de transtorno é trocar a transmissão do sinal de cabo para fibra ótica até a entrada do modem. A Claro sozinha também oferece a opção por fibra ótica deste tipo, mas a instalação não está ligada aos clientes antigos da Net, é preciso fazer outro contrato.

As vantagens da passagem do sinal por fibra ótica

Não é preciso ser engenheiro ou físico para perceber as virtudes do cabo de transmissão de sinal ótico. No passado remoto, audiófilos desfrutaram o sinal 5.1/7.1 de áudio por cabo ótico (Toslink), que ainda é usado de um equipamento para outro de forma eficiente.

Apenas com a introdução da conexão HDMI o Toslink deixou de ser tão aplicado neste tipo de ligação, até porque na sua concepção original ele não foi previsto para sinais de áudio sem perda (“lossless”), que acompanham os codecs avançados atuais.

O pulso de sinal por cabo ótico é virtualmente imune a interferências ambientais. Durante todo o seu trajeto a perda é praticamente nenhuma. Mais importante ainda, não é preciso amplificar o sinal, o que, na prática significa que este sinal vai de fio a pavio direto, para a casa do assinante, sem alimentação elétrica.

Com isso, toda a extensão da rede é passiva, no caso da fibra ótica o que os técnicos chamam de PON, acrônimo da corruptela em inglês “Passive Optical Network”. Quando o sincronismo de sinal é completado na casa do usuário um LED com o rótulo “PON” acende no modem, indicando que o sinal está estabilizado:

Em muitas aplicações, a transmissão do sinal ótico por cabo ocorre com luz emitida na região do infra vermelho, invisível ao olho humano, tipicamente nos comprimentos de onda 850, 1300 e1550 nanômetros. No desenvolvimento dessas fibras percebeu-se que nestes comprimentos de onda a quantidade de energia luminosa absorvida ou espalhada (dispersa) no meio é pequena, impedindo a perda de sinal.

Na ponta do transmissor, um circuito conversor transforma os Zeros e Uns da informação binária em emissão de luz (bit 1) ou ausência de emissão de luz (bit 0), modulando o sinal em alta velocidade.

O cabo ótico é internamente revestido por uma camada reflexiva. Assim, a luz emitida é refletida em toda a extensão da fibra, até chegar ao seu destino. Na ponta do receptor um segundo circuito conversor interpreta a modulação dos fachos de luz, transformando-a nos respectivos zeros e uns do sinal transmitido:

As aplicações de condução de sinal por fibra ótica são inúmeras e tendem a crescer. Nas distribuições onde o sinal precisa passar por ambientes externos, com as naturais intempéries que tendem a danificar ou destruir qualquer tipo de cabeamento, o cabo ótico passa a ser uma necessidade.

O Tim Live Ultra Fibra

Várias operadoras estão no mercado oferecendo a conexão de sinal para a Internet por fibra ótica, e dão aos seus sistemas nomes diversos de fantasia, o da Tim como “Live Ultra”. Mas, não importa o nome que foi dado, todos eles são basicamente a mesma coisa, assim cada um escolhe o sistema que melhor lhe convier.

Como eu sou cliente Tim de telefonia móvel, eu optei pela sua banda larga, retirando a da Claro-Net da minha rede local. A assinatura propriamente dita é de 200 Mbps, mas atualizada promocionalmente para 400 Mbps por um ano. Como a mudança não é imediata, foi possível fazer medições para uma análise superficial da melhoria obtida.

Tipicamente, a medição de download reflete o sinal de tráfego entre o computador local e o servidor usado para comparação. No caso da conexão por fibra ótica a velocidade de upload fica geralmente em torno da metade do valor de download, mas isso não é obrigatório.

Com 200 Mbps de conexão, os resultados obtidos foram os seguintes:

 

Comparando os servidores de referência observa-se que os resultados são idênticos. Com outros servidores por mim medidos os resultados não foram diferentes, exceto pelo valor de ping. Normalmente, o ping na fibra ótica fica bem abaixo daquele verificado pelo sinal do cabo coaxial.

A subida para os 400 Mbps promocionais somente aconteceu 5 dias corridos até o meu cadastro entrar no sistema, o que demorou um pouco. É preciso ter um jogo de cintura com qualquer operadora, mesmo que o atendimento seja muito cortês. Ninguém me avisou que era preciso ligar para o suporte técnico e pedir a subida da conexão. Eu perguntei se seria preciso resetar o modem, mas me informaram que não, a mudança seria automática. Não foi! Com a demora, eu intuitivamente desliguei e religuei o equipamento, e os 400 Mbps apareceram finalmente nas minhas medições.

Com a conexão ajustada para os 400 Mbps promocionais, os valores de sincronismo melhoraram significativamente:

 

Na rede local, o sinal Wi-Fi cai um pouco: 316 Mbps de download e 216 Mbps de upload, mas quem iria reclamar disso?

A instalação

Eu estou para ver uma instalação de qualquer serviço que não tenha um transtorno ou outro, mas nesta última troca eles foram todos contornados.

A fibra ótica propriamente dita é de espessura capilar e precisa ser protegida de várias maneiras. O cabo que vem da rua traz consigo este tipo de proteção, que só é removida próximo do conector que será inserido no modem com as ferramentas adequadas.

O meu prédio é muito antigo e a caixa de distribuição de cabos telefônicos não foi prevista para tantas operadoras. Quando eu contratei o serviço da Tim, eles me afirmaram que o prédio havia sido cabeado, mas quando o técnico chegou aqui ele se deparou com um mar de cabos, nenhum deles da Tim.

Eu cheguei a pensar que a instalação seria cancelada. Mas, diante deste impasse, o técnico me disse que iria cabear direto da rua. Por acaso, o prédio onde eu moro é de pequena estatura e o meu apartamento fica no térreo, quase ao nível da rua. O cabo ótico veio direto de um poste localizado exatamente em frente à varanda lateral, ao lado do quarto onde fica o meu escritório. Foi pura sorte!

Uma vez dentro de casa, o resto foi só mão de obra. A primeira conexão foi instantânea! Aparentemente o sinal já chega pré-formatado, sem necessidade de manter contato com a central de distribuição para acertar algum parâmetro de distribuição. Eu havia desligado o roteador da minha rede local, mas nem precisaria. Anteriormente, se eu tivesse queda de sinal, eu teria que desligar o modem e o roteador, e esperar ambos darem partida, primeiro o modem depois o roteador. E neste último há um tempo de espera considerável até que ele repasse o sinal do modem para o resto da casa. Não foi o que aconteceu com a fibra ótica da Tim: o reconhecimento do sinal de Internet, mostrado por um LED frontal do roteador, que de vermelho passa para azul, foi imediato.

Originalmente, eu montei o roteador, e não o modem, ligado por cabo ao meu computador de propósito. O sinal do roteador vai direto ao computador por cabo Ethernet Cat-7, que é o mais isolado possível. Assim, eu posso monitorar o sinal Wi-Fi que vai para o resto da casa. Se houver queda, basta mudar o cabo do roteador para o modem e verificar se o sinal caiu por culpa deste último.

O técnico da Tim instalou um modem roteador Sagemcom, modelo F@st 5657, cuja interface padrão de configuração está no endereço IP 192.168.1.1, que coincide com o do roteador TP-Link Archer C5400 da minha rede local. O roteador da TP-Link é, no entanto, inteligente, e como ele está conectado ao meu desktop com cabo Ethernet ele redirecionou a sua interface para o endereço 192.168.0.1 automaticamente. Isto me permitiu ter acesso ao modem e ao roteador por um único cabo Ethernet. A conexão é de 1 Gigabit em todos os pontos.

Eu poderia ter alterado esses endereços IP manualmente, a começar pelo Sagemcom, cujo nome de usuário e senha do modem vêm impressos em uma etiqueta colada no corpo do aparelho. Mas, não houve necessidade. Na realidade, eu só preciso acessar o modem em casos de queda de sinal, para verificar se o sincronismo com a operadora foi perdido.

Já há alguns anos eu uso o roteador TP-Link Archer C5400, que possui 8 antenas e excelente cobertura. O sinal Wi-Fi normalmente cai de velocidade, independentemente dos adaptadores clientes. Na nova conexão, para minha surpresa, em quase todos os adaptadores o sinal obtido foi o mesmo medido no computador, como visto na figura acima. Não saberia explicar como e por que, já que o roteador é o mesmo.

Eu vinha namorando a troca do meu C5400 por um aparelho Wi-Fi 6 similar, mas diante disso eu praticamente abandonei este projeto, até porque eu não tenho nenhum adaptador cliente com esta tecnologia, nem mesmo o celular, e assim não estaria desfrutando dos alegados benefícios deste novo protocolo. Como as mudanças dessa tecnologia não param (já está em vias de sair o Wi-Fi 6e), eu evitei ambos os prejuízos financeiro e tecnológico.

Uma questão que ficou pendente e a ser melhor esclarecida por mim se refere à importância na melhoria do tráfego de upload. Como as conexões de rede são um eterno vai e volta é possível que a melhoria de velocidade do upload traga algum benefício. Mas, eu prefiro esperar para ver.  Outrolado_

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A evolução da rede local doméstica

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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