Telas LCD: o velho e bom LCD continua por aí

Lançadas décadas atrás, as telas LCD continuam a impulsionar vendas de monitores para computador e TVs, sem alguns inconvenientes de telas mais modernas. O LCD aumentou o grau de sofisticação das telas modernas, além de aprimorar o seu uso em qualquer sistema.

 

Com tantas inovações em tecnologia de tela atualmente à disposição do usuário é de se admirar que a tecnologia LCD não tenha sido abandonada. Na realidade, esta tela continua por aí com um sem-número de variações da sua arquitetura, com nomes de fantasia que tentam esconder que muito pouco da tecnologia original tem sido mudada.

Eu, por exemplo, uso um monitor Dell UP3216Q que comprei para montar uma pequena estação de trabalho dentro de casa cerca de 6 anos atrás. Fora a incapacidade de reproduzir HDR, eu ainda não vejo motivos para troca-lo. Quando este monitor chegou na minha casa, ele mostrou uma lista vertical de pixels queimados, estranho para um monitor de preço elevado, e quando eu reclamei com o suporte da Dell eles negaram que era defeito, mas com a minha insistência a Dell mandou um técnico na minha casa, que determinou a imediata troca do monitor. Mas, foi só isso, nunca mais deu qualquer problema.

Este monitor da Dell foi projetado para a reprodução e edição 4K de vídeos ou fotos, podendo inclusive alcançar 100% da gama de cores em sRGB, que é um dos padrões usados na Internet. Na realidade, ele foi previsto para uma calibração com colorímetros, podendo esta ser armazenada em memória interna em até 2 modos distintos. Mas, isso só tem sentido para fotógrafos, o resto de nós mortais não precisaríamos chegar a este objetivo de perfeição.

 

A iluminação com LEDs na borda da tela mostra sinais claros de vazamento de luz nas duas laterais do super monitor da Dell, mas com a imagem normal este vazamento não aparece. Mesmo colocando uma imagem preta na tela toda e com a iluminação ambiente normal, a presença do vazamento é muito discreta, ou inexistente se a imagem for colorida.

Quanto ao defeito que o monitor da Dell apresentou, este é um tipo de problema antigo comum em telas LCD. O primeiro monitor LCD que eu tive para uso no computador de casa era um Philips, cuja tela, se apresentasse até 10 pixels com defeito, o monitor não seria coberto pela garantia. E o mesmo se aplicava a telas de TV, nos obrigando a inspeciona-las cuidadosamente quando se comprava uma TV nova.

O problema de pixels com defeito acabou sumindo das telas mais novas, tanto assim que há muito tempo nenhum usuário dá bola para isso, e/ou nem sabe do que se trata!

A manutenção da tecnologia LCD traz consigo uma vantagem implícita: o custo menos elevado de uma TV nova, com recursos obtidos com um sistema operacional que funcione adequadamente.

Além disso, a TV com LCD dificilmente é afetada pelo chamado “burn in”, que é típico das antigas TVs de CRT, plasma e agora OLED. Por isso, o LCD pode, e a meu ver deve, ser usado como monitor para o uso diário do trabalho, sem preocupação com imagens estáticas na tela.

Variações do backlight

Todos os fabricantes de tela LCD perceberam faz muito tempo que a retro iluminação, o chamado backlight, tem grande importância no desempenho e na qualidade da imagem de uma tela LCD. As primeiras telas com dispersão de luz completa (“full array”) eram caras e ineficientes, mas com a introdução da luz por LEDs tudo mudou.

Entre as muitas vantagens do LED, ele é capaz de reciclar (ligar e desligar) a emissão de luz em alta velocidade. Com a miniaturização do LED é hoje possível a inserção de clusters de luzes no backlight, tanto no formato Mini-LED quanto no Micro-LED, sem os efeitos indesejados do formato full array. Esta nova arquitetura de iluminação melhora a uniformidade de dispersão da luz na tela, sem o espalhamento de luz nas áreas onde não deve haver iluminação, tal como acontecia no “blooming” das telas full array antigas.

A retificação do espectro de emissão da luz produzida pelo LED, com o uso de pontos quânticos, foi também um fator determinante na melhoria da qualidade da tela LCD, seja pelo aumento da gama de cores, seja pela maior capacidade de iluminação. Uma tela LCD com backlight auxiliado por pontos quânticos chega facilmente à marca de 1000 nits ou mais, podendo assim ser uma referência importante na reprodução de imagens tratadas com HDR 10/10+, HLG HDR ou Dolby Vision.

Densidade de pixels

Além de melhorias no backlight, a tela LCD pode ser construída com uma maior quantidade de pixels. Esta é, por exemplo, a base arquitetônica das telas Retina, fabricadas pela Apple.

Para determinar a quantidade de pixels em uma tela dessas foi feito um cálculo baseado na resolução do olho humano. Foi estimada a inserção de 300 pixels por polegada, para uma distância de até 30 cm do olho humano até a tela.

Não há muita diferença, neste particular, da determinação em pontos por polegada dos antigos monitores de tubo (CRT), que atingiram uma qualidade exemplar, em telas com até 19 polegadas, e que serviram de referência para trabalhos gráficos durante muitos anos!

A densidade de pontos ou de pixels (ppi) é uma sofisticação interessante da tela LCD, mas envolve um custo elevado. E assim o usuário tem que ter cautela na hora de instalar um monitor Retina. No caso específico da tela Retina da Apple, a sua aplicação pode ser aumentada, caso o usuário de uma plataforma IBM tenha recurso para a alimentação de sinal por DisplayPort com saída compatível. Mas, é de todo recomendável consultar as especificações da placa gráfica e/ou o suporte do fabricante, antes de investir em uma tela Retina.

A extensão do uso de uma tela LCD

Nos primórdios das telas LCD a imagem que eu vi era monocromática e de qualidade duvidosa, usada principalmente em notebooks. Mas, lá para o meio da década de 1990 monitores LCD coloridos foram lançados, dando uma outra perspectiva para o usuário final, tanto no tamanho da tela, anteriormente limitada pelo tubo de imagem (CRT), como pela praticidade na instalação.

A dúvida no quesito qualidade de imagem ainda perdurou algum tempo. No fórum do qual eu fazia parte na época em que eu comprei o meu primeiro LCD da Philips, chamado de Home Theater Talk, logo que eu compartilhei esta experiência a primeira pergunta foi sobre a qualidade de reprodução de cor, a qual, ainda naquele momento, estava longe de exemplar, mas que prometia muito.

Qualquer tela LCD pode ser usada como monitor, bastaria ter uma conexão adequada para a ligação com o cartão gráfico do computador. Inicialmente, esta conexão era analógica, na forma de um conector VGA padrão. Posteriormente a interface usada passou a ser analógica, porém com o uso de conectores DVI. Estes, por seu turno, foram modificados para os sinais digitais e com o formato do conector integrado analógico-digital para uso em qualquer interface. Detalhes sobre isso podem ser lidos em um texto anterior sobre o assunto.

Todas essas modificações iniciais, ainda em ambiente analógico, permitiram contornar o alto custo de aquisição de um monitor gráfico CRT com entrada RGB. Nas conexões mais modernas, por HDMI ou DisplayPort, é possível escolher saída RGB ou vídeo componente (YCbCr) comprimido (4:2:2) ou sem compressão (4:4:4). A escolha padrão é RGB, e não deve ser mudada.

 

A indústria chegou a oferecer o que se chamou TV-Monitor, combinando sinais de ambos os domínios. Eu usei um desses durante muitos anos, com resolução 1080p, satisfatória para aquele momento.

Hoje em dia, com o custo de um monitor dedicado muito alto, pode-se optar pelo uso de uma TV convencional, com a conexão de sinal por HDMI. Existem opções interessantes neste segmento de tela, como, por exemplo, HDR 10/10+, dependendo do modelo. O sistema operacional Windows é previsto para rodar neste ambiente e reconhece automaticamente este recurso.

Como se vê, a tela LCD ainda tem muita utilidade e aplicações diversas. Com modelos de tela mais em conta é possível adquiri-la sem danificar o orçamento, sem falar de que apresentam uma qualidade da qual eu aposto que muita gente não vai se queixar! Outrolado_

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “Telas LCD: o velho e bom LCD continua por aí

  1. Olá Paulo
    No meu caso decidi investir no melhor sistema desse tipo de tela (LCD), que seria um display do tipo Direct-Led, com o famoso local dimming. Tenho muito receio de investir uma fortuna em TV com tela Oled de qualquer tipo, e ocorrer algum problema que possa condenar a TV. Temos ciência da qualidade e desempenho superior da tecnologia Oled, mas aqui essa tecnologia tem preço proibitivo. Diante dessa realidade Paulo, só nos resta mesmo se informar com matéria desse tipo, e investir nosso suado dinheiro com o que tem de melhor dessa tecnologia LCD, que já deveria ter sido aposentada, mas o custo/benefício ainda a mantém em produção.

    • Oi, Rogério,

      A tela OLED ainda tem uma imagem melhor sim, mas não fica muito na frente diante das tecnologias que estão crepitando por aí. Agora, o mercado está saturado de TVs com preço muito elevado, e eu acho isso incompreensível, porque a mudança fabril com novas tecnologias deveria baixar o preço do produto final, e o que se nota é o fabricante descontar no usuário o investimento na pesquisa, o que eu não acho justo.

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