repetidores de sinal

Aperfeiçoamentos na rede local sem fio com repetidores de sinal

Em muitas situações da rede local os repetidores de sinal podem ser usados de diversas formas. Uma delas é substituir o adaptador Wi-Fi nativo de um equipamento com recepção claudicante.

 

Houve época em que equipamentos para home theater não ficavam conectados à uma rede local ou na Internet. Houve um momento, entretanto, em que os A/V receivers começaram a se conectar, porém sem nenhum adaptador Wi-Fi disponível. O mesmo aconteceu com os Blu-Ray players, quando os discos passaram a ser autorados com o recurso do BD-Live.

A solução seria cabear toda a rede, do modem/roteador até esses equipamentos. Mas, esta solução, apesar de ideal, nunca foi prática. Então, se partiu para o plano B, que consistiu em usar os então chamados “adaptadores para games”, que nada mais eram do que um tipo de aparelho capaz de receber o sinal da rede Wi-Fi e passa-lo para uma saída Ethernet. Isso já faz tanto tempo, que eu já nem me lembro o último modelo que eu usei para esta finalidade.

Adaptadores similares também foram vendidos por fora nos players da Oppo, isso antes que a empresa simplificasse os circuitos e incluísse um “dongle” USB com a mesma finalidade. A adoção do dongle, que se tornou disseminada, implicou em eliminar um aparelho por fora e facilitar a conexão com a rede local.

A evolução que se vê até hoje e adotada por praticamente todos os fabricantes de equipamentos de home theater é a incorporação de um adaptador de sinal Wi-Fi com antenas dentro do gabinete, ou às vezes com duas ou mais antenas externas. E assim os dongles foram aposentados.

A qualidade dos adaptadores Wi-Fi varia muito

O mundo atual gira em torno da rapidez obtida com o sinal sem fio, haja visto a introdução da rede celular 5G, e mais recentemente a adoção do protocolo Wi-Fi 6 (ou 802.11 ax), brevemente a ser substituído pelo protocolo Wi-Fi 6e.

Na prática, tudo isso significa que, como ninguém pode ficar trocando de equipamentos a todo momento, contemporiza-se o problema com a adoção de meios de distribuição de sinal que contemplem o máximo possível de adaptadores Wi-Fi.

Existem, entretanto, limites que precisam ser observados. Equipamentos com adaptadores muito antigos ou inadequados podem causar problemas, incluindo a limitação do tráfego de dados na rede local, embora para este último os roteadores mais modernos venham equipados com algoritmos impedindo que isso aconteça!

Problemas e potenciais soluções em adaptadores Wi-Fi atuais

Os adaptadores Wi-Fi recentes também podem ser problemáticos. Já 4 anos foram decorridos desde que eu investi em uma então moderna TV LG OLED modelo 65E7P. Nenhum problema de tela, tais como todos aqueles prenunciados por alarmistas, foi detectado. Entretanto, esta TV tem um adaptador Wi-Fi que, apesar de trabalhar na banda de 5 Ghz, sofre ocasionais quedas de sinal, travando a reprodução de streaming ou até parando completamente de reproduzir qualquer coisa.

Inicialmente, eu pensei se tratar de queda de sinal na rede local, porque o fornecimento de sinal aqui em casa (Claro/Net) caía constantemente, até que um dia o técnico da operadora disse que uma reforma importante estava sendo feita na rede. Depois de concluída a tal reforma, a queda de sinal se tornou bem menos frequente.

Decidido a ir a fundo no problema, eu eventualmente descobri que, após várias medições na rede, a culpa da queda de sinal era na TV. E, neste caso, a única solução era retirar a TV da tomada, aguardar alguns segundos, e liga-la novamente. Feito isso, a queda de sinal sumia.

Eu comuniquei isso ao suporte da LG, e a atendente de lá me disse que a solução era essa mesma, ou, melhor ainda, segundo ela, reinicializar a TV retornando às configurações de fábrica. Então, eu fiz isso, mas não adiantou nada! Portanto, eu estaria enfrentando um problema no hardware, fosse um erro no seu adaptador Wi-Fi ou então no buffer de memória que o assiste.

Esta solução de desligar o equipamento para uma reinicialização a frio é exatamente a mesma que todos nós praticamos no passado nos nossos computadores: o chamado “cold boot” ou simplesmente uma “partida a frio”.

No caso específico dos computadores, bastava desligar o aparelho sem precisar desliga-lo da tomada. A antiga combinação de chaves para a reinicialização a quente era teclar <control> + <alt> + <del>, que às vezes resolvia isso, mas em circunstâncias drásticas era preciso desligar o micro mesmo. As placas mãe modernas introduziram no seu firmware a possibilidade de desligar a sua alimentação pressionando-se a tecla de força até o micro desligar totalmente.

O que acontecia nos computadores, e que possivelmente não deve ser diferente das TVs de hoje em dia, era o completo esvaziamento da memória RAM. Isso só pode ser conseguido com o desligamento da força, para forçar a descarga de capacitores que a mantém ainda carregadas.

Substituindo um adaptador por outro

Idealmente, uma TV deverá ter a prioridade de conexão à Internet através de um cabo de rede Ethernet. Porém, isso só é factível quando ambos roteador e TV estão próximos, ou se, em uma situação oposta, o usuário decidir instalar um cabo suficientemente longo entre ambos os aparelhos.

Fora isso, a solução mais prática é aquela mesma usada para os aparelhos antigos, que não possuíam adaptadores de rede Wi-Fi: instalar um repetidor de sinal, capaz de captar a rede local sem fio e fazer uma ponte diretamente na porta Ethernet.

Eu experimentei novamente este processo usando o repetidor TP-Link RE450 (AC 1750), dotado de 3 antenas externas, e que pode trabalhar com todos os protocolos Wi-Fi 5 (b/g/n/ac) em dupla banda de transmissão, 2.4 e 5 GHz.

A instalação pode ser feita de várias maneiras. Em uma delas, a mais simples, liga-se o repetidor em uma tomada e aguarda-se o LED de força (Power) estabilizar. Deve-se ligar o repetidor próximo do roteador, e neste acionar a tecla WPS. A seguir, fazer o mesmo no repetidor (botão circular do painel frontal), e aguardar. O LED deste botão fica permanente aceso, indicando quando tudo está pronto. A seguir, todos os outros LEDs acendem, mostrando a disponibilização de adaptadores nas bandas de 2.4 e 5 GHz.

A seguir, se lança mão do aplicativo Tether, instalado no celular, que identifica o repetidor na lista de equipamentos disponíveis e deixa o usuário verificar ou mudar alguns ajustes.

A minha rede local foi originalmente batizada de “miragem”, mas o roteador usa o recurso “Smart Connect”, e assim ambas as faixar 2.4 e 5 GHz têm o mesmo SSID. Com este tipo de conexão, um único SSID e senha são usados para todos os equipamentos da rede, e as bandas de sinal são escolhidas de acordo com o adaptador cliente. No modo de operação do Smart Connect, se houver congestionamento de sinal a conexão com o cliente afetado é automaticamente alterada, e isso só já poupa o trabalho do usuário de ficar tentando achar as condições ideais de recepção de sinal para cada cliente.

Como o SSID para as bandas 2.4 e 5 GHz é o mesmo, o RE450 modifica a segunda com a extensão “_5G”, como visto a seguir, na captura da tela do aplicativo Tether.

No segundo método de configuração que eu usei, o RE450 é instalado em uma tomada, como descrito acima. A seguir, liga-se o cabo Ethernet do computador com este já previamente ligado. O navegador padrão do sistema irá acessar automaticamente a página de configuração:

 

Escolhe-se uma senha e uma vez entrando nas configurações pode-se então acertar cada banda de transmissão. Na captura a seguir, os SSIDs padrão são mostrados na tela de resumo do aparelho:

 

Comparando os SSIDs, nota-se que no primeiro método o nome da rede local (“miragem”) é usado como base, e no segundo, os SSIDs padrão obedecem ao default do aparelho, que pode ser mudado:

 

Eu preferi deixar os SSIDs de acordo com o segundo método de instalação. Deste modo, eu passo a ter a identificação da rede local e do repetidor separada.

O RE450 entra automaticamente em modo Bridge na sua saída Ethernet. Isso torna possível alimentar qualquer equipamento que tenha uma entrada Ethernet, independente de possuir também adaptadores Wi-Fi.

 

Neste tipo de aplicação, o adaptador Wi-Fi interno da TV é substituído pelo adaptador Wi-Fi do repetidor. Se a instabilidade de recepção de sinal que estivesse provocando a queda de sinal anteriormente citada fosse provocada pelo adaptador da TV a troca pura e simples resolveria o problema, sem precisar desconectar a TV da tomada.

É bem possível, já que existe uma carência de dados a este respeito, que esta mudança seja um tiro no escuro. Se for, a queda de sinal irá ocorrer eventualmente. Por enquanto, e na falta de outros parâmetros, eu usei o aplicativo da Netflix para medir a rede antes e depois. O resultado mudou de 42 Mbps com o adaptador Wi-Fi ligado para 64 Mbps com o cabo Ethernet conectado. Pode não parecer muito, mas trata-se do tráfego de dados do aplicativo, vindo dos seus servidores até a interface do cliente que reproduz o streaming.

Diz o antigo ditado popular que “quem não tem cão caça com gato”. Não é a mesma coisa, mas quebra um galho!

A nossa realidade como usuário doméstico é enfrentar todo dia o que agora se denomina IoT (“Internet of Things”) ou Internet das Coisas, não só pelo número de equipamentos conectados como pelo número de usuários que se servem da mesma rede local. Não é incomum a gente receber visitantes e parentes em casa, cada um deles com um celular o tempo todo colados na nossa rede local, nem que seja para economizar dados. Quem, como eu, é aposentado, e vive mais em casa do que na rua, esta economia de dados do celular chega a ser impressionante com o uso da rede local. Na cortesia com os visitantes essa economia é maior ainda, porque hoje em dia ninguém mais se comunica sem o celular!

Os repetidores como o RE450 são ecléticos e podem ser usados como Access Point (Ponto de Acesso), ou simplesmente repassando o sinal Wi-Fi do jeito que o usuário quiser. Usado como descrito acima poderá dar uma chance para o usuário de contornar problemas de recepção na expansão da rede no escritório ou em casa. Outrolado_

 

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A evolução da rede local doméstica

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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