The Matrix Recycled

A partir de julho existem duas opções para assistir os 4 filmes da franquia The Matrix em versão 4K, Dolby Atmos e Dolby Vision, uma comprando os Blu-Ray 4K e a outra pelo streaming do HBO Max. As novas versões ganham tratamento HDR e correção de cores, antiga aspiração dos fãs dos filmes.

 

Os laboratórios da Warner Brothers, chamado Motion Pictures Imaging (MPI), é talvez um dos melhores centros de pós-produção para filmes novos e antigos. O MPI terminou um projeto recentemente processando os negativos originais da trilogia The Matrix e depois de terminada a varredura em 4K foi criado um novo intermediário digital, que serviu de base para as edições em Blu-Ray 4K dos filmes The Matrix, The Matrix Reloaded, e The Matrix Revolutions, na exata sequência do lançamento dos originais.

Para este novo D. I. o negativo foi tratado com aperfeiçoamento de imagem por Dolby Vision e por nova colorização. Comenta-se que fãs da trilogia se queixaram da matiz muito esverdeada dos filmes, o que pode ser visto nas versões em DVD e Blu-Ray. Na imagem mais nova o tom esverdeado foi bastante amenizado ao invés de eliminado, caso contrário daria uma outra interpretação do filme.

A trilogia no serviço de streaming

No início de julho deste ano o serviço de streaming HBO Max anunciou o lançamento da trilogia reciclada, em 4K, Dolby Atmos e Dolby Vision.

Eu costumo receber uma enxurrada de mensagens de e-mail com lançamentos dos serviços de streaming que eu assino, mas às vezes eu apago tudo sem ler o conteúdo. Talvez por isso eu não tenha percebido que a trilogia constante do serviço, 1080p (2K), Dolby Digital 5.1, havia sido substituída pelas novas versões.

Para chegar lá, acidentalmente, diga-se de passagem, eu entrei na lista de vídeos em 4K do HBO Max, mas esta classificação por grupos sempre muda, então é mais fácil achar qualquer coisa por uma busca pura e simples. Fica aí a sugestão para quem é usuário, já que nem sempre se lê o que se quer nas mensagens com este tipo de anúncio.

Para reproduzir corretamente a nova versão da trilogia, eu usei o meu fiel Apple TV 4K, que está conectado ao meu receiver, com reprodução garantida de Dolby Vision e Dolby Atmos no layout 7.1.4, mais do que suficiente para atender uma demanda exigente de reprodução deste tipo de material.

A primeira coisa que eu notei ao assistir o primeiro The Matrix foi que a imagem em 4K não estava tão distante da imagem que eu tenho na edição em Blu-Ray, exceto pela correção da colorização. No decorrer do filme, o que mais me chamou a atenção foi o aperfeiçoamento da trilha sonora para Dolby Atmos, muito embora a trilha contida no Blu-Ray seja também de muito bom nível. Na trilha com Dolby Atmos fica mais fácil notar o aumento de ambiência na parte superior da sala, dando assim uma atmosfera bem mais interessante ao filme.

Tanto o primeiro The Matrix quanto os demais filmes foram rodados com negativo Super 35 e depois enquadrados para cópia scope destinada aos cinemas, ou IMAX, nos dois últimos filmes da trilogia. O filme original usa o processo VistaVision para seus efeitos especiais. O som das trilhas foi apresentado em Dolby Digital, DTS ou SDDS, com os dois últimos filmes ampliados para IMAX e com trilha Sonics-DDP (6 canais discretos).

Para mim, não há dúvida de que as novas cópias valeram a pena, mas principalmente pelo som das trilhas, que realçam o filme sobremaneira. Eu deixei de comprar a caixa da trilogia em Blu-Ray 4K, mas agora vi que não preciso mais.

A trilogia e seus exageros

Quando The Matrix foi lançado, a sua proposta como ficção agradou a muita gente, pela originalidade, mas ao mesmo tempo, apresentado com o roteiro um tanto ou quanto críptico, confundindo a plateia e gerando dúvidas.

Sucintamente, a “Matriz” é um programa de computador, criado para servir máquinas, que escravizaram a raça humana para obter delas a energia elétrica que lhes permite sobreviver. A tal Matriz emula uma vida normal completamente artificial, e assim dá a ilusão de que nada mudou na humanidade.

Os (as) Wachowskis, que criaram o roteiro e dirigiram os filmes, pegam emprestado do Evangelho as figuras de Cristo (Neo), São João Batista (Morpheus), e forçando um pouco a barra, Maria Madalena (Trinity) e Judas Iscariotes (Cypher).

Na construção do roteiro ainda são cooptadas as premissas dos super heróis, a estrutura dos videogames e a coreografia da porradaria chinesa, esta última presente em filmes feitos anteriormente fora da América, com Jet Li ou Jackie Chan, com os mesmíssimos efeitos fotográficos de lutadores voando, dando cambalhota, saltos ornamentais, subindo paredes, e vai por aí. As lutas propriamente ditas já tinham sido demonstradas em coreografia pelo lendário Bruce Lee.

Existem alusões notórias a outras estórias, como, por exemplo, a Alice No País das Maravilhas (na sugestão de “seguir o coelho” e na escolha das pílulas), e a Dark City, filme onde humanos vivem em um mundo artificial criado por alienígenas.

Em The Matrix, os dois universos são divididos por matizes: tom verde no mundo virtual e tonalidade azul (ou fria) no mundo real!

Até hoje, me parece particularmente complicado tentar juntar arte popular com tecnologia sofisticada no mesmo roteiro, porque se alguém assiste o filme somente por causa do super heroísmo e das brigas, correrá o risco de não passar nem perto da concepção complicada da estória, que é basicamente uma denúncia da dependência existencial do ser humano criada pelos avanços da tecnologia. Na prática, isto significaria que fãs dos filmes só irão apreciá-los parcialmente.

Acho ainda que o desenvolvimento da estória se complica e se torna inconvincente depois que, no segundo filme, se chega ao Arquiteto criador da Matriz, que diz que Neo está na sua última “versão”, e que as anteriores não conseguiram alcançar o seu grau de avanço tecnológico. Então, quem assiste fica na dúvida: Neo é humano ou é uma máquina? Seja como for, ao final da trilogia, Neo age como Cristo, se sacrifica, sofre e dá a sua vida em prol da população humana de Zion.

Encarando The Matrix e as duas sequências apenas como diversão é possível, mas um tanto ou quanto cansativo, devido à repetição sistemática de cenas envolvendo muito mais os heroísmos do personagem salvador do que alguma noção de se e quando a estória vai ter explicação e chegar ao fim.

Sobra para nós agora, espectadores ocasionais, a apreciação dos melhoramentos de imagem e som resultantes do trabalho dos super técnicos do MPI, e sem custo para quem assina ou tem direito ao HBO Max. Aliás, que assiste a este streaming e também os canais HBO na TV por assinatura, vai notar a brutal diferença de imagem e som entre os dois veículos!

No HBO Max, o quarto e, até agora, último filme da franquia, The Matrix Ressurections, está mais proeminente disponível, também com apresentação de luxo, 4K, Dolby Vision e Dolby Atmos, uma boa opção para quem gosta de repeteco e não se importa com falta de criatividade.

Mister Anderson… Outrolado_

 

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Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

2 comentários sobre “The Matrix Recycled

  1. Parabéns a Warner pela iniciativa, pena que para cinéfilos que não dispõem de players Bluray em 4k, ficarão restritos a conferirem o trabalho de restauro somente pelo streaming do serviço HBO Max, que (de certa forma) irá trazer um grande incremento na melhoria de som e imagem, da trilogia original no streaming, afinal todos sabemos que nesse formato de transmissão, há perdas na qualidade devido a compressão do arquivo que está sendo enviado ao assinante. Não consigo entender e aceitar esse hiato tecnológico que motivou a indústria de eletro eletrônicos (aqui no Brasil) terem abandonado o formato Bluray, e sequer lançado nenhum player em 4k. Um verdadeiro paradoxo…

    • Oi, Rogério,

      Os arautas do apocalipse dizem por aí que o Blu-Ray está morto, quanto mais o Blu-Ray 4K. Eu não sou profeta, mas não consigo enxergar nada disso. O que eu vejo é o descaso da nossa indústria com ambos os formatos, enquanto que no resto do mundo isto está longe de acontecer.

      O chato é ter que pagar uma fortuna se uma de nossas revendas disponibilizar algum título para a gente.

      O nosso streaming é bom, mas o disco Blu-Ray ainda é melhor! Sem falar que, se você gasta dinheiro para comprar um, o disco é seu e ninguém tasca!

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